Só porque os filmes da trilogia ‘Cinquenta Tons de Cinza’ tiveram seu fim, não significa que o rastro de romance e breguice tenha acabado e ‘Do Jeito que Elas Querem’ prova exatamente isso. A trama apresenta quatro amigas com mais de 60 anos que continuam a amizade por meio de um clube do livro, quando a obra da vez é o romance erótico de E.L James, as quatro passam a reavaliar suas respectivas vidas românticas.

Mais uma vez na indústria do cinema, o elenco com grandes estrelas chama atenção e, com méritos do roteiro, também diverte. Neste quesito, o longa se torna bem sucedido, o elenco funciona quando o objetivo da cena é divertir e mostrar a interação entre as quatro amigas. Porém, quando isoladas, as personagens deixam bastante a desejar, resultado da uma história que não consegue sustentar seu objetivo.

Mesmo com o protagonismo assumido de Diane (Diane Keaton), todas as amigas conseguem ser vistas de forma significativa para o filme, avançando em suas tramas. A personagem Carol (Mary Steenburgen) é a única casada das quatro, o que não significa a presence de um bom relacionamento. Vivian (Jane Fonda) e Sharon (Candice Bergen) ficam no clichê feminino de que mulheres bem sucedidas no trabalho não conseguem administrar bem a vida pessoal, o que acaba se tornando um grande defeito no filme.

Ao denominar suas  protagonistas como mulheres fortes e independentes, o filme acaba cometendo um grande equívoco. Basicamente, todos os problemas da trama estão relacionados ao romance e a família, mesmo mostrando que as personagens vão além desses dois núcleos, nenhum tipo de problemática vai além dessa fronteira. Na verdade, esse objetivo de mostrar a vida feminina girando em torno dos homens acontece desde a apresentação das personagens, voltando a se repetir várias vezes.

No quesito amoroso, que o filme tanto insiste, nada além de clichês são notados: o amor de infância que ressurge, o marido tedioso, o ex-marido que fica noivo e o desconhecido rico, educado e romântico. Acaba sendo uma trama adolescente com protagonistas mais velhas, inclusive, ironia que relembra o fatídico “50 tons”, uma trama para o público mais novo que adiciona maturidade.

Apesar do filme mostrar quatro mulheres redescobrindo o amor independente de idade, as escolhas dos pares românticos e a própria construção de personagens traem a proposta. Sem falar em algumas situações absurdas, de desculpas esfarrapadas sendo aceitas para que a história continue, de inúmeras facilidades na vida das protagonistas e, claro, um final feliz para todas.

Mesmo sem grandes pretensões, o filme poderia ter se arriscado mais em diversos aspectos. O timing e algumas piadas funcionam, principalmente quando o assunto é zoar o livro que motiva a trama, mas não são suficientes para salvar todo resto que resulta em um filme esquecível e grande demais para 1h30.

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