Mais um mês, mais um similar de Jogos Vorazes na praça. Desta vez, sucedendo a Divergente e O Doador de Memórias, trata-se da adaptação da trilogia de James Dashner, cujo primeiro livro foi lançado em 2007 nos Estados Unidos, um ano depois, portanto, do início da saga de Katniss Everdeen.

De fato, Maze Runner – Correr ou Morrer possui vários elementos em comum com o universo criado por Suzanne Collins para os Jogos: um futuro distópico, um jovem “escolhido”, que dá início a uma revolução apenas por querer continuar vivo, a ideia da pacificação dos problemas sociais pelo militarismo e a segregação dos mais fracos. Resta saber, então, o que Maze Runner poderia acrescentar à fórmula.

Bem, além de um universo marcadamente masculino (todos os jovens lançados à Clareira são homens, com exceção da tardia Teresa, vivida por Kaya Scodelario, que não diz muito a que veio), Maze Runner abandona muito da complexidade moral e dramática de Jogos em favor de uma experiência, como diz o título, mais baseada em correria e perseguições.

Thomas (Dylan O’Brien) acorda um dia a caminho da Clareira, uma área florestal isolada, cercada por muralhas e habitada por garotos que, assim como ele, não sabem como foram parar ali. Logo, porém, ele descobre que as muralhas funcionam como entradas para um gigantesco labirinto, que só os mais ágeis e fortes do grupo (denominados Corredores) têm permissão para explorar. Apesar do isolamento e da incerteza, os rapazes conseguem se organizar numa pequena sociedade, enquanto aguardam pacientemente que os Corredores, um dia, descubram a saída.

Decidido a não ficar sentado esperando a liberdade, ou algo menos benigno, chegar, Thomas adentra o labirinto, dando início a todo o conflito do filme.

A melhor coisa no trabalho do estreante Wes Ball é a sua concisão. Não fossem os momentos de desajeitado romance entre Thomas e Teresa, ou as inevitáveis pausas para que algum personagem explique o que vai acontecer, Maze Runner avança a toda velocidade. Tão rápido, aliás, que alguns momentos que deveriam ser climáticos para a história sejam quase que arremessados por ela. O exemplo mais problemático talvez seja o do primeiro confronto de Thomas e Minho (Ki Hong Lee) com os guardiões do labirinto, os chamados Verdugos (oh, boy…), horrendas aranhas gigantes com patas robóticas. No melhor estilo Transformers, tudo acontece tão rápido que mal dá tempo de determinar se o Verdugo caiu do muro, plantou bananeira ou machucou Thomas.

Quando Ball decide investir no suspense, porém, o filme melhora, criando momentos convincentes de tensão, que “seguram” o interesse da história em seu ato final. Infelizmente, a necessidade de preparar o terreno para uma sequência acaba frustrando o que deveria ser o ponto culminante do filme.

Dylan O’Brien se revela um bom protagonista, alternando entre as memórias conflituosas de Thomas, o ímpeto de desafiar o labirinto e a necessidade de liderar os clareanos. O restante do elenco, porém, do menino Chuck (Blake Cooper, vítima do momento mais apelativo do filme, e que lembra, mais uma vez, Jogos Vorazes) à misteriosa Teresa, vai de fraquinho (o histriônico Will Poulter, como o vilão Gally) a mediano (Thomas-Brodie Sangster, como Newt, e Hong Lee). Combinado a um resultado artístico apenas competente, temos aquela palavrinha tão usada por aqueles que esperam mais de um filme do que tensão e correria: genérico.

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