Estamos entrando naquele período do ano conhecido como “temporada blockbuster”. É a época das superproduções, de filmes que apostam no que há de mais imediato e superficial na arte cinematográfica, da corrida por explosões, efeitos de CGI e montagem nervosa, que tanto atraem e assombram os papalvos. Nada contra nenhum desses elementos, per se, mas, para cada Mad Max: Estrada da Fúria, lá se vão outros vinte filmes como esse aqui.

Terremoto: A Falha de San Andreas é assinado por Brad Peyton, o nome por trás de pérolas como Como Cães e Gatos 2: A Vingança de Kitty Galore e Viagem 2: A Ilha Misteriosa. Ele se une a Dwayne Johnson, o eterno “The Rock” da luta livre pré-MMA, e este reúne-se a Carla Gugino, sua parceira em A Montanha Enfeitiçada e Rápida Vingança. Vindo logo depois de Hércules, o projeto dos sonhos de Johnson, e do megasucesso Velozes e Furiosos 7, Terremoto não é exatamente um anticlímax – apenas outra fita ordinária de ação, como tantas estreladas pelo herói.

A trama é mínima: Johnson vive Ray Gaines, líder de uma equipe de resgate dos bombeiros, especializado em missões arriscadas. Quando um terremoto gigantesco toma conta da “falha” de San Andreas – uma linha tectônica que percorre todo o estado da Califórnia, e que detona o terrível acontecimento –, Gaynes, que enfrenta um divórcio e é assombrado pela morte de uma filha, deixa os colegas de lado e parte no encalço da outra cria (Alexandra Daddario).

Modelar em seu formato filme-catástrofe, San Andreas ainda assim está longe de ser uma obra significativa no gênero. Se Peyton é hábil em conduzir as sequências mais elaboradas – e a que envolve a ex de Ray e a futura cunhada vivida por Kylie Minogue é realmente de tirar o fôlego –, toda essa pegada faltou ao cineasta na hora de delinear melhores personagens, ou mesmo para dar um rumo decente à trama. Sem se importar com o nível de clichê e caricatura dos personagens – desde o garotinho “esperto” e irritante vivido por Art Parkinson, ou o almofadinha, vá lá, divertido de Ioan Gruffudd (Quarteto Fantástico, Rei Arthur), Terremoto passa longe de qualquer sinal de empatia ou comoção genuína.

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Pensando bem, até o virtuosismo da devastação orquestrada por Peyton é problemático. Sem conseguir traduzir a força visceral de seus prédios em queda para uma escala mais íntima, San Andreas não vai além de um show de explosões, efeitos de CGI e montagem nervosa, o mesmo já visto em tantos blockbusters genéricos de última safra, como até Vingadores: Era de Ultron acabou sendo. Com bem menos recursos, James Cameron, em Titanic (1997), soube suscitar o frio na espinha que Terremoto: A Falha de San Andreas, apesar dos esforços ruidosos, falha miseravelmente em evocar.

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