A conquista de Guillermo Del Toro no Oscar de Melhor Direção neste ano por “A Forma da Água” representa o domínio completo mexicano na categoria. Esta foi a quarta estatueta nos últimos cinco anos: Alejandro González Iñarritu venceu duas vezes por “Birdman” e “O Regresso”, enquanto Alfonso Cuáron levou por “Gravidade”.

A vitória de Del Toro acontece em um momento de retrocesso nos EUA quanto à política de imigrantes e na própria relação do país com o México. Se Donald Trump enxerga a nação latina como um dos frutos da violência americana pelas drogas, Hollywood celebra a ida de estrangeiros para dar um novo gás aos filmes. O trio Del Toro-Cuáron-Iñarritu abriu portas para a chegada do brasileiro José Padilha, do argentino Juan José Campanella, do chileno Pablo Larraín e tantos outros da região para se aventurarem na indústria mais popular do cinema.

Se Cuáron e Iñarritu adotam uma postura mais realista e séria, Guillermo Del Toro trabalha no campo da fantasia para criar fábulas para tocar em assuntos delicados. Intolerância e respeito à diversidade fazem parte de “A Forma da Água” tanto quanto o amor ao cinema, especialmente, de ficção científica com homenagens ao clássico “O Monstro da Lagoa Negra”.

Oscar merecido!

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