O Cine Set continua, nesta terça-feira (12), a série de entrevistas com os candidatos ao Conselho Municipal de Cultural na cadeira de Cinema e Vídeo. Três postulantes disputam à vaga: Leonardo Costa, Paulo Cezar Freire e Renan Carvalho. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio e as perguntas base serão as mesmas para todos os candidatos.

A eleição acontecerá no dia 22 de maio na Biblioteca Municipal João Bosco Evangelista, no Centro, e o resultado será publicado na primeira semana de junho. A posse dos oito novos conselheiros (um por segmento artístico) acontece no dia 1º de julho:

Cine Set: Em primeiro lugar, gostaríamos de conhecer o seu histórico. O que você fez, no audiovisual amazonense, que o credencia a ser conselheiro do setor?

Leonardo Costa: Sou militante na área do audiovisual desde 2005. Fui o primeiro presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cinematográfica do Audiovisual do estado do Amazonas, cargo que foi reconduzido recentemente. Dirigi a Amacine e faço parte do conselho fiscal da instituição. Ganhei o Curta 4 duas vezes com os filmes “Criança Também é Bicho” (melhor roteiro) e “O Bis in Idem” (melhor filme). Em 2011, fiz o documentário “Ser ou Não Ser” em 35 milímetros, algo raro dentro da produção amazonense. Atualmente, estou na produção do filme do meu colega Marcos César intitulado “As Crônicas de Tatumcamara”.

CS: Como você avalia a gestão do atual conselheiro, Zê Leão (também conhecido como Júnior Rodrigues) à frente do cargo?

Leonardo Costa: Sou o atual primeiro suplente do Júnior Rodrigues no Conselho. Ele se se esforçou ao máximo, fez um bom trabalho. Caso tivesse a possibilidade de reeleição iria apoiá-lo por ser um cara que vive 100% para o cinema. Isso não significa, entretanto, que eu seja um candidato de continuidade, pois tenho minha própria visão do que deva ser feito. As pessoas, porém, precisam entender que o conselheiro não é um vereador que chega para propor leis que sejam cumpridas; a função no Concultura é de uma pessoa consultiva. Além disso, se faz necessário entender que a verba do Conselho é pequena, sendo pouco mais de R$ 500 mil para todos os setores artísticos. Acredito que a maior luta do conselheiro seja ser articulado para trazer uma boa parte dessa grana para a área que representa.

CS: Quais as suas três principais propostas para o audiovisual amazonense?

Leonardo Costa: Meu foco principal será a regulamentação do Fundo Municipal para o setor da cultura. Essa, acredito, será a maior briga do Conselho Municipal como um todo. Estamos perto de conseguir isso pela atuação do Márcio Souza nesse tempo à frente da entidade. A renúncia fiscal traria, de imediato, R$ 12 milhões para os artistas de Manaus a partir de projetos a serem aprovados pelo Concultura. É preciso buscar, nesse momento, articulação com a classe artística, os vereadores e o prefeito Artur Neto para fazer sair o Fundo. Quem falar diferente disso, ter outro foco, está falando besteira.

Vou lutar para que, desse montante de R$ 12 milhões, uma grande parte venha para o campo de cinema e vídeo por ser uma arte coletiva e com um grande número de profissionais envolvidos. Se o investimento vier, terei foco na formação de plateia, fomento do audiovisual e formação técnica.

CS: Como você pretende estabelecer um canal de comunicação com a classe para a discussão de pautas e tomada de decisões?

Leonardo Costa: Meu perfil no Facebook é bastante ativo e postarei, sempre que for necessário, as novidades para a classe lá. Quero também realizar reuniões presenciais e formar grupos de pessoas ligadas ao audiovisual para que compareçam às reuniões do Conselho Municipal. Posso também tornar públicas as atas da reuniões do Concultura.

Hoje em dia, considero que há um problema de comunicação tanto da parte do atual conselheiro e dos integrantes da classe do audiovisual. Há muitas panelas. Posso garantir que não participo de nenhum grupo, nem me dar ao luxo disso. Quanto ao Fórum do Audiovisual, nunca fui convidado para participar das reuniões, mas, espero ser chamado, caso eleito.

CS: Qual a sua opinião sobre produção realizada no Amazonas hoje em dia? Quais as maiores qualidades e os principais desafios a serem superados?

Leonardo Costa: Considero incipiente ainda em uma fase de início de profissionalização. Não há como fazer filmes sem dinheiro. Mesmo assim, há boas produções como “Parente”, do Aldemar Matias, “Se Não”, com a fotografia do Júnior Rodrigues e as produções dirigidas pelo Everton Macedo.

Somos carentes na parte técnica. Hoje quem consegue fazer cinema com qualidade no Amazonas ou é quem nasceu abençoado por Deus pelo dom ou foi estudar fora. O salto necessário para o desenvolvimento será a criação de um Centro de Formação Técnica do Audiovisual. O curso da UEA é um curso técnico em audiovisual, bem longe do prometido pelo secretário Robério Braga em seu poço de incompetência de prometer e não cumprir a faculdade de cinema.

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