Tenho a missão de fazer a crítica de “Vai Que Cola – O Filme”. Porém, como o filme é aquele troço maravilhoso que vocês já devem imaginar, resolvi ser mais sucinto e direto ao ponto ao elencar 5 motivos dessa adaptação do programa do Multishow ser um erro. Vamos lá:

1. Overdose de Paulo Gustavo

Paulo Gustavo até é um cara engraçadinho. Pode não ser o Chico Anysio, Jô Soares da vida, mas a metralhadora giratória dele é capaz de gerar uma ou outra piada legal. O humorista, entretanto, está passando dos limites na autopromoção.

Se a incapacidade de transformar o golpista Valdomiro em um personagem já era conhecida da televisão, nos cinemas, Paulo Gustavo passa dos limites e chega ao ponto de divulgar o próprio Instagram e andar com o boné do espetáculo dele em determinada cena.

A sensação é que estamos diante é de uma verdadeira stand-up comedy dele em que está sempre disposto a uma piada a mais, independente se será bom ou não para o resultado geral do filme.

2. Falta do controle remoto para reduzir o volume

Certos humoristas confundem humor e gritaria. Falar aos berros não é ser engraçado e sim ser histérico. Agora, vai dizer isso para Cacau Protásio. Não há uma cena em que a atriz não grite e faça escândalo. Como ela está ao lado de outros personagens falando em volume alto muitas vezes, assistir “Vai Que Cola – O Filme” se torna uma tortura com o passar do tempo.

Não duvido um órgão de fiscalização interditar o cinema que exibe a obra por poluição sonora.

3. História pra quê?

Com pouco mais de 30 minutos de filme, Paulo Gustavo  Valdomiro vira para a câmera e diz: vai começar a traminha. Bem, se ele mesmo define a história no diminutivo, apesar do tom de brincadeira, é porque dá para perceber o quanto o roteiro de “Vai Que Cola – O Filme” é mero enfeite decorativo.

Com isso, a maior parte dos personagens passa pela tela sem rumo. Aqueles que ainda têm, caso de Samantha Schmultz, não saem do lugar ou evoluem. Já para Fernando Caruso (vergonhoso), Fiorella Matheis e Cacau Protásio, restam as caricaturas.

Quem se sai menos pior, justiça seja feita, é Marcus Majella, que se entrega ao deboche escrachado sem vergonha alguma do ridículo, compensando o pouco espaço para o desenvolvimento do romance entre o concierge e o síndico vivivo por Oscar Magrini.

4. Está no cinema, mas parece televisão

“Vai Que Cola” foi para o cinema, mas, na verdade, parece um episódio especial feito para a televisão. E dos ruins. Trocou-se apenas a casa do subúrbio pelo apartamento no Leblon, com os personagens enclausurados em boa parte nele.

Com isso, o filme perde grandes possibilidades de dar cutucadas sociais ao colocar em choque figuras excêntricas em contato com a elite carioca e saber como seriam as reações, brincando com as diferenças sociais. Provavelmente, isso nem deve ter passado pela cabeça dos realizadores que preferem apostar na caricatura e no que está dando certo.

Até “Chaves”, quando foi para Acapulco, conseguiu ser mais feliz.

5. Técnica para quê?

Mesmo filmes horrorosos da comédia popular nacional (“Crô – O Filme”, “Copa de Elite”, “Totalmente Inocentes”, “O Concurso”…) conseguem ter um nível de acabamento técnico aceitável. “Vai Que Cola – O Filme” nem isso.

Em uma das inúmeras discussões entre Paulo Gustavo e Marcus Majella durante o longa, percebe-se claramente que a câmera fica sem foco. Por aproximadamente 10 segundos, vemos os dois atores embaçados e a luta da equipe técnica para ajustar a imagem. Em vez de ser regravada a cena, o material acabou na edição final. É vexatório um erro tão básico em uma produção de grande porte como essa.

O descontrole do diretor Cesar Rodrigues em relação à produção ainda se mostra na total ausência de organização dos atores em cena com um falando por cima do outro, o que torna inaudível os diálogos. A justificativa de deixar o elenco improvisar não pode ser desculpa para transformar tudo em uma bagunça geral.

O roteiro do trio (?!) Luiz Noronha, Leandro Soares e Fil Braz, além de ser incapaz de criar uma trama compreensível, possui falas em que trata o espectador por imbecil pela forma como necessita deixar tudo claro (todas as sequências de Caruso na sala das câmeras são inacreditavelmente ruins).

Por fim, a trilha sonora é tão óbvia quanto saber que “Vai Que Cola – o Filme” seria um desastre.

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