De John G. Avildsen a Art Carney, Caio Pimenta apresenta os 10 maiores resultados injustos do Oscar nos anos 1970. 

10. JOHN G. AVILDSEN, por “ROCKY – O LUTADOR” 

Como eu mostrei no último vídeo, a categoria de Melhor Direção em 1977 já começou errada com a ausência do Martin Scorsese, por “Taxi Driver”. E o resultado foi ainda pior. 

Afinal, venceu quem menos merecia: John G. Avildsen, de “Rocky – O Lutador”, um clássico, mas, que tem no diretor, um dos seus pontos menos interessantes. A lista de indicados tinha nomes incríveis como Ingmar Bergman, por “Face a Face”, Alan J. Pakula, de “Todos os Homens do Presidente”, e Sidney Lumet, por “Rede de Intrigas”, o que deveria ter sido o vencedor. 

Agora, quisesse fazer história mesmo podia ter dado o prêmio para a Lina Wertmuller, de “Pasqualino Sete Belezas”, a primeira mulher indicada a Melhor Direção. 

9. JOHN WAYNE, por “BRAVURA INDÔMITA” 

O John Wayne é um símbolo do faroeste, o gênero máximo criado por Hollywood, e do próprio EUA para o bem e para o mal. Em 1970, a Academia encontrou a oportunidade de ouro para premiá-lo com um Oscar de Melhor Ator por “Bravura Indômita”. Mas, a estatueta deveria ter ido para outro astro. 

O Dustin Hoffman sai do menino ingênuo de “A Primeira Noite de um Homem” para um sujeito marginalizado e malandro em “Perdidos na Noite”. Ao lado do também indicado Jon Voight, ele forma uma dupla amoral, mas, que conquista o público tamanho os perrengues que passam e fragilidades escondidas por figuras poucos vistas pela sociedade em que estão inserida. 

O primeiro Oscar da carreira do Hoffman veio apenas dez anos depois por “Kramer Vs Kramer”. 

8. FAYE DUNAWAY, por “REDE DE INTRIGAS” 

Já cheguei a falar aqui no canal que, por mais que goste da Faye Dunaway, acho o Oscar dela por “Rede de Intrigas” exagerado. E isso piora por duas grandes atuações também indicadas. 

De um lado, a Liv Ullmann, nomeada por “Face a Face”, do Ingmar Bergman.  Já do outro Sissy Spacek, do clássico do terror “Carrie – A Estranha”. Apesar de imortalizada em clássicos como “Persona”, a Ullmann nunca venceu o Oscar e foi aqui a maior chance dela. A Spacek precisou esperar quatro anos para ganhar por um filme e um trabalho inferior ao longa dirigido pelo Brian de Palma. 

7.  GEORGE ROY HILL, por “GOLPE DE MESTRE” 

Aproveitando que já  falando do Bergman, o mestre sueco bem que poderia ter ganhado o Oscar em 1974. 

Em Melhor Direção, o Ingmar Bergman concorria por um dos melhores filmes da carreira, o trágico e angustiante “Gritos e Sussurros”. Porém, a Academia resolveu apostar no tradicionalismo do George Roy Hill, de “Um Golpe de Mestre”, um trabalho com muito charme, estilo, mas, já feito de maneira mais marcante em “Butch Cassidy”. 

A Academia ainda tinha o William Friedkin no genial “O Exorcista” como uma opção mais ousada do que o George Roy Hill. 

6. JASON ROBARDS, por “JULIA”

O sexto lugar vai para uma das vitórias mais inexplicáveis do Oscar nas categorias de atuação. 

Que o Jason Robards é um ator talentoso, carismático e de uma presença sempre muito forte não dá para negar, porém, em “Julia”, a atuação dele não é nada demais até por conta do roteiro que pouco oferece ao personagem. Mesmo com pouco tempo de cena, ele venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1978. 

Para mim, até por uma escolha mais ousada, seria legal ter visto o Alec Guiness vencedor pelo inesquecível Obi-Wan Kenobi por “Star Wars – Uma Nova Esperança”. 

5. O CANDIDATO 

O quinto lugar deste TOP 10 vai para o Oscar de Melhor Roteiro Original de 1975.  

O vencedor foi o Jeremy Lerner pelo esquecível drama político com toques de comédia “O Candidato”, estrelado pelo Robert Redford. Seria um erro qualquer da Academia caso não tivesse entre os indicados “O Discreto Charme da Burguesia”. O roteiro fascinante, surrealista e irônico sobre a elite poderia ter consagrado nos EUA a dupla Luis Buñuel e Jean Claude Carriére. 

“O Discreto Charme da Burguesia”, pelo menos, conquistou o Oscar de Melhor Filme em Língua Inglesa para a França. 

4. OPERAÇÃO FRANÇA 

Eu sou apaixonado por “Operação França”: para mim, é um policial que redefiniu o gênero, foi um marco da Nova Hollywood e consagrou o Friedkin e o Gene Hackman. Isso só para ficar na superfície: dá para falar muita coisa boa do filme. 

Mesmo assim, o Oscar de Melhor Filme de 1972 não era para ter ficado com ele. 

Isso porque estava no páreo nada mais nada menos do que “Laranja Mecânica”. A distopia do Stanley Kubrick pulsava anarquia, rebeldia com um toque de humor sarcástico ao mesmo tempo em que apresenta uma estrutura social hipócrita e extremamente violenta em todos os seus setores. De certo modo, reflete bem o mundo em que vivemos de uma sociedade perturbada.  

Eu acho que, junto com “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, “Laranja Mecânica” são os definidores da carreira do Kubrick mostrando o gênio que ele era, capaz de trazer obras extremamente densas, complexos, mas, sempre preocupada em dialogar com o grande público. Por isso, era merecedor demais daquele Oscar. 

3. INGRID BERGMAN, por “O ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE” 

A medalha de bronze deste TOP 10 vai para uma das vitórias mais constrangedoras da história do Oscar. 

O terceiro e último Oscar da carreira da Ingrid Bergman veio em 1975 na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante por “O Assassinato no Expresso Oriente”. Por mais icônica que seja, a atriz não tem um momento de destaque no filme do Sidney Lumet que justifique a premiação, sendo o trabalho de maquiagem nela o que chama mais a atenção. 

Essa foi uma vitória tão inexplicável que a própria Ingrid Bergman se mostrou completamente surpresa com a premiação e disse no palco do Oscar que a Valentina Cortase, de “A Noite Americana”, merecia muito mais do que ela. Uma verdade absoluta. 

2. BOB FOSSE, POR “CABARET” 

O Oscar de 1973 foi cruel para os votantes da Academia, afinal, eram duas obras-primas: o épico “O Poderoso Chefão” e, do outro, o musical “Cabaret”. Porém, na boa, a Academia errou feio em Melhor Direção. 

Por mais que os números musicais sejam muito bem filmados, haja uma exuberância técnica impressionante e a condução da narrativa alie muito bem o desenvolvimento dos personagens com o contexto político, o Bob Fosse jamais poderia ter vencido o Francis Ford Coppola. O diretor de “O Poderoso Chefão” traz, além de todos os méritos técnicos e narrativos, teve a coragem de bancar o projeto mesmo com todos os riscos, apostas e pressões que poderiam ter arruinado completamente a carreira dele. 

O trabalho do Bob Fosse é genial e seria vencedor justíssimo em qualquer ano, exceto por 1973. 

1. ART CARNEY, por “HARVEY, o AMIGO DE TONTO” 

O resultado mais injusto do Oscar nos anos 1970 foi a vitória do Art Carney em Melhor Ator na edição de 1975. 

Art Carney pode ser muito fofinho e consegue fazer de “Harvey, o Gato” uma produção menos tediosa. Porém, não tinha como ele superar o Al Pacino em “O Poderoso Chefão – Parte 2”. Aqui, ele conduz o público para acompanhar a derrocada moral de Michael Corleone, fazendo tudo de forma comedida até os momentos de maior fúria.  

Pelo menos, teve uma coisa boa desta derrota: em entrevista recente para o Jimmy Fallon, o Al Pacino revelou que passou toda a cerimônia do Oscar de 1975 completamente chapado. Quem ficava o guiando para entender o que estava acontecer foi o Jeff Bridges, indicado naquele ano por “O Último Golpe”. Agora, imagina se ele tivesse vencido o prêmio e fosse o discurso? Acho que ele se tornaria persona non grata no Oscar. 

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