O boxe sempre foi matéria-prima para gerar excelentes filmes sobre superação e vitória. A jornada do herói sempre casou muito bem com a temática e gerou duas obras-primas nos anos 1970 capazes de influenciar uma geração: “Rocky – O Lutador” e “Touro Indomável”. Em “10 Segundos Para Vencer”, José Alvarenga Jr. não poderia ser diferente e homenageia estes dois clássicos seja na fotografia em preto e branco do longa de Scorsese ou nas sequências de treino da produção de Stallone.

O longa sobre o maior boxeador brasileiro de todos os tempos, Éder Jofre, traz a origem do lutador, os dramas familiares e os valores herdados, além, claro, de como conseguiu ser campeão mundial em duas categorias – Galo e Pena. “10 Segundos Para Vencer” segue muito bem as regras de uma cinebiografia básica, o que entrega o filme a uma inevitável burocracia narrativa, incluindo, as tradicionais frases motivacionais. Mas aí entra o grande trunfo do filme: a entrega de seu elenco.

Interpretando o patriarca da família, Kid Jofre, Osmar Prado é o grande nome do elenco. Já Daniel de Oliveira empresta toda a sua vivacidade para compor um Éder que toda vez que encontra com sua criança interior é sinal de que as coisas vão correr bem. Apesar de não se entenderem em diversos momentos, pai e filho conseguem fazê-lo quando se encontram em um ringue. Em determinada cena onde ocorre a reconciliação fica claro essa dinâmica.

Os coadjuvantes também não ficam atrás: Sandra Corveloni interpreta a mãe de Eder, conciliando o constante apoio às decisões do filho e saber lidar com o temperamento do marido. Já Keli Freitas faz a esposa que sofre e cria os filhos sozinha enquanto o marido viaja para lutar e defender o título

O preço da carreira de um lutador também é abordado. De certa forma, toda a dedicação e entrega, apesar da estabilidade, pede em troca um sacrifício muito maior. Isso passa desde algo simples como comer um pudim ao mais delicado na ausência de Éder na vida dos filhos e da esposa.

“10 Segundos Para Vencer” falha ao não trazer muita emoção nas lutas – todos os oponentes são figurantes que entram mudo e saem calados. As cenas até são bem coreografadas e fotografadas pelo mestre Lula Carvalho, porém, sem emoção genuína, fazendo com que o diretor recorra a imagens reais de arquivo para tentar despertá-las. O bom das imagens originais é que elas escondem o rosto de Jofre e não causam muita estranheza, porém, seria até injusto dizer que não destoa do filme.

É um filme correto, não traz nenhum título por falta de ousadia, mas também não beija à lona – assim como seu protagonista.

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