Caio Pimenta

Diretor do Passado: Francis Ford Coppola

A tentação de colocar Stanley Kubrick, Billy Wilder, Charlie Chaplin ou Alfred Hitchcock foi grande. Porém, poucos cineastas conseguiram fazer tantas obras-primas com a intensidade de definir uma época como Francis Ford Coppola. Ser considerado o líder de uma turma de nomes como Martin Scorsese, Steven Spielberg, Roman Polanski, Brian de Palma já mostra a importância desse mestre. Obras-primas como “Apocalpyse Now” e a trilogia “O Poderoso Chefão”, além do desconhecido “A Conversação”, explicam a genialidade do cineasta. Problemas de saúde o impediram de seguir no ritmo dos anos 70, se limitando hoje a pequenas obras. Mesmo assim, nunca deixará de ser grande.

Diretor Atual: Lars Von Trier

Pensei em Paul Greengrass, Michael Haneke, Terrence Malick, Christopher Nolan. Só que Von Trier consegue em todas as suas obras uma mistura de originalidade, provocação e filosofia raras nos dias de hoje. Assistir um filme do dinamarquês exercita a mente em períodos cada vez mais escassos de criatividade. “Dogville” continua sendo o ponto alto da carreira, mas, não há como deixar de admirar os excelentes “Melancolia” e “O Anticristo”, além do recente e bom “Ninfomaníaca”.

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Diego Bauer

Diretor do Passado: Stanley Kubrick

Na categoria de “diretores do passado”, decidi escolher um que já tivesse morrido, pois assim se poderia ter um olhar completo sobre a sua obra. É até possível que outros cineastas tenham um currículo de maior profundidade humana, como um Bergman ou Cassavettes, mas com certeza, Kubrick foi o que esteve mais próximo de minha vida de cinéfilo, e talvez aquele que mais tenha me chocado com seus filmes. Juro que não consigo entender como certas pessoas dizem que Kubrick é um diretor que, pelo seu rigor estético, é demasiado técnico e/ou negligenciava a questão humana em seus trabalhos. Acredito que os seus filmes são o extremo oposto disso, lançam um olhar curioso sobre as complexidades e incoerência das pessoas. Como o extremamente humanista Glória Feita de Sangue, os viscerais Laranja Mecânica e Nascido Para Matar, os fantásticos estudos de personagem de Barry Lyndon, O Iluminado e De Olhos Bem Fechados, e o… transcendental 2001: Uma Odisseia no Espaço, um filme que vai além do cinema. Um diretor inigualável, que com sua visão única nos despertou sensações inesquecíveis.

Diretor Atual: Steve McQueen

Logo de cara pensei em James Gray e Asghar Farhadi, mas ambos não são de agora, já estão fazendo filmes há bastante tempo. Então o terreno ficou aberto para Steve McQueen, que mesmo que já tenha uma série de curtas-metragens na carreira, apenas em 2008 lançou o seu primeiro longa. Artista no termo literal, McQueen é um cineasta da crueza, da verdade incômoda, da beleza no cruel, dos personagens de verdade, com conflitos de verdade, num mundo inacreditavelmente real. Em Hunger e Shame, o diretor nos incomoda por ter a coragem de mostrar seus personagens da maneira que eles são, e usar a câmera como um artifício revelador, que não mostra coisas pela metade. Mas em 12 Anos de Escravidão tudo vai muito mais além. A seriedade e relevância do tema casaram perfeitamente com o estilo do diretor, que nos apresenta um filme obrigatório, duríssimo, mas esplendoroso como cinema e brilhantemente dirigido. Steve McQueen é um nome que já ficou no cenário internacional. É jovem, talentoso, sensível, e promete muito para o restante da sua carreira.

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Ivanildo Pereira

Diretor do Passado: Stanley Kubrick

Para mim, não há dúvida a respeito de quem é o meu cineasta favorito do passado. Existem os gênios do cinema (caras como Hitchcock, Bergman, Kurosawa e alguns outros), e existe Stanley Kubrick. Ele está à parte, é um caso único. Aprendeu por si próprio: seu pai lhe deu de presente uma câmera e ele começou a experimentar com fotografias. Uma delas lhe rendeu emprego na revista Life. Depois, começou a produzir seus primeiros curtas, de novo pelo próprio esforço. E então vieram seus longas, todos bem diferentes entre si e nos quais ele demonstrou sua visão de mundo absolutamente “alienígena”, por assim dizer. Convenções narrativas e de gênero não eram nada para Kubrick, e ele sempre desafiava o espectador. Pense bem: Se Kubrick não tivesse virado cineasta, não existiriam filmes como Glória Feita de Sangue (1957), 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) ou Laranja Mecânica (1971). Ou pelo menos, não da forma como Kubrick os fez. Nas mãos de outro, 2001 podia ser só mais um filme de aventura com extraterrestres, ou O Iluminado (1980) seria só mais um filme de casa assombrada. Sem esses filmes, o mundo seria um lugar pior.

Diretor Atual: Joel e Ethan Coen

Escolher o diretor favorito atual foi mais difícil. Sou grande admirador do cinema de diretores como Paul Thomas Anderson, David Fincher, Quentin Tarantino e Paul Greengrass, e caras mais antigos como Martin Scorsese, Terrence Malick e Lars von Trier ainda estão em grande forma. Isso sem contar cineastas novos e de imenso talento como Wes Anderson, Edgar Wright, Steve McQueen, Jason Reitman, Nicolas Winding Refn… Porém, tem uma dupla de cineastas que possui uma sensibilidade muito incomum, e embora tenham começado a carreira há algum tempo, eles parecem estar fazendo alguns dos seus melhores trabalhos nos últimos anos – são os irmãos Joel e Ethan Coen. Afinal, nos últimos anos eles lançaram “apenas” Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), Um Homem Sério (2009) e Bravura Indômita (2010) – três obras-primas, em minha opinião – com a divertida comédia Queime Depois de Ler (2008) no meio. Aliás, eles lançaram Queime logo depois de terem ganhado o Oscar, indicando que o cinema deles não mudaria em nada apesar do prêmio.  O cinema dos Coen, embora seja feito de peças de filmes do passado, não se parece com nada que se vê por aí, ainda mais atualmente. O humor é único, os personagens inesquecíveis, e a humanidade é sempre vista com um misto de ironia e fascinação. Por isso, é uma pena que o filme mais recente da dupla, Inside Llewin Davis: Balada de um Homem Comum (2013) não tenha dado as caras nos cinemas de Manaus, porque parece ser outra beleza de filme.

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Renildo Rodrigues

Diretor do Passado: Stanley Kubrick

Como qualquer cinéfilo, minha lista dos “maiores” do cinema é enorme – e a escolha, quase sempre, decidida por aquele que eu assisti há menos tempo. Mas não neste caso.

Stanley Kubrick tem a distinção de ser o cara que me “atraiu” para o cinema. Não foi o primeiro diretor que eu admirei – hail, Scorsese! – mas foi o primeiro diretor que me comoveu a ponto de eu querer conhecer toda a sua filmografia.

E eu consegui. Um a um (e sem downloads!), vi cada filme feito por Stanley Kubrick disponível no país (se vocês tiverem paciência e vontade, não necessariamente nessa ordem, os três primeiros trabalhos do diretor a ganharem distribuição em Hollywood – A Morte Passou por Perto, O Grande Golpe e Glória Feita de Sangue – foram lançados em uma rara edição nacional).

Não vou falar sobre os filmes – se você é cinéfilo, os nomes falam por si: Dr. Fantástico, 2001: Uma Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica, Barry Lyndon, O Iluminado, Nascido para Matar –, mas posso dizer que, tantos anos depois, poucas obras mexeram tanto comigo quando Lyndon ou Laranja – aliás, ainda mexem.

Diretor Atual: Woody Allen

Woody Allen, atual?, dirá você. Pois meu critério para este post foi: se está vivo e fazendo filmes, então é atual.

Dei a sorte, então, de poder incluir os meus dois diretores favoritos neste texto. Allen é um mestre do cinema há tanto tempo que seus filmes já não se medem por bons ou ruins – tal como Chico Buarque na música, ou Philip Roth na literatura, os trabalhos de Allen podem ser melhores ou piores, mas não ruins. Se você acha que estou exagerando, é só lembrar alguns dos seus filmes recentes – Blue Jasmine, Meia-Noite em Paris, Vicky Cristina Barcelona, O Sonho de Cassandra. Ou um pouco mais antigos: Poucas e Boas, Desconstruindo Harry, Todos Dizem Eu te Amo. Mais antigos? Maridos e Esposas, Crimes e Pecados, A Era do Rádio.  Pois é…

Com um domínio raro da imagem e das palavras, Woody Allen é um deleite para quem aprecia a inteligência na Sétima Arte – e, a julgar pela recepção do público a seus últimos filmes, parece que esta não é uma espécie extinta. Ainda bem.

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Susy Freitas

Diretor do Passado: François Truffaut

Difícil escolher apenas um favorito dentre os hoje considerados “grandes diretores”, aqueles com filmografias bem estabelecidas para os amantes do cinema. Apesar de nomes como Federico Fellini e Stanley Kubrick emergirem imediatamente da memória, seleciono para essa lista o francês François Truffaut.

Desde seu longa-metragem de estreia, “Os incompreendidos” (1958), ele apresenta obras bem construídas, profundas, que reverberam no emocional do público. No entanto, ao contrário de um Kubrick ou um Fellini, que exigem do espectador um maior esforço por conta dos formatos mais arrojados de suas obras, os filmes de Truffaut possuem uma estrutura de fácil assimilação para quem os assiste, e isso sem nunca resultarem simplórios. “Jules e Jim” (1962), “A sereia do Mississipi” (1969) ou “As duas inglesas e o amor” (1971) são alguns exemplos básicos dessa característica.

Mesmo com as ousadias na montagem e apresentação de temáticas observadas na Nouvelle Vague, movimento cinematográfico ao qual o francês é associado, seus filmes sempre passam uma sensação de grande proximidade emocional, como se assistíssemos a um filme que já vimos antes, e que ainda é tão bom como na primeira vez. Vai que ver minha lembrança de infância de esperar a madrugada para assistir a “A noite americana” (1973) no Corujão tenha algo a ver com essa sensação…

Diretor Atual: Kléber Mendonça Filho

Dentre os diretores em plena atividade hoje, Kleber Mendonça Filho garante que não seja tão fácil assim que uma lista como essa esqueça a “prata da casa”. Ainda na época da realização do bizarríssimo curta “Vinil Verde” (2004), do curioso “Recife frio” (2009) e mesmo do convencional documentário “Crítico” (2008), percebia-se em seus filmes um senso de forte identidade como diretor, algo diferente e original não só enquanto realizador isolado, mas no contexto do cinema brasileiro como um todo.

Tal como o já citado Truffaut, Kleber também atuou como crítico de cinema, o que provavelmente lhe deu embasamento e um senso de reflexão específico e muito bem aproveitado enquanto diretor. A prova desse diferencial é o seu primeiro longa-metragem de ficção, “O som ao redor” (2012), um dos melhores filmes nacionais das últimas décadas. Ainda que com uma filmografia pequenina, Kleber Mendonça Filho já dá motivos para figurar numa lista de favoritos de muitos cinéfilos.

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