De Kevin Spacey, por “Beleza Americana”, a Sean Penn, de “Milk – A Voz da Igualdade”, Caio Pimenta analisa o TOP 10 dos vencedores do Oscar de Melhor Ator.

10. RUSSELL CROWE, POR “GLADIADOR”

Para mostrar o alto nível dos ganhadores nos anos 2000, o pior vencedor do Oscar de Melhor Ator vem da cerimônia de 2001 como Russell Crowe, por “Gladiador”. 

No épico do Ridley Scott, o Russell Crowe entrega uma ótima performance ao interpretar um herói mais intimista que a média dos filmes do gênero. Temos um personagem mais reservado, arredio e de olhar para baixo e melancólico que liberta toda sua fúria na guerra e nos confrontos do Coliseu. 

Apesar da lista de indicados trazer ótimas atuações como Tom Hanks, em “Náufrago”, e do Geoffrey Rush, em “Os Contos Proibidos do Marquês de Sade”, não acho injusta essa vitória do Russell Crowe. Coloco-o em décimo lugar mais pela concorrência pesada dos outros ganhadores e também por achar que o melhor papel da carreira foi no ano seguinte em “Uma Mente Brilhante”. 

9, JAMIE FOXX, por “RAY” 

O Jamie Foxx ganhou o único Oscar da carreira em 2005 ao interpretar o excepcional Ray Charles. Já na lista do Cine Set, ele aparece na nona posição. 

Como todo bom protagonista de cinebiografia, o Jamie Foxx desaparece no personagem. Desde o jeito de tocar o piano, a movimentação corporal até os pequenos tiques conquistam o público e fazem “Ray” ter algum destaque. Além disso, a capacidade de mesclar humor e drama mostra a versatilidade do ator. 

Por outro lado, cá entre nós, não é nada diferente daquilo que vimos trocentas vezes em filmes do gênero. E olha que o ano tinha bons concorrentes, incluindo, o Leonardo DiCaprio, por “O Aviador”, o Clint Eastwood, de “Menina de Ouro”, e o Johnny Depp, por “Em Busca da Terra do Nunca”. 

8. FOREST WHITAKER, por “O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA” 

A gente continua nas cinebiografias, pois, a oitava posição fica com o Forest Whitaker, de “O Último Rei da Escócia”. 

Vencedor do Oscar em 2007, o Forest Whitaker consegue imprimir diversas camadas em um dos ditadores mais sanguinários já vistos na África. Um ator menos talentoso faria um vilão típico de Supercine, mas, com Whitaker, a composição fica mais rica ao misturar o carisma de um líder político com a sedução do poder e a psicopatia de um assassino. 

Mesmo com o Peter O´Toole que podia ter ganhado o primeiro Oscar da carreira, não dá para negar que foi um prêmio justíssimo esse do Forest Whitaker. 

7. SEAN PENN, por “MILK – A VOZ DA IGUALDADE” 

O Sean Penn vai aparecer duas vezes nesta lista. A primeira é com o desempenho que valeu o Oscar em 2009. 

Em “Milk – A Voz da Igualdade”, ele interpreta o primeiro político assumidamente homossexual a ser eleger para um cargo público na Califórnia. O que mais impressiona no trabalho do Sean Penn é como ele acerta no ponto na construção do personagem ao transitar pela força de um ativista político como tantos já vistos ao mesmo tempo em que apresenta toda uma ternura repleta de delicadeza. A costura destes dois aspectos aparentemente divergentes é digna de aplausos. 

Essa é uma atuação sensacional do Sean Penn, mas, tenho que admitir que o meu trabalho favorito naquele ano era do Mickey Rourke, por “O Lutador”.  

6. PHILIP SEYMOUR HOFFMAN, por “CAPOTE” 

O saudoso Philip Seymour Hoffman fica na sexta posição deste TOP 10 com o trabalho em “Capote”, ganhador do Oscar em 2006. 

Apesar de ter sérias restrições ao filme, não tem como negar o desempenho brilhante do Seymour Hoffman. Igual ao Sean Penn em “Milk”, era um trabalho que, feito por um ator fraco, teria tudo para virar uma caricatura de mau gosto. Porém, toda a forma elegante e comedida nos gestos e fala de Truman Capote feito pelo ator elevam a produção a outro patamar. 

Nesse Oscar, o Seymour Hoffman superou o Joaquin Phoenix que estava disputando ali no mesmo páreo com “Johnny & June”. Se a gente for pensar no que veio depois, a morte precoce do Hoffman e o Phoenix vencendo por “Coringa”, acabou sendo um acerto desta estrada maluca da vida. 

5. DENZEL WASHINGTON, por “DIA DE TREINAMENTO” 

Sabe aquele filme que só não é esquecível por conta de um trabalho excepcional? Foi o que aconteceu com “Dia de Treinamento”, suspense policial que rendeu o segundo Oscar da carreira do Denzel Washington em 2002. 

Na melhor linha do Jimmy Popeye, de “Operação França”, o Denzel Washington cria um policial corrupto e longe dos códigos de conduta repleto de charme e inteligência. Podemos condenar as atitudes dele durante todo o filme, porém, é impossível não se ver envolvido pelo personagem e até nos pegarmos torcendo por ele. Um anti-herói para nenhum Walter White ou Tony Soprano colocar defeito. 

Por muito pouco, porém, o Denzel Washington não perdeu o Oscar, afinal de contas, ele concorria contra o Russell Crowe, por “Uma Mente Brilhante”. O ator australiano, entretanto, já tinha vencido o Oscar no ano anterior com “Gladiador” e o estilo esquentadinho dele não ajudou nada durante a campanha. 

4. SEAN PENN, por “SOBRE MENINOS E LOBOS” 

A quarta colocação deste TOP 10 vai para o Sean Penn. Ele aparece aqui novamente com o trabalho de “Sobre Meninos e Lobos”, filme do Clint Eastwood pelo qual ganhou o Oscar em 2004. 

Somente a cena em que o personagem do Sean Penn descobre a morte da filha já bastava. Mas, o que mais chama a atenção no trabalho é o encaixe de tantas peças antagônicas: a brutalidade com a fragilidade; o ódio misturado ao luto; a nulidade pelo fim da vida e o início de um processo de remorso interno. O resultado disso culmina em um final quase anticlimático ao apontar que todo este processo em que nada supera a perda terrível. 

A vitória do Sean Penn ganhou ainda mais peso porque aconteceu no ano mais forte de todos da categoria nos anos 2000. A gente tinha o Ben Kingsley no sensacional “Casa de Areia e Névoa”, o Bill Murray no auge com “Encontros e Desencontros” e o Johnny Depp no papel da vida como Jack Sparrow, de “Piratas do Caribe”.  

3.  KEVIN SPACEY, por “BELEZA AMERICANA” 

O Kevin Spacey é um cretino, babaca, um assediador, um sujeito desprezível. Ao mesmo tempo, ele era genial como ator. E “Beleza Americana”, talvez, tenha sido o auge da carreira dele nos cinemas. 

Interpretando um sujeito entediado com a vida medíocre que leva, o Kevin Spacey incorporou a crise da meia-idade como nunca visto antes no cinema. Para isso, enfiou o pé no sarcasmo e na ironia, deixando brilhar a veia cômica para mudar o imaginário popular que o vi com temor desde “Os Suspeitos” e “Seven”. O resultado foi o Oscar de Melhor Ator em 2000. 

2. ADRIEN BRODY, por “O PIANISTA” 

Sabe aqueles caras que nasceram com uma missão na vida? Ganhador do Oscar em 2003 por “O Pianista”, Adrien Brody nasceu para fazer o filme dirigido por Roman Polanski.   

Na luta pela sobrevivência na Segunda Guerra Mundial e para fugir do Holocausto promovido pelos nazistas, A resistência e resiliência de Wladyslaw Szpilman, sem ódio ou raiva, apenas com o instinto humano e o amor à arte sendo a última forma de esperança, são encarnados sem arroubos melodramáticos ou saídas facéis por Brody: há sim um tom singelo como resposta para tanto horror. 

Mesmo com Nicolas Cage brilhante em “Adaptação” e Daniel Day-Lewis mais uma vez arrasador em “Gangues de Nova York”, o Oscar de Adrien Brody é daqueles inegáveis e imbatíveis. 

1. DANIEL DAY-LEWIS, por “SANGUE NEGRO” 

O topo desta lista não podia ser diferente: o genial Daniel Day-Lewis em “Sangue Negro”, atuação formidável vencedora do Oscar em 2008. 

Somente um ator do porte de Daniel Day-Lewis poderia ser capaz de retratar a alma e a imagem de Daniel Plainview, um magnata do petróleo símbolo do grau de desumanização gerado pelo capitalismo. Seja no tom de voz sempre comedido ou na crescente insanidade e isolamento do personagem no decorrer da trama e nos poderosos conflitos com o pastor vivido por Paul Dano, temos, sem dúvida, uma das maiores atuações da história do cinema. 

Mesmo em uma carreira marcada por tantos personagens e filmes importantes como “Meu Pé Esquerdo”, “A Época da Inocência”, “Gangues de Nova York”, “Lincoln” e “Trama Fantasma”, dá para dizer com tranquilidade que este é o melhor trabalho da carreira do Daniel Day-Lewis, o que por si só já diz o suficiente dele estar em primeiro lugar nesta lista.

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