Billy Wilder começou sua carreira em filmes, como roteirista em 1929, e escreveu roteiros para vários filmes alemães até que Adolf Hitler chegou ao poder em 1933. Wilder imediatamente percebeu que sua ascendência judaica iria causar problemas, então, emigrou para Paris, e então para os EUA. Embora ele não falasse Inglês quando chegou a Hollywood, Wilder foi um aprendiz rápido, e graças a contatos como Peter Lorre (com quem dividia um apartamento), ele começou a escrever e dirigir filmes americanos.

Sua parceria com Charles Brackett começou em 1938 e a equipe foi responsável por escrever algumas das comédias clássicas de Hollywood, incluindo Ninotchka (1939) e Bola de Fogo (1941). A parceria expandiu-se para um produtor-diretor um em 1942, com Brackett produzindo, e os dois acabou por clássicos como Cinco tumbas de Cairo (1943), Farrapo Humano (1945) (Oscar de Melhor Filme Diretor e Roteiro) e Crepúsculo dos Deuses (1950) (Oscar de Melhor Roteiro), após o qual a parceria foi dissolvida. Depois Wilder produziu filmes mais cáusticos e cínicos, como A Montanha dos Sete Abutres (1951), embora ele também tenha produzido comédias sublimes como Quanto Mais Quente Melhor (1959) Se Meu Apartamento Falasse (1960), que lhe rendeu os prêmios Oscar de Melhor Filme e Diretor. Ele se aposentou em 1981.

O humor e a ironia tornaram Billy Wilder o grande diretor que foi. Porém sua carreira é dividida entre obras sérias e comédias escrachadas. Ele deu ao cinema uma direção diferente: controlava totalmente as cenas, além de sempre ter feito questão de mostrar em seus filmes a vida como ela é. Para isso, o diretor utilizava situações corriqueiras, criando a partir delas, narrativas complexas. O diretor fez muitos filmes, por isso, seria bem difícil listar todos aqui, mas conheçam os principais longas de sua carreira:

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Semente do mal (Mauvaise graine – 1934)

Billy Wilder começou sua carreira de diretor colaborando neste filme francês, durante sua breve estada por Paris. Semente do mal é um bom filme, uma boa estreia para Billy Wilder, apesar de não ser a melhor fase do diretor com quem fez parceria, Alexander Esway; e como era o primeiro filme de Wilder não se poderia exigir algo magnífico. Mas o filme nos mostra um pouco do caminho que o diretor seguiria no futuro. É um filme interessante para os fãs de trilhas de filmes, as músicas de Waxman, presentes neste filme, também podem ser ouvidas em quase 300 filmes, incluindo E o vento levou, e clássicos de Hitchcock, como Janela Indiscreta. Nota: 6,5

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O maior e o menor (1942)

Na primeira chance que Wilder teve de mostrar seu trabalho nos EUA, ele já mostrou seu talento para os filmes de comédia. Um filme em que uma mulher se disfarça de criança para pagar meia-entrada num trem seria bem difícil que não fosse divertido. Disfarces e comédia já nos lembram de Quanto mais quente melhor, que viria no futuro. Neste filme, Wilder já trabalha com Ray Milland, ator que faria outros personagens de seus filmes. Nota: 7,5

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Cinco tumbas de Cairo (1943)

É até difícil acreditar que este filme foi feito em 1943, pela sua abordagem, olhar, e conceito. Apesar de uma certa quantidade de propaganda de guerra, Cinco tumbas de Cairo tem um enredo e linha de humor negro, além de uma leveza de toque que o diferencia da maioria dos filmes produzidos neste momento. Também é interessante porque foi feito enquanto a  Segunda Guerra ainda estava em curso, sendo um filme destinado a reforçar a vontade americana de lutar. Nota: 7,5

farrapo humano

Farrapo humano (1945)

Farrapo Humano se destaca entre seus filmes mais realistas e crus. Conta a história de Don e seu vício por bebida alcoólica; assim, acompanhamos um homem que passa o fim de semana mais decadente e decisivo de sua vida, em que ele chega até o fundo do poço. A direção de Billy Wilder é impecável. Em um drama tão profundo como Farrapo Humano, Billy cria uma espécie de suspense com vilão e herói dentro do mesmo personagem.  Farrapo Humano é, enfim, a junção de boa técnica e dedicação. É um dos filmes que consagrou o diretor e que lhe rendeu seus primeiros prêmios Oscar. É uma obra imperdível, que merece, sem dúvida, o Oscar que recebeu por Melhor Filme, pois foi o primeiro grande filme a mostrar seriamente o alcoolismo em seus níveis mais sórdidos e dramáticos, sem esconder qualquer detalhe. Nota: 8,0

Sunset boulevard

Crepúsculo dos deuses (1950)

Depois de uma comédia (Um anjo caiu do céu),  um musical (A valsa do imperador) e um ótimo drama (A mundana), Wilder lança um de seus melhores filmes: Crepúsculo dos deuses. No longa, ele satiriza seu próprio ganha-pão – a indústria cinematográfica , fazendo um retrato pouco piedoso de Hollywood e sua máquina recicladora de ídolos e tendências. O crepúsculo do título é o dos deuses do cinema mudo, renegados ao esquecimento com a chegada da tecnologia sonora. Para o papel principal, Gloria Swanson (estrela do cinema mudo, que viu sua carreira naufragar), que interpreta Norma Desmond, uma antiga musa do cinema que contrata um roteirista fracassado para escrever seu grande retorno. Mas é o cinismo, a amoralidade e a ânsia do roteirista por dinheiro, que sintetiza como as coisas funcionam em Hollywood, sempre mais dependente das cifras que de ambições artísticas. O auge do triste declínio de Norma Desmond é a cena final, em que ela, perturbada, avisa que está pronta para filmar um close-up. Ela desce as escadas em direção à polícia, e o que se vê é ela indo rumo à plateia. O longa ganhou três estatuetas no Oscar de 1951 – Direção de arte, Música e Roteiro – um dos pontos fortes da carreira de Wilder. Nota: 9,0

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Sabrina (1954)

Depois de dois excelentes filmes muito bem conceituados mundialmente (A montanha dos 7 abutres e Inferno número 17), Wilder volta às comédias românticas, mostrando toda sua versatilidade nesse filme maravilhoso. Sabrina é charmosa, engraçada e brilha como todas as grandes estrelas de Hollywood. Humphrey Bogart, William Holden e Audrey Hepburn vivem esta história de Cinderela de forma encantadora, graças à ótima direção de Billy Wider que, como sempre, consegue tirar o melhor dos atores e fazer do preto e branco um charme a mais do filme. Afinal, é impossível ver esse filme e não se apaixonar por seus personagens (especialmente Hepburn) e pelos belos vestidos de Sabrina. Depois de Sabrina, a incomparável Audrey Hepburn trabalhou em mais um filme de Wilder: Amor na tarde; aliás, muito engraçado, apesar de simples. Nota: 8,5

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O pecado mora ao lado (1955)

Este filme é uma comédia das boas! O casal do filme, graças a Billy Wilder e ao talento de Monroe e Ewell, está cômico! Os monólogos de Ewell são um poucos chatos, mas o filme tem cenas ótimas e Marilyn mostra todo o seu brilho e com certeza cai nas graças de quem assiste a esse filme. A cena no banco do piano é uma das melhores, mas a parte do filme que ninguém esquece é a do desempenho de Marilyn e seu vestido na cena do metrô. Nota: 8,0

600full-some-like-it-hot-posterQuanto mais quente melhor (1956)

Depois de Sabrina, Wilder lançou mais filmes de gêneros bem diferentes, entre eles o sucesso Testemunha de acusação. Mas foi com Quanto mais quente melhor que Wilder chegou ao auge de sua carreira. Considerado pelo próprio cineasta como seu melhor filme, é também um dos filmes pelo qual Marilyn Monroe é mais lembrada. Quanto mais quente melhor impressiona pelos diálogos sardônicos, escritos por Wilder em parceria com I.A.L. Diamond, seu segundo maior parceiro de texto (o outro foi Charles Brackett). A antológica cena final, em que Daphne (Tony Curtis disfarçado de mulher) é pedida em casamento pelo ricaço, e depois de revelar que é um homem, ouve que “ninguém é perfeito”, foi escrita na noite anterior da gravação. Esta foi a primeira parceria entre o diretor e Jack lemmon, que o cineasta viria a considerar o seu ator favorito e com quem viria a trabalhar no ano seguinte em outro clássico, Se meu apartamento falasse. O filme foi indicado a seis Oscar e premiado com o de melhor figurino em preto-e-branco. Em 2000, foi eleito a melhor comédia americana de todos os tempos pelo American Film Institute. Nota: 8,5

se meu apartamento falasse

Se meu apartamento falasse (1960)

Jack lemmon e Shirley Maclaine estrelam esta ótima comédia romântica que ganhou 5 Oscars, consagrando Wilder que ganhou o prêmio de melhor filme, diretor e roteiro; o filme ainda venceu nas categorias de direção de arte e edição. A dupla de atores principais não fez feio e concorreu ao Oscar de melhor ator e melhor atriz . Eles envolveram o público que adorou a performance dos dois em Se meu apartamento falasse. O filme traz muito mais temas e questões humanas do que as comédias comuns. Neste filme também há drama. Wilder é um especialista e em nenhum momento ele irá deixá-lo preocupado com que o filme vá acabar mal. Afinal, é uma comédia, mas também te faz refletir sobre a vida, mostrando entre outras coisas, o sabor amargo da solidão. Nota: 9,0

Kiss me stupid

Beija-me idiota

Depois de várias comédias de sucesso, o grande escritor e diretor resolveu continuar nesse estilo e fez filmes como Cupido não tem bandeira, La irma Dulce, Uma loira por um milhão Beija-me Idiota. Esse filme de Wilder foi um dos poucos que não foram bem recebidos pela crítica e público. Ele foi, ainda, condenado pela Liga Católica. Na verdade, é uma comédia boa, porém cínica e muitas vezes cômica, sobre um assunto muito delicado: a fidelidade. Wilder tinha inteligência e muitas ideias. Sua facilidade de escrever filmes ao mesmo tempo cômicos e dramáticos é impressionante; embora algumas vezes as pessoas não entendessem seu objetivo de satirizar aspectos da vida real e elevar o nível do humor e do drama. Nota: 7,5

Fedora

Fedora

Antes de Fedora, o consagrado diretor fez filmes de comédia, investigativos e de romance como A primeira página, A vida secreta de Sherlock Holmes e Avanti, respectivamenteMas Fedora é especial por ser considerado um complemento, para o diretor Billy Wilder,  ao clássico Sunset Blvd. Em ambos os filmes estrela William Holden, e tratam de como lidar com a vida de um velho astro do cinema de Hollywood. Um filme muito relevante para os nossos tempos narcisistas, a sua única falha é ser uma peça fria de trabalho, mais fácil de admirar do que amar. Morte ou reclusão permanente é a única forma de preservar a imortalidade uma lenda. Maravilhosamente estruturado, e com alguns excelentes diálogos, todo o elenco absolver-se com o crédito, e acho que é uma visão fascinante e valiosa em um mundo que já foi para sempre e que é nunca, nunca probabilidade de retorno. Talvez mais reflexivo e introspectivo do que esperamos um Billy Wilder filme a ser, mas todos os mais ricamente satisfatório para ele. Fedora foi o penúltimo filme de Billy Wilder, que já se preparava para se aposentar, e fechou sua carreira com a bela (e esquecida) comédia Amigos amigos, negócios à parte. Nota: 7,0