Davi (Nicolas Prattes) é um rapaz pacato, solteiro, morador solitário em um apartamento. Antes fosse apenas um jovem tímido e esquisito vítima de bullying na faculdade: Davi tem um passado macabro e filma os assassinatos que comete por hobby.

Com esta premissa, “O Segredo de Davi”, poderia ser um interessante estudo de personagem ou até mesmo um suspense, porém, acaba escorregando feio em suas pretensões. O diretor estreante Diego Freitas erra a mão em referências, diálogos bizarros e situações absurdas, além de simbolismos bobos – o branco, por exemplo, aqui é o disfarce para o mal.

O que pode ainda ser defendido no filme é sua estética: o design de produção e fotografia aproveitam que o protagonista faz faculdade de cinema e aplicam ao seu dia-a-dia. Seja Davi fotografando o colega em um local com a iluminação ideal, ou na interessante transição de cena em que a sala de aula se transforma em uma festa.

Mas que pena que as qualidades fiquem só aí. O roteiro do próprio Diego Freitas é uma bagunça só: além dos já citados acima, o vai e vem de personagens é uma constante. A atriz Chris Vianna que interpreta uma investigadora, surge do nada – pensei até que fosse uma figurante de luxo – passa o filme praticamente todo calada até que no fim banca a “Xeroque Rolmes”. Um contrassenso absoluto.

Os amigos de Davi aparecem na mesma velocidade que somem. E quando ele tem uma conversa com um deles sobre uma pessoa ser sua “melhor amiga”, você não acredita simplesmente por não ter intimidade alguma até ali. Sobre o restante do elenco, há bons atores como, por exemplo, Neusa Maria Faro, mas nada podem fazer com material tão medíocre. Quem sofre mais com isso é Bianca Muller: a personagem dela protagoniza, sem dúvida, a cena mais bizarra de 2018 ao ser convidada pelo protagonista para um local mórbido em um horário cabalístico.

Protagonista da novela das sete, “O Tempo Não Para”, Nicolas Prattes, sofre bastante nas mãos de um diretor que sequer parece saber o que está fazendo com ele. Por fim, o prego do caixão é a confusa trama principal sobre o passado do protagonista: com certeza vai deixar muita gente sem entender nada. No fim, você não se importa com ninguém e com nada.

O resultado é pavoroso e um dos piores que vi esse ano. Fico ainda com A Casa que Jack Construiu.

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