Sem Escalas, novo suspense de ação com o ator Liam Neeson, encontra a tensão quando duas situações da vida moderna são viradas pelo avesso. Afinal, todo mundo tem, em algum grau, medo de voar e de passar a ser importunado e ameaçado via telefone celular… Apesar de alguns tropeços no roteiro, trata-se de um thriller eficiente e que solidifica o status de Neeson como novo astro de filmes de ação e chamariz de bilheteria.

Na história, Neeson vive Bill Marks, um oficial federal de voo – basicamente um policial armado que entra anônimo nos aviões e cuida da segurança dos passageiros, uma profissão que se tornou mais importante depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Marks, porém, é o típico herói de ação “atormentado pelo passado” no começo do filme. Distanciou-se de todos, está cansado e à beira do alcoolismo. Sua viagem agora é para Londres, um voo longo de seis horas ao qual ele embarca meio a contragosto.

Após os primeiros 20 minutos necessários para nos apresentar ao protagonista e a alguns dos passageiros que dividirão a viagem com ele, a trama do filme começa. Marks passa a receber, via SMS no seu celular, mensagens de alguém que aparentemente o conhece. Essa pessoa afirma que vai matar alguém dentro do avião a cada 20 minutos, a não ser que Marks consiga arranjar a transferência de 150 milhões de dólares para a conta designada pelo sujeito. Contando com o apoio de uns poucos aliados, Marks inicia sua corrida contra o tempo para evitar as mortes e localizar quem, dentro do avião, está enviando essas mensagens.

Apesar de estar basicamente confinado ao cenário do avião por quase toda a projeção, o diretor Jaume Collet-Serra – o mesmo que dirigiu Neeson noutro suspense, Desconhecido (2011) – consegue criar uma atmosfera de tensão. É uma boa sacada visual fazer com que as mensagens recebidas por Marks no seu telefone apareçam na tela – e o ruído emitido pelo celular quando elas chegam também se torna cada vez mais ameaçador, pontuando as sucessivas “contagens regressivas” da trama.

Além disso, Collet-Serra cria momentos visualmente inventivos que contribuem para deixar o filme mais dinâmico e interessante. Sua câmera em dado momento “sai” de dentro de avião por uma das janelas e entra novamente por outra, e mais ou menos no meio da projeção há um longo plano-sequência que mostra o personagem de Neeson revistando diversos passageiros – um momento que deve ter sido dificílimo de realizar, mas que compensa na tela por aumentar a tensão do longa.

Porém, por mais inventivo que seja o trabalho do cineasta, Sem Escalas não funcionaria sem a atuação intensa de Liam Neeson. Ele é tão bom no filme, e sua presença na tela tão forte, que consegue fazer o espectador acreditar nas viradas da trama e até aceitar alguns momentos meio piegas – as cenas com a menininha, por exemplo. Só com o olhar o ator nos transmite a tristeza interior do personagem nas cenas iniciais, quando ele observa as outras pessoas no aeroporto. O gênero de ação notoriamente não oferece muitas oportunidades para grandes atuações, mas Neeson consegue trazer sua experiência como intérprete dramático para esses papeis. Mesmo que suas investidas no gênero nem sempre alcancem grandes resultados, o ator ainda assim brilha.

O resto do elenco também é eficiente. Embora ninguém seja muito exigido, todos interpretam a contento seus papeis. Como a aliada de Bill Marks o filme traz ninguém menos que Julianne Moore, absolutamente simpática – mesmo ela, porém, também tem de enfrentar outro momento piegas do roteiro, sua explicação do porque sua personagem só viaja na janela…

Sem Escalas é o exemplo de filme no qual os roteiristas criam uma situação incrível e inegavelmente tensa, e depois precisam se preocupar com as motivações para ela existir. Muitos filmes assim desabam na hora das explicações, e com Sem Escalas isso quase acontece também – Quando finalmente conhecemos o vilão e descobrimos o porquê das suas ações, a explicação é meio risível e faz apenas o mínimo de sentido. Ainda bem que o filme está prestes a terminar, e Liam Neeson nos conduziu pela viagem até ali, prendendo a atenção do espectador. É divertido ver outras pessoas passando por apuros com aviões e telefones celulares – não sendo conosco, está tudo bem.

Nota: 6,5

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