Parece que foi ontem que estávamos debatendo se “Birdman” era mesmo o melhor filme de 2014 e se o trabalho de Eddie Redmayne realmente tinha sido superior ao dos outros indicados a melhor ator. É, alguns meses se passaram desde o Oscar e já estamos às vésperas de iniciar uma nova temporada de prêmios. Os festivais de cinema começaram a esquentar as turbinas da corrida do ouro com as primeiras exibições de candidatos à estatueta dourada.

Mesmo com poucos filmes vistos, já dá para prever que o Oscar deve ter uma aura mais feminista. Um dos carros-chefe da temporada é “Suffragette”, que aborda a luta pelos direitos da mulher em plena Inglaterra da virada do século 19 para o 20. O amor entre duas pessoas do mesmo sexo – tema que a Academia não abraça tanto quanto deveria (cof cof, Brokeback Mountain, cof cof) – também entrará em pauta com o elogiado “Carol”, protagonizado por Cate Blanchett e Rooney Mara. Chora, Bolsonaro!

Em um ano que teve como grande destaque a estrela de reality shows Caitlyn Jenner (antes conhecida como Bruce Jenner), o movimento trans também deve dar a tônica do Oscar, com “A Garota Dinamarquesa”, filme de Tom Hooper que já tem seu trailer compartilhado a torto e a direito nas redes sociais.

Força nas premiações de TV, o Netflix busca também seu espaço no Oscar, com “Beasts of No Nation”, filme dirigido por Cary Fukunaga (em seu primeiro trabalho na telona após o sucesso da primeira temporada de ‘True Detective’). O filme, inclusive, é mais uma produção que levará à temporada de premiações uma discussão importante – no caso, a guerra civil na África.

Quer ver que outros filmes têm chances no Oscar 2015? Continua lendo o Cine Set!

Melhor filme/diretor

Recém-saído da festa que foi a carreira de “Birdman” nas premiações, Alejandro González Iñarritu promete um filme do estilo arrasa-quarteirão com “The Revenant”, filme ambientado no século 19 e protagonizado por DiCaprio (mais sobre ele abaixo). Não é sempre que um diretor consegue emplacar dois ‘filmes-de-Oscar’ seguidos, mas Iñarritu raramente decepciona, então…

Outro vencedor da estatueta dourada que está voltando com fome de bola é Tom Hooper, diretor do já citado “A Garota Dinamarquesa”. O filme já estreou no Festival de Veneza e empolgou mais pelas atuações do que pela produção propriamente dita, mas já aprendemos a nunca duvidar de Hooper (David Fincher que o diga!). Falando em Fincher, o filme que causou o maior alvoroço no ataque hacker à Sony e que seria dirigido por ele também já teve as suas primeiras exibições, sob muitos elogios. “Steve Jobs”, de Danny Boyle, é outro forte candidato ao Oscar, já que os votantes da Academia não sabem resistir a uma cinebiografia (até rimou).

Se Iñarritu, Hooper e Boyle já possuem Oscars para chamarem de seus, outro diretor tenta desencantar e conseguir a estatueta tão sonhada por ele. Sim, o ímã de indicações David O. Russell está de volta com toda a sua trupe (Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Robert de Niro) e alguns nomes aleatoriamente deliciosos (Diane Ladd, Isabella Rossellini) em “Joy”, filme que tem Lawrence na pele de uma jovem que se torna uma das maiores empresárias dos Estados Unidos. Feminismo, cinebiografia (*quase, já que a Joy da vida real foi apenas uma inspiração para o roteiro)… Acho que vamos ver O. Russell no tapete vermelho mais uma vez (e com um filme bom, torçamos!).

Outros títulos para ficarmos de olho: “Youth”, “Os 8 Odiados” (Quentin Tarantino), “Hail Ceasar!” (o novo dos Coen)

Fica a torcida para: Mad Max (difícil) e Divertida Mente (quase garantido nesse cenário de dez indicados)

Melhor ator/ator coadjuvante

Esse pode ser finalmente o seu ano, DiCaprio! Performance física + uma bem-vinda mudança de diretor (não que Scorsese não seja bom – MUITO PELO CONTRÁRIO -, mas mudar é saudável) + momento da carreira = ouro? Só os próximos meses vão dizer – e vamos ter que esperar mais um pouco, já que “The Revenant” só estreia em dezembro (o que vai dar uma prejudicadinha no ‘buzz’ do filme – lembram de ‘Selma’ e do próprio ‘Lobo de Wall Street’? Poderiam ter conseguido tão mais…). Um obstáculo para Leonardo DiCaprio é se a atuação de Tom Hardy no mesmo filme concentrar todos os elogios. Mas o ‘Mad Max’ provavelmente será colocado na categoria de coadjuvante.

Um candidato que já tomou a dianteira foi Michael Fassbender. Apesar da pouca semelhança física com Steve Jobs, o comprometimento e a performance do ator têm arrancado elogios no Festival de Telluride. A indicação é quase certa. Quem também está quase com a cadeira garantida na plateia do Oscar é Eddie Redmayne, elogiado pelo desempenho em “A Garota Dinamarquesa”. Se ganhar de novo, se iguala a ninguém mais, ninguém menos que Tom Hanks e Spencer Tracy, que também venceram Oscars em dois anos seguidos.

Outra atuação já elogiada nos festivais de cinema é a de Idris Elba em “Beasts of No Nation”. Há quem aposte em um Oscar à la Forrest Whitaker, que venceu por um filme ao qual “Beasts” recebeu comparações.

Outros nomes: Jake Gyllenhaal tenta superar a esnobada de “O Abutre” com “Demolition”, filme do papa-Oscar Jean Marc Vallée; Michael Caine e Robert Redford podem garantir a presença dos veteranos com “Youth” e “Truth”, respectivamente; Ben Foster vem de Lance Armstrong em filme dirigido por Stephen Frears; Samuel L. Jackson e Bruce Dern encabeçam os “Hateful 8”.

Melhor atriz/coadjudvante

Poucos acreditavam, mas Alicia Vikander parece estar recebendo mais elogios que Eddie Redmayne em “A Garota Dinamarquesa” e pode garantir a clássica vaga da ‘esposa sofredora’ que a categoria de coadjuvante tanto adora. Ela deve bater de frente com Rooney Mara, vencedora da Palma de Ouro de Cannes por “Carol”.

Da “Carol” Cate Blanchett, não tem nem o que falar. Elogiadíssima no filme de Todd Haynes, ela só tem um obstáculo: ela mesma. Literalmente. É que a australiana tem outro papel oscarizável para estrear este ano: “Truth”, em que divide a cena com Robert Redford.

Outras grandes atrizes que podem voltar ao Oscar são Kate Winslet, elogiada em “Steve Jobs”, e a vencedora do ano passado, Julianne Moore, que estrela o drama “Freeheld”, filme que pode render a segunda indicação de Ellen Page.

Só uma catástrofe impediria Jennifer Lawrence de retornar ao prêmio. No papel, “Joy” tem tudo para ser um sucesso na temporada do ouro e o carisma da atriz vale mais que muito aperto de mão que outras atros se esforçam tanto para dar nessa época do ano.

Outros nomes: Sandra Bullock em “This Brand Is Crisis” (caso semelhante ao de ‘Joy’), Carey Mulligan e Meryl Streep em “Suffragette”, Saoirse Ronan em “Brooklyn”, Jane Fonda em “Youth”, Jennifer Jason Leigh em “Os 8 Odiados”.

Fica a torcida para: Charlize Theron! Por favor, Academia!

Chances do Brasil?

Pela primeira vez em muuuitos anos, temos uma boa chance de voltar à cerimônia. “Que Horas Ela Volta?” tem construído uma bela carreira lá fora, com prêmios em festivais importantes e elogios de críticos que ‘ditam as regras’ do jogo.

Se o Oscar finalmente será nosso, difícil dizer. A categoria de filme estrangeiro é uma das mais imprevisíveis, já que costuma esnobar favoritos e premiar zebras em alguns anos. Por enquanto, a estatueta é de “Son of Saul”, filme húngaro que fez barulho em Cannes. Mas uns prêmios da crítica pra Regina Casé aqui (o LAFCA é uma GRANDE chance, já que eles adoram atrizes estrangeiras), uma campanha esforçada da Anna Muylaert ali… Dá pra chegar. Vamos torcer!

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