Para certas pessoas, a carreira não é uma escolha – elas simplesmente nasceram pra fazer aquilo. Com a britânica Kate Elizabeth Winslet, a coisa foi desse jeito. Nascida em 1975 de um casal de atores, e neta de administradores de teatro, Kate tinha mesmo de se tornar o que se tornou – a atriz mais aclamada de sua geração, ao lado da australiana Cate Blanchett.

Começando ainda na infância a fazer teatro e comerciais de TV, Winslet logo revelou o talento e a naturalidade que são suas marcas à frente das câmeras. Aos 17 anos, ela bateu 175 garotas no teste pra viver a melancólica Juliet Hulme em Almas Gêmeas, do diretor Peter Jackson, e o resto, como se diz, é história.

História que você confere agora em cinco grandes trabalhos da atriz – e um que mostra que ela estava mesmo a fim de umas férias.

kate winslet almas gêmeas

5. Almas Gêmeas (1994)

Esse foi o teste decisivo da carreira da atriz. Um papel denso, emocional, uma história de mistério e assassinato, e o diretor Peter Jackson – então, despontando como uma grande promessa do cinema independente. Pois Kate foi lá, decidiu que iria ganhar a vaga e pegou o papel, disputado a tapa por 175 garotas.

Embora não seja um grande filme, e Kate fosse muito mais longe, todas as qualidades mais admiráveis do seu trabalho estão lá – a entrega aos papéis, o carisma, o naturalismo na interpretação. Quem viu percebeu logo – como o Festival de Berlim, que premiou Kate com o Urso de Ouro: lá estava o projeto de uma grande atriz.

kate winslet titanic

4. Titanic (1997)

Apenas três anos e muito trabalho duro depois, Winslet encarou aquele que considera o seu papel mais difícil até hoje: a sofrida Rose, de Titanic.

Como protagonista da superprodução mais cara da história até então, com um dos diretores mais exigentes e neuróticos da indústria (James Cameron), tendo de viver durante 9 meses num set construído sobre um tanque de água gelada e ainda por cima lutando contra uma pneumonia (pela qual precisou acionar a justiça para ter direito a uma semana de descanso), o Oscar talvez seja pouco (e ela não levou!!!).

Mas nada disso valeria o comentário aqui se não fosse o trabalho brilhante da atriz, que eleva um papel romântico convencional pela riqueza de seus gestos e olhares, que revelam mais sobre a vida interior da personagem do que todos os diálogos da história.

Ah, e Titanic é, sim, um dos grandes filmes do cinema.

brilho eterno de uma mente sem lembranças kate winslet

3. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004)

Já estabelecida no meio, mas à procura de novos desafios, Kate resolveu embarcar na viagem onírica (talvez esteja mais pra pesadelo) do diretor Michel Gondry.

Mesmo com uma das maiores interpretações da carreira de Jim Carrey, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças só daria certo se tivesse um par à altura pra justificar a jornada do protagonista, que tenta (literalmente) apagar da memória a sua grande paixão. Kate, claro, estava mais do que à altura – sua Clementine é divertida, carinhosa, comovente, confusa, melancólica, tumultuada, uma vida inteira de contradições, que a tornam tão humana e tão apaixonante. E provam, mais uma vez, o talento avassalador da atriz. Indicado ao Oscar.

pecados íntimos kate winslet

2. Pecados Íntimos (2006)

Embora seja uma atriz versátil, capaz de enfrentar todos os gêneros (suas participações em humorísticos da TV, como o Saturday Night Live, mostram que Winslet também poderia brilhar na comédia se quisesse), a especialidade da britânica são os dramas, especialmente no papel de mulheres solitárias. Sua atuação como a infeliz e infiel dona de casa Sarah Pierce em Pecados Íntimos foi mais um trabalho decisivo nessa seara. Embora não seja um grande filme, a força do elenco liderado por Kate eleva a história acima do dramalhão. E a atriz reafirma o despudor e a entrega total aos papéis, ao encarar as tórridas cenas de nudez e sexo com Patrick Wilson. Mais uma indicação ao Oscar.

1. Foi Apenas um Sonho (2008)

2009 foi o ano das premiações para Kate Winslet. Com 18 filmes na bagagem desde aquele longínquo 1994, e já dona de um status comparável ao de Meryl Streep, pela riqueza e consistência de suas atuações, a atriz chegaria ao auge com dois trabalhos memoráveis num único ano.

Em O Leitor, Kate viveria Hanna Schmitz, uma mulher simplória que inicia um garoto nos mistérios do sexo, mas esconde um passado pra lá de sombrio na Alemanha nazista.

Já em Foi Apenas um Sonho, ela retoma a parceria com Leonardo DiCaprio para dar vida a April Wheeler, uma dona de casa profundamente infeliz, que sonha com uma vida menos sufocante, menos conservadora que a da cidadezinha onde vive, nos anos 50.

A grandeza de Winslet se revela nesses dois trabalhos excepcionais, que elevam tramas irregulares a alturas insuspeitas. Embora tenha sido O Leitor que deu o tão aguardado Oscar à atriz, foi Foi Apenas um Sonho que marcou o auge de sua carreira: com um roteiro melhor, o filme entrega um papel mais complexo, e Winslet se esbalda, com toda a carga de nuances, olhares, gestos e a absurda convicção que ela consegue emprestar até a seus menores trabalhos. Não perca.

O pior:

o amor não tira férias kate winsletO Amor Não Tira Férias (2005)

Com todo o talento e dedicação naturais da atriz, é impossível acusar Kate Winslet de ter sido preguiçosa ou complacente em seus trabalhos. Mas a escolha de um roteiro tão chinfrim quanto O Amor Não Tira Férias mostra que ela também precisa de um descanso de vez em quando.

Com um bom elenco – Jude Law, Jack Black, Cameron Diaz –, embora ninguém esteja em seu melhor momento, o filme é uma aula de todos os clichês que marcam as comédias românticas, um gênero que, por si, já não prima pela originalidade, então imaginem.

Pelo menos Amor serve pra mostrar a diferença entre uma atriz esforçada e uma grande atriz: Diaz e Winslet dão aqui a medida exata do quanto são capazes em suas interpretações, e a primeira perde de longe. Ou seja, Kate Winslet, mesmo quando é ruim, é boa.

kate winslet

P.S.: se você, como eu, é fã de Kate, não perca outros bons trabalhos da atriz:

  • Razão e Sensibilidade (1995)
  • Contos Proibidos do Marquês de Sade (2000)
  • Iris (2001)
  • Em Busca da Terra do Nunca (2004)
  • Deus da Carnificina (2011)

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