Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros é um filme que tenta se aproximar da experiência do primeiro filme da franquia de homens e dinossauros iniciada por Steven Spielberg em 1993, mas acaba sofrendo do mesmo mal do segundo e do terceiro longas da mesma franquia: as cenas de ação e com dinos até funcionam relativamente bem, mas o roteiro é muito, muito fraco.

O Indominus Rex é o vilão da vez, uma criatura híbrida criada pelos geneticistas do parque para atrair mais turistas, que querem ver dinossauros maiores, melhores e com mais dentes – um comentário do filme sobre a atual produção de filmes blockbusters? O resultado é mais correria, mas todos os personagens são apáticos ou unidimensionais: os meninos são chatos; Chris Pratt se limita a fazer tipo, o mesmo de Guardiões da Galáxia (2014), mas agora de forma forçada e artificial; e o vilão de Vincent D’Onofrio é tão raso que chega a ser engraçado.

O diretor do filme, Colin Trevorrow, faz um trabalho burocrático e sem alma, uma espécie de Spielberg genérico. E até os efeitos já não impressionam mais tanto assim: algumas cenas parecem bastante falsas e nenhuma consegue ter o impacto que os dinossauros costumavam ter quando surgiram. A computação gráfica que tanto deslumbrou as plateias quando o primeiro Jurassic Park foi lançado há mais de vinte anos se tornou um monstro fora de controle, mal utilizada por cineastas. Revendo aquele filme, impressiona como Steven Spielberg usou aquela ferramenta de forma inteligente, embora ele mesmo tenha vindo a se deslumbrar com ela na continuação do longa. Jurassic World só consegue demonstrar, com seu comentário sobre tudo precisar ser maior e mais espetacular hoje, como aquele primeiro filme era realmente especial. E parece que a cada novo filme feito dentro da franquia, mais especial ele se torna.

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