De Helen Hayes a Christopher Walken, Caio Pimenta apresenta os 10 melhores vencedores das categorias de coadjuvantes do Oscar nos anos 1970.

10. GIG YOUNG, por “A NOITE DOS CONDENADOS” 

Por este grande filme do Sydney Pollack, o Gig Young levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante na cerimônia de 1970. 

Em “A Noite dos Condenados”, o Gig Young interpreta o organizador e apresentador do bizarro concurso de dança. Ele interpreta um sujeito muito educado, polido, mas, que está disposto a explorar até o fim os participantes em nome do dinheiro. É um vilão desprezível sem aparenta ser um. 

Uma curiosidade sobre o Gig Young em “A Noite dos Condenados” é que ele gravou o filme todo doente com febre e tudo mais. Mesmo assim, mandou muito bem e levou o Oscar para casa. 

9. CLORIS LEACHMAN, por “A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA” 

Cloris Leachman venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante em 1972 pelo clássico “A Última Sessão de Cinema”. 

No filme, ela interpreta Ruth Popper, uma mulher em um casamento desgastado se envolvendo com um adolescente, aluno do marido. Todo o desenvolvimento da personagem é bastante comovente ao passar da tristeza pelo rumo da vida à esperança de um novo amor até novamente ser abandonada. A última cena dela é um dos pontos altos deste filmaço do Peter Bogdanovich. 

Aliás, o filme foi a primeira das três parcerias entre a Leachman e o Bogdanovich: eles ainda fizeram juntos “Daisy Miller”, em 1974, e “Texasville”, de 1990, justamente a continuação de “A Última Sessão de Cinema”. 

8. HELEN HAYES, por “AEROPORTO” 

A Helen Hayes é um ponto fora da curva nesta lista: ela é a única interpretação cômica no TOP 10. Mas, o Oscar dela veio por um filme de ação. 

Em “Aeroporto”, ela interpreta uma senhora trambiqueira que consegue viajar de graça ao enganar comissários de voos. Mesmo em um filme de clima tenso e com astros do porte de Burt Lancaster, Jacqueline Bisset, Dean Martin e Jean Seberg, a Helen Hayes rouba a cena como o alívio cômico da história e todos os momentos com ela são impagáveis. 

Essa foi a segunda estatueta da carreira da Helen Hayes: a primeira vez aconteceu quando o Oscar dava os primeiros passos, em 1932, pelo filme “O Pecado de Madelon Claudet”. 

7. VANESSA REDGRAVE, por “JULIA” 

O único Oscar da Vanessa Redgrave veio com “Julia” em Melhor Atriz Coadjuvante na cerimônia de 1978. 

Apesar do drama dirigido pelo Fred Zinnemann ter uma narrativa um tanto quanto incerta, a força da Vanessa Redgrave em cena é impressionante. As sequências em que ela surge na tela mostra bem os motivos da fascinação e o carinho da protagonista vivida pela Jane Fonda. A clareza, a lucidez e luta da personagem somente poderiam ter sido encarada com brilhantismo por uma atriz elegante como a Redgrave. 

No discurso de agradecimento, a Vanessa Redgrave causou uma polêmica e tanto ao criticar quem a tinha criticado por fase um documentário pró-Palestina. 

6. BEATRICE STRAIGHT, por “REDE DE INTRIGAS” 

Cinco minutos e dois segundos. Esse tempo foi suficiente para Beatrice Straight vencer o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Rede de Intrigas” em 1977. 

Na cena em que o personagem do William Holden conta à esposa que está apaixonado pela Faye Dunaway, a Beatrice Straight demonstra um desespero terrível de uma esposa que vê um relacionamento de mais de duas décadas chegar ao fim e ser trocada por alguém mais nova. Tudo isso, porém, com muita dignidade.  

Eu acho que uma cena comove tanto por ser tão realista muito graças a atuação dos dois e por colocar uma situação que inevitavelmente todos nós passamos um dia de um rompimento de relacionamento. 

5. BEN JOHNSON, por “A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA” 

Cloris Leachman não foi a única a vencer o Oscar de coadjuvante por “A Última Sessão de Cinema”. O Ben Johnson também fez isso entre os homens. 

No filme, ele interpreta o dono do cinema e da lanchonete da pequena cidade e que um filho autista. O Ben Johnson acaba por ser uma figura paterna para o protagonista e, de certo modo, um espelho do que seria o futuro do rapaz marcado por uma vida pacata e a frustração de um amor não realizado. 

Somente a cena do Ben Johnson relembrando esse grande amor era suficiente para o Oscar. 

4. CHRISTOPHER WALKEN, por “O FRANCO-ATIRADOR” 

No quarto lugar, aparece o Christopher Walken, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “O Franco-Atirador” em 1979. 

Atuando ao lado de gigantes como Robert De Niro e Meryl Streep, o Christopher Walken é o grande nome do elenco de “O Franco-Atirador”. Isso porque ele encarna tudo o que o Michael Cimino busca passar com o filme, ou seja, como a guerra transforma pessoas com uma vida promissora pela frente em uma pessoa transtornada e traumatizada. 

Para fazer a segunda parte do filme, a mais impactante, o Christopher Walken adotou uma dieta em que ele se alimentava apenas de arroz, água e banana. 

3. TATUM O’NEAL, por “LUA DE PAPEL” 

Com apenas 10 anos de idade, a Tatum O Neill se tornou a pessoa mais jovem a vencer o Oscar. Tudo pelo trabalho dela excepcional em “Lua de Papel”. 

Esqueça aquelas crianças fofinhas e inocentes: a Tatum O’Neal interpreta uma garota muito malandra se dando bem com pequenos golpes ao lado de um trambiqueiro. A naturalidade alcançada em cena sem qualquer traço de excessos tão comuns a papeis infantis é que a torna tão fascinante de acompanhar. 

Na verdade, esse Oscar dá para encaixar com uma fraude de categoria, afinal, a Tatum é a protagonista do filme e poderia ter disputado Melhor Atriz. A Madeline Kahn, que também está em “Lua de Papel” e concorreu em Coadjuvante também, criticou a Academia por isso.  

2. JOEL GRAY, por “CABARET” 

O mestre de cerimônias de “Cabaret”, é claro, não podia de fora. O Joel Grey conquistou o Oscar de Ator Coadjuvante na cerimônia de 1973. 

Mesmo que a Liza Minnelli domine as ações, cada aparição do Joel Grey em “Cabaret” é impagável. O Bob Fosse deixa a ironia da narrativa sob responsabilidade do ator e as caras e bocas dele ao longo das performances e acontecimentos do musical guiam o espectador. Fora o talento para cantar e dançar que é de outro mundo. 

Mesmo ele tendo concorrido contra o trio de “O Poderoso Chefão” – Robert Duvall, Al Pacino e o James Caan – eu, particularmente, não considero nenhum pouco absurda essa vitória do Joel Gray. 

1. ROBERT DE NIRO, por “O PODEROSO CHEFÃO – PARTE 2” 

Aproveitando que “O Poderoso Chefão” acabou de ser citado, nada melhor do que eleger o Robert De Niro como o dono da melhor atuação vencedora das categorias de coadjuvante nos anos 1970. 

No segundo filme da série, o De Niro tinha o pior desafio para qualquer ator: interpretar um personagem histórico imortalizado pelo Marlon Brando. Seria um desastre se não fosse justamente o papel cair nas mãos de um gigante.

E o De Niro consegue ir além de recriar os trejeitos do Brando, aprofundando os laços familiares e enriquecendo ainda mais jornada de Don Corleone. 

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