É bastante comum vermos em cartazes de filmes que fizeram sucesso de público e crítica, citações de críticos de cinema com frases como, “o melhor filme do ano”, “um marco do cinema”, “um filme impactante”, etc e etc. Claro que muitas vezes essas frases são compradas ou bastante exageradas, não chegando nem perto de corresponder a verdade, pois com a demanda de filmes de todos os gêneros que são lançados anualmente é quase uma irresponsabilidade soltar essas frases de efeito, evidenciando que, em muitos dos casos, não se fez um estudo aprofundado pra se dizer uma coisa dessas.

Pois bem, em 2009 um filme despontou com o tão alardeado título de A comédia do ano. Se Beber, Não Case fez muito sucesso, e beneficiado ou não pelo tal título ganhou grande reconhecimento, lançou para o estrelato nomes como Bradley Cooper e Zach Galifianakis, tornou conhecido o seu diretor, Todd Philips, e pasmem! Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Comédia ou Musical!

Tudo isso significa que trata-se de um grande filme? Não necessariamente.

Apesar de ser bastante eficiente, apresentar situações divertidas e uma química muito interessante entre os seus protagonistas, olhando pra trás fica mais possível reconhecer que Se Beber apesar de ser um bom filme, foi um pouco superestimado.

Hoje em dia, com o mercado tão viciado como está, um filme nem precisa fazer muito sucesso para que o estúdio já engatilhe continuações. Imagina com o sucesso que este longa fez…

O segundo filme veio, e demonstrou uma preocupante falta de criatividade, repetindo descaradamente a trama do primeiro trabalho, dando provas claras de que apesar de o primeiro filme ter boas sacadas, elas, por si só, não bancavam continuações. Porém, no mercado do cinema, o que primordialmente importa para os estúdios é dinheiro no bolso, e como o longa fez sucesso de público, é um negócio certeiro investir em um terceiro filme.

E ele veio pra afundar de vez a série, que já dava sinais de desgaste e falta de criatividade, e que aqui chegou com força no fundo do poço.

Depois de chegar em um estado insustentável, a família de Alan (Zach Galifianakis) decide interná-lo em uma instituição para tratá-lo de seus problemas psicológicos, mas para isso pede a ajuda dos amigos, Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms) e Doug (Justin Bartha). Quando estão a caminho do tal lugar, eles são interceptados pelo mafioso Marshall (John Goodman), que exige que eles encontrem Chow (Ken Jeong), pois o traficante roubou milhões de dólares em barras de ouro dele. Para garantir que eles cumpram o acordo, o grupo de Marshall sequestra Doug, e diz que só o soltará quando o dinheiro for encontrado.

Depois de uma evidente cópia que o segundo filme faz do primeiro, este trabalho até que tenta criar uma nova história, ao fugir da ideia da ressaca em que todos esquecem o que fizeram na noite passada. Mas mesmo assim não tem o menor pudor de repetir situações e investir em piadas com estilo idêntico aos dos filmes anteriores, causando apenas uma ininterrupta sensação de piada repetida.

As piadas perderam o genuíno non sense do primeiro filme, não têm a menor criatividade, imprimindo situações forçadas, investindo no exagero, implorando desesperadamente para que a plateia ria.

Isso fica claro no personagem de Galifianakis. A força motriz do primeiro filme, já se desgastou com o fraco Um Parto de Viagem (2010), no qual faz o mesmo personagem de Se Beber. Soou forçado no segundo filme, e neste terceiro capítulo adquiriu um tom insuportável. Tornou-se irritante e inverossímil, exagerando em todas as tentativas de piadas, apelando pra caretas e atitudes completamente inexplicáveis, sublinhando com canetas fluorescentes o momento das gags e quando a plateia deveria rir.

É possível perceber tais momentos em cenas como quando Alan chora quando descobre que os amigos vão a clínica com ele; quando ele comunica que chegou um email, que o trio esperava ansiosamente, há vinte minutos; no momento em que ele derruba os instrumentos musicais, numa paródia tosca de Os Trapalhões; a cena do cuspe na mão; ou na absurda sequência em que Alan tira uma foto do Phil quando ele está descendo pelo lençol.

Além disso, o filme investe em piadas fraquíssimas, que demonstram uma notória falta de cuidado (e porque não, talento) com o desenrolar da trama, como na cena inicial, quando uma girafa (num CGI muito vagabundo) é atropelada; na cena dos galos; ou em todas as piadas feitas por Chow.

Confesso que o que mais me assustou foi constatar que a sala em que eu estava, ria, gargalhava de maneira entusiasmada com a sucessão de piadas repetidas, exageradas e mal desenvolvidas, fazendo com que eu ficasse em dúvida se elas estavam rindo porque não viram o primeiro filme, e todas aquelas situações são novidades pra elas, ou talvez eu estivesse num dia difícil, e não tive a presença de espírito de rir daquilo tudo, ou eu estou completamente enganado e o filme é ótimo, divertido e muito, muito engraçado.

Mas como tenho que fazer uma resenha sobre o tal filme, não posso ficar em cima do muro, e portanto, sou obrigado a seguir o que a minha consciência manda, e o que ela diz é que este é um filme pobre, sem criatividade, repetitivo, incoerente, mal realizado, e me dá uma preguiça danada.

NOTA: 3,0

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