Caio Pimenta apresenta o TOP 10 dos vencedores de Melhor Direção no Oscar nos anos 1970. 

10. JOHN G. AVILDSEN, por “ROCKY – O LUTADOR”  

No ano em que o Martin Scorsese não foi indicado por “Taxi Driver”, qualquer um podia vencer. E deu o John G. Avildsen, por “Rocky – O Lutador”. 

De todos os destaques de “Rocky” – a trilha sonora, o roteiro, a atuação do Stallone – o que chama menos atenção é justamente o diretor. Não que o Avildsen faça um trabalho ruim, mas, fica bem longe de qualquer coisa memorável. 

Se fosse para premiar um diretor padrão que não é tão ousado assim, eu ficaria fácil com o Sydney Lumet, de “Rede de Intrigas”, ou mesmo o Alan J. Pakula, de “Todos os Homens do Presidente”. Ambos conseguem ter uma direção com mais personalidade do que o Avildsen. 

9. GEORGE ROY HILL, por “GOLPE DE MESTRE” 

Outra vitória sem muito brilho no Oscar de Direção veio em 1974 quando George Roy Hill ganhou por “Golpe de Mestre”. 

Grande parte do sucesso do filme se deve à dobradinha entre o Paul Newman e o Robert Redford. Ao George Roy Hill, fica ao mérito de dar um ritmo leve e descontraído com muito charme e malícia a “Golpe de Mestre”, porém, nada de diferente do que ele fizera até com mais sucesso quatro anos antes com “Butch Cassidy”. 

O curioso desta história é que tanto o John G Avildsen quanto o George Roy Hill venceram ‘apenas’ Ingmar Bergman. O diretor sueco perdeu por “Gritos e Sussurros” e “Face a Face”. 

8. FRANKLIN J. SCHAFFNER, por “PATTON – REBELDE OU HERÓI” 

A oitava posição vai para o Oscar de 1971 quando o Franklin J. Schaffner venceu por “Patton – Rebelde ou Herói”. 

Mais uma vez, o trabalho do diretor abaixo de outros destaques como, por exemplo, a atuação primorosa do George C. Scott e do roteiro ácido do Coppola e do Edmund North. Ainda assim, o Schaffner faz “Patton” transitar muito bem das cenas grandiosas para as de menor escala, alternando sem desequilíbrio entre o drama e o humor. 

Aqui, outro mestre o cinema europeu foi batido: no caso, o Federico Fellini, indicado por “Satyrycon”. 

7. MICHAEL CIMINO, por “O FRANCO-ATIRADOR” 

Agora, o nível começa a melhorar. Na sétima colocação deste TOP 10 aparece o Michael Cimino, ganhador do Oscar em 1979 por “O Franco-Atirador”. 

A complexidade dos efeitos de uma guerra sem sentido é traçada com paciência por Cimino. A primeira parte mostrando todos os futuros soldados e suas vidas repletas de energia e sonhos cria a base para mostrar a degradação psicológica e os horrores que eles enfrentarão nas horas seguintes. Com o auxílio de um elenco fantástico liderado por Robert de Niro, Cimino faz em “O Franco-Atirador” um dos mais completos filmes de guerra da história. 

O Michael Cimino tinha tudo para ser do mesmo nível do Coppola, porém, o golpe de “O Portal do Paraíso” foi tão brutal que destruiu a carreira dele. 

6. BOB FOSSE, por “CABARET” 

Se a galera hoje se empolga com o Rob Marshall é porque não conheceu o Bob Fosse, vencedor do Oscar de 1973 por “Cabaret”. 

Neste musical sensacional estrelado pela Liza Minelli, o Bob Fosse usa e abusa da ironia e sofisticação para contar a história de amor entre uma dançarina de um cabaré e um jovem estudante ao mesmo tempo em que mostra como se deu a construção do cenário perfeito para a ascensão do nazismo na Alemanha. Os números musicais são tão bem executados, criativos e ousados que foram uma influência clara, 30 anos depois, para “Chicago”. 

Mas, era para o Bob Fosse? Isso será tema de um vídeo nas próximas semanas. 

5. WILLIAM FRIEDKIN, por “OPERAÇÃO FRANÇA” 

O William Friedkin é um gigante que passou pelos mais diversos gêneros e, no policial, fez um clássico definitivo. 

Em “Operação França”, o Friedkin moderniza o gênero ao tirar a moralidade dos policiais, criando figuras longe do maniqueísmo costumeiro até então. A Nova York suja e escura se integra este novo momento longe do american way of life. Por fim, temos a maior cena de perseguição de carros da história do cinema. 

Friedkin ainda teve chance de ganhar o Oscar em 1974 no terror com a obra-prima “O Exorcista”. Mas, aí já era demais para o conservadorismo da Academia. 

4. MILOS FORMAN, por “UM ESTRANHO NO NINHO” 

De todos os diretores não-autorais da história do cinema, o Milos Forman, talvez, seja o maior. Ninguém, nem mesmo Sydney Lumet, sabia contar como uma história como ele. E “Um Estranho no Ninho” é um exemplo perfeito disso. 

Com uma história e elenco perfeitos em mãos, o Milos Forman faz parecer ser fácil realizar uma produção como “Um Estranho no Ninho”. Afinal, impressiona como o filme flui por diversos temas, aborda vários personagens e diverte e emociona o público ao mesmo tempo. É uma obra que consegue dizer tanto de forma simples, clara, direta sem que seja superficial em nenhum momento. 

É um trabalho tão fantástico que mesmo concorrendo contra Kubrick, Fellini, Altman e Lumet, é impossível dizer que é um Oscar injusto. 

3. JOHN SCHLESINGER, por “PERDIDO NA NOITE”

Vamos para o pódio! Com a medalha de bronze, fica o John Schlesinger, de “Perdido na Noite”, ganhador do Oscar em 1970. 

Muito do estilo transgressor do filme se deve à direção do John Schlesinger, que não poupa o espectador em nenhum momento ao mostrar os perrengues de dois sujeitos marginalizados pela sociedade americana. Igual fizera “Operação França” anos depois, “Perdido da Noite” mira o seu olhar no submundo de Nova York para mostrar que o estilo perfeito de vida norte-americana não tinha chegado a todos. 

“Perdido na Noite” é tão ousado que, se fosse feito hoje em dia, ainda chocaria muita gente.   

2. WOODY ALLEN, por “NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA”

É raro um diretor vencer o Oscar por um filme totalmente de comédia. Porém, o Woody Allen fez isso em 1978. 

Em “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, o Woody Allen está no auge da criatividade, do sarcasmo, do cinismo e, por quê não?, do romântico. Como se já não bastasse o roteiro afiado por si só, ele traz uma narrativa sofisticada com as inserções dele no meio da história e cria momentos que entraram para história do cinema como a presença do teórico Marshall McLuhan na fila do cinema e o espirro nas cinzas. 

Neste Oscar, o Woody Allen superou dois gigantes das bilheterias: o Spielberg, de “Contatos Imediatos Com o Terceiro Grau”, e o George Lucas pelo primeiro “Star Wars”. 

1. FRANCIS FORD COPPOLA, por “O PODEROSO CHEFÃO 2”

O único Oscar da carreira do Francis Ford Coppola como diretor veio na cerimônia de 1975 pelo trabalho em “O Poderoso Chefão – Parte 2”. 

Sabe aquele negócio de dobrar a aposta? O Coppola fez exatamente isso ao fazer uma continuação de um filme perfeito. Tinha tudo para ficar em um nível abaixo, porém, ele se supera ao ponto de fazer a continuação ser até melhor que o original.

Para tanto, o Coppola expande o círculo de ação da história, saindo do universo da máfia, para abranger o contexto geopolítico da Guerra Fria, isso sem perder o foco na família Corleone, centro da história, e na forma como o personagem de Al Pacino deixa toda a humanidade de lado para se tornar um monstro. Como se não bastasse, vemos a narrativa ainda incorporar muito bem a origem de Don Corleone com um brilhante Robert De Niro. 

Essa vitória do Coppola fica ainda mais bonita quando a gente pega quem estava indicado com ele: o François Truffaut, de “A Noite Americana”, Roman Polanski, de “Chinatown”, Bob Fosse, de “Lenny”, e John Cassavetes, por “Uma Mulher Sob Influência”. Só gigante. 

 

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