O Festival Olhar do Norte 2020 consagrou o cinema paraense na cerimônia de premiação na noite desta segunda-feira (7), realizada no canal do Cine Set no YouTube. O documentário “Ari y Yo” venceu três categorias da mostra competitiva Norte: Melhor Filme do Júri Oficial, Melhor Direção para Adriana de Faria e Prêmio de Atuação para Arislay. 

O curta-metragem acompanha a história de Adriana, uma brasileira aspirante a cineasta, que viaja a Cuba para estudar documentário na famosa Escuela Internacional de Cine y TV. Sem saber falar espanhol, ela encontra Arislay, uma esperta e corajosa garota de nove anos, que vive no pequeno Pueblo Textil, um povoado abandonado pelo tempo. É ali – no campo, em uma caverna, ao lado de bichos e das amigas – que Ari ensina as novas palavras a estudante, que faz um filme enquanto aprende. Pronta para a entrevista, Adriana decide ensinar a Ari palavras em português. 

Além de “Ari y Yo”, o paraense “Raimundo Quintela – O Caçador Vira Porco” ganhou Melhor Som com Luciano Mourão, Arleson Barros e Robson Fonseca, Direção de Arte com Jeff Cecim, e Direção de Fotografia com André Mardock. 

“Ratoeira” foi o filme amazonense com mais prêmios ao vencer Prêmio de Atuação com Thayná Liartes e Melhor Montagem. Já o diretor e roteirista estreante Gabriel Bravo de Lima venceu o prêmio de Roteiro por “No Dia Seguinte Ninguém Morreu”. O júri popular ficou com “Jackselene”, de Maria Yole Bezerra, curta produzido pelo curso Cineastas em Formação do Casarão de Ideias. 

Já na Mostra Olhar da Pandemia quem venceu foi o paraibano “Isolamento Rural”. O filme trata da experiência do isolamento social na zona rural, tendo-se na observação do cotidiano de uma família de agricultores que vive no Assentamento Maria da Penha II, localizado na cidade de Alagoa Grande – PB. Assim, acompanhamos Maria Irece (63 anos) e seu marido Cristóvão (68 anos) que compartilham como suas vidas foram afetadas por causa do coronavírus. O júri popular ficou com “A Quarentena de Gertudres”, de Shaynna Pidori. 

LISTA COMPLETA DE VENCEDORES:

MOSTRA NORTE

FILME: Ari y yo

DIREÇÃO: Adriana de Faria (Ari y yo)

ATUAÇÃO: Thayná Liartes (Ratoeira) e Ari (Ari e yo)

ROTEIRO: Gabriel Bravo de Lima (O dia seguinte, ninguém morreu)

FOTO: André Mardock (Raimundo Quintela – O caçador de vira porco)

MONTAGEM: Romulo Sousa (Ratoeira)

ARTE: Jeff Cecim (Raimundo Quintela – O caçador de vira porco)

SOM: Luciano Mourão, Arleson Barros e Robson Fonseca (Raimundo Quintela – O caçador de vira porco)

JÚRI POPULAR: Jackselene

MOSTRA OLHAR DA PANDEMIA

Filme: Isolamento Rural

Júri Popular: A Quarentena de Gertrudes

‘3×4’: na simplicidade, a imensidão dos sentimentos

“3×4” marca ótima estreia de Juliana Tizatto na direção e roteiro a partir de grandes atuações de Andira Angeli e Isabela Catão.

‘Tarde Dentro da Tarde’: um rio de lugares comuns

Já que o rio sempre teve especial destaque nos filmes de Rafael Ramos, Tarde Dentro da Tarde talvez seja apenas um caso de leve maré baixa.

‘Jamary’: fantasia amazônica perdida em sucessão de problemas

Do básico do plano-contraplano a uma história sem rumo, Jamary, de Begê Muniz, se mostra uma grande confusão.

‘Empresário do 3o Mundo’: discurso supera cinema em documentário confuso

“Empresário do Terceiro Mundo” tinha um material interessante para trabalhar, no entanto falha ao ter escolhas técnicas que não melhoram o olhar sobre ele.

‘Terruá Pará’ e ‘A Pele do Ouro’ são os grandes vencedores do Festival Olhar do Norte 2026

A produção paraense comandada por Jorane Castro venceu a inédita categoria de longas-metragens pelo júri oficial e também o júri jovem.

‘Maira Porongyta — O Aviso do Céu’: curta transforma a encenação de um mito em cinema

O grande mérito de ‘Maira Porongyta — O Aviso do Céu’ é transpor a barreira entre o “mito” e o concreto — na verdade, demoli-la.

‘Crescente’: curta paraense foca naquilo que as palavras não dão conta

Dirigido por Maurício Moraes, o curta paraense Crescente aposta nas elipses como forma de sublimar o interdito.

‘A Pele do Ouro’: violência desmascarada com poesia

A Pele do Ouro desmascara a violência como uma poesia angustiante, mergulhada em reflexões profundas advindas de uma protagonista devastada.

‘Memória de Elefante’: memórias que persistem, mas nem sempre se encontram

O que seria mais insólito de se ver no interior de pleno Cerrado mato-grossense: um santuário de elefantes? Dois meninos adolescentes descobrindo o amor e a sexualidade? Ou uma mulher de meia-idade envolvida com um homem mais novo? Em “Memória de Elefante”, as...

‘Poronga’: desejo febril na floresta amazônica

Dirigido por Rafael Rogante, “Poronga” é um bom retrato sobre corpo, fé e repressão, e que deixa um gosto de quero mais.