O curta de Tefé, “Caboré – A lenda”, procura trazer a tela aquilo que a Amazônia tem tão rico quanto as águas que percorrem seu território: suas lendas indígenas. Entretanto os diretores José Augusto Pedroza e Orange Cavalcante abusam da narração como recurso para esconder as falhas decorrentes das atuações e do próprio roteiro que não se segura apenas imageticamente.

O argumento da trama se baseia na lenda da Castanheira, que apresenta a jovem Caboré, que em tupi simboliza sorte e fortuna, como uma guerreira valente, adorada e respeita por sua tribo, mas que ao sair para uma caçada não retorna a sua aldeia, deixando o índio Apiá preocupado com seu sumiço. Sem a encontrar, ele recorre a Tupã que em nome do amor de ambos, após a morte da guerreira, a transforma em uma das árvores de maior destaque na floresta Amazônica: a castanheira.  Os realizadores se apoiam nesta lenda acrescentando-lhe outros seres do folclore local: Iara e Jurupari, para construir seu roteiro.

O problema é o uso da narração excessiva durante toda a película, que serve de muleta para as trocas abruptas de elenco e sem explicação aparente, não há recursos estilísticos, técnicos e nem narrativos que os introduzam. Há as passagens de tempo que tentam construir a linha narrativa do curta, acompanha-se Caboré desde o seu nascimento até a morte, mas a montagem deixa o espectador perdido e sem tanto interesse em acompanhar a história.

O esforço da produção de Tefé mostra aquilo que temos mais rico na região e que tem potencial de ser observado e absorvido pelo nosso cinema que é a própria cultura local. Claro que o cuidado de uma produção cinematográfica, mesmo de baixo orçamento, precisa ser lembrando e revisto em qualquer produção que almeje voos, mesmo não tão altos.

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