O esporte sempre é um tema interessante de ser explorado na tela grande. Na ficção, rendeu grandes filmes. Quando o assunto é documentário, pode-se dizer que as agruras, lesões, confusões e títulos do atleta profissional também foram bem aproveitadas. Infelizmente, esse não é o caso de “Ouro, Suor e Lágrimas”, filme de Helena Sroulevitch que conta a história da geração mais vitoriosa do vôlei brasileiro – e, por que não dizer, do esporte nacional?

O filme acompanha os treinamentos das seleções masculina e feminina de vôlei antes das Olimpíadas de Londres em 2012, ao mesmo passo em que lembra os momentos que montaram os dois times vitoriosos. No entanto, a produção peca ao não contextualizar quem não acompanha tanto o mundo do vôlei. Já vemos Bernardinho e José Roberto Guimarães no comando das duas seleções – com uma explicação rápida e gaguejada do ex-presidente da CBV sobre a escolha dos dois -, mas não entendemos o porquê eles mudaram tanto a forma de trabalhar dos times.

Não vemos, por exemplo, que a loucura por treino de Bernardinho era tão grande que, em determinado momento, ele fez a seleção jogar em um estacionamento de hotel, porque as quadras estavam fechadas naquele dia. E a debandada de jogadoras importantes da seleção feminina em 2002? No ano seguinte, José Roberto entrou para arrumar a casa, mas isso é pincelado de forma tão rápida que não dá pra saber nem quando o treinador assumiu a seleção.

O documentário não foge das polêmicas como o corte de Ricardinho (apesar de não entendermos bem como o levantador conseguiu voltar para o time anos depois) e a briga entre José Roberto e Bernardinho. Claro que é difícil condensar tudo em um filme de 1 hora e meia, mas a montagem é bastante irregular.

Infelizmente, a seleção feminina fica um pouco de lado e vemos apenas que elas foram estigmatizadas como “amarelonas”. Não vemos as brigas dos times, os cortes de Mari, a lesão que quase deixou Jaqueline em uma cadeira de rodas e, mais importante, o papel da psicóloga contratada (e paga do próprio bolso) por José Roberto para botar a equipe feminina definitivamente nos eixos (o resultado foi uma campanha olímpica brilhante em 2008, também passada rapidamente). Em tempos de discussão sobre o destempero emocional dos jogadores de futebol na Copa do ano passado, seria um tópico bem interessante.

O filme termina em um triste ‘deus ex-machina’ que não sintetiza em nada a grandeza desses dois times. Uma pena, porque as conquistas do vôlei brasileiro mereciam mais.

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