Toda vez que é lançada uma nova versão de algum filme famoso eu me pergunto se irá valer a pena. “Zumbilândia – Atire Duas Vezes”, já adiantando bastante, é totalmente desnecessário. Parece haver uma cultura em Hollywood onde as pessoas devem ganhar mais pontos ao resolver dar novo fôlego para um produto que não necessitava de uma sequência do que investir em algo essencialmente original.

Em 2009, quando o primeiro “Zumbilândia” foi lançado, havia uma febre por zumbis que levava tanto os games, filmes e, depois séries de televisão, a investir neste nicho. E nesse bolo, ainda que utilizasse uma fórmula extremamente batida, a produção conseguia se destacar, ficando em um meio termo: não era tão original quanto “Todo Mundo Quase Morto” (20004) de Edgar Wright, mas também não era de todo um clichê ambulante.

A história narrada por Columbus (Jesse Eisenberg) e a sua paranoia em criar uma espécie de ordem para um mundo caótico conseguia criar um contraste amigável. Porém, isso foi em 2009. O novo capítulo do filme não consegue trazer uma explicação no mínimo plausível para sua história, buscando investir em trivialidades e piadas com o seu próprio universo para tentar levar o mínimo de sorrisos possíveis para seus espectadores.

PARA ONDE A HISTÓRIA VAI MESMO?

“Zumbilândia – Atire Duas Vezes” já começa apresentando um cenário de aparente normalidade quando o grupo formado por Columbus, Wichita (Emma Stone), Tallahassee (Woody Harrelson) e Little Rock (Abigail Breslin) chegam na Casa Branca e decidem “morar” ali. Utilizando um ritmo de montagem extremamente atropelado, as piadas tentam surgir do texto do trio de roteiristas Dave Callaham, Rhett Reese e Paul Wernick, porém não consegue levar todo o seu potencial para cena. Isso é visível em uma discussão entre Wichita e Columbus quando eles sugerem que é melhor tampar os olhos de um quadro de Abraham Lincoln porque é assustador, mas o que se vê é apenas uma sucessão de cortes de primeiro plano dos personagens.

Além da montagem, o roteiro é extremamente falho, tentando se sustentar em momentos que simplesmente não levam a lugar nenhum, deixando uma sensação de que os roteiristas tentam fechar o mínimo de 90 minutos de duração a qualquer custo. Quando resolvem parar e tentar conseguir um ônibus para seguir viagem, os quatro acabam sendo atacados por zumbis, criando uma sequência de confronto entre os dois lados. Tudo pra quê? Gerar uma piada do pneu do ônibus estourar após terem vencido o inimigo.

E esse tipo de situação se repete por todo o filme. Pior que isso somente as constantes mudanças de humor dos personagens que hora amam alguém para, dois minutos depois, já ficarem com outro. Entendo que seja apenas um filme de comédia com zumbis e armas, porém, se você decide perder tempo dentro da história para tentar criar algum tipo de romance e drama, ao menos, tente levar isso a cabo para o resto do filme. Ao final, fica difícil entender a real motivação dos personagens. Eles terminam decidindo fazer algo não porque aprenderam durante o filme, mas porque os roteiristas simplesmente decidiram que seria isso a partir deste ponto.

SEM NECESSIDADE DE EXISTIR

Todos esses momentos refletem um aparente descaso em querer realmente criar uma sequência para o filme. Talvez a ideia de trazer um novo “Zumbilândia” dez anos após o lançamento do original soasse bem na cabeça de quem pensou isso, porém, faltou a substância para dar corpo a este conceito.

Isso se reflete bastante nas atuações que estão até boas, porém, nada demais. Não existe um desafio para Emma Stone e Woody Harrelson aqui: apenas trabalhar em suas próprias personas já estabelecidas no filme anterior. Aliás, novos ares fariam muito bem para Eisenberg, pois, parece que ele vive o mesmo personagem por, pelo menos, dez anos. Já Abigail Breslin nos poucos momentos em que aparece permanece simplesmente apática. Talvez mais pelo personagem que lhe foi dada do que por falta de talento.

“Zumbilândia” foi um filme interessante dez anos atrás; “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” não consegue nem chegar perto disso. Por mais que soe como uma ideia interessante, o longa não consegue se sustentar nem pelo seu roteiro, nem pelo seu conceito. As regras que são exibidas durante a projeção, e os constantes insertes de “Melhor Morte do Ano” somente atrasam um filme que poderia sim trazer algum critério mais atraente em sua construção. No entanto, o filme prefere ficar preso em suas próprias amarras do que buscar algo essencialmente novo.

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