Filmes, para mim, são iguais a pessoas, quando se trata da passagem do tempo: alguns envelhecem bem, outros passam vergonha contando a piadinha do “é pavê ou pá cumê?” pela centésima vez na reunião de família. Com franquias de cinema é a mesma coisa: várias sobrevivem além do prazo, passando embaraço e, em alguns casos extremos, até lançando dúvidas sobre a qualidade dos primeiros filmes delas, aqueles que as tornaram marcantes.

Abaixo, relaciono uma lista de franquias de cinema que, em minha opinião, já se esgotaram. Algumas, por terem sido muito exploradas visando apenas grana fácil; algumas porque entraram num beco sem saída criativo, e algumas porque chegaram ao fim natural das suas narrativas. E sim, as coisas são feitas para acabar um dia – Finitude é um conceito com o qual Hollywood, em especial, vive tendo problemas…

Alien

Em teoria, parece a coisa mais fácil do mundo fazer um novo filme da franquia Alien: é só colocar um grupo de personagens num lugar feio e escuro sendo perseguidos pelo monstro titular. Porém, é justamente essa simplicidade que vem escapando por entre os dedos de cineastas desde os anos 1980, quando James Cameron fez o último filme da franquia realmente ótimo, Aliens: O Resgate (1986). O próprio criador do negócio todo, Ridley Scott, não conseguiu recolocar a franquia nos eixos com seus últimos filmes, e pior, ainda se dispôs a explicar a origem do monstro – explicar o mal nunca, NUNCA deu certo no cinema, e talvez nunca dê. Amo a Ripley e o icônico monstro, mas talvez seja hora de deixar isso aqui descansar em paz.

Piratas do Caribe

A Disney é culpada de não deixar muitas das suas franquias morrerem mesmo depois de expirado o prazo de validade, por isso já avisaram que querem reiniciar Piratas sem o Johnny Depp e seu Jack Sparrow. Mas para quê mesmo? Já não deu? Mesmo um reboot não parecerá mais do mesmo? O primeiro filme foi divertido, o segundo e terceiro passáveis (por pouco), mas de lá para cá nada mais justificou a continuidade desta cinessérie.

Jason Bourne

Vamos ser sinceros: a saga do assassino sem memória Jason Bourne acabou em O Ultimato Bourne (2007). Aquele era o fim, The End, tchau. Mas isso não impediu o estúdio Universal. Por isso, cada vez mais parece que o cineasta Paul Greengrass cavou um buraco para si mesmo com o Jason Bourne de 2016. Como continuar a partir dali? O que ainda pode ser feito com o personagem? E, acima de tudo, a bilheteria nem foi assim tão alta. Não era melhor ter deixado quieto?

Daniel Craig como James Bond

James Bond (com Daniel Craig)

Pode ser que eu queime a língua quando o próximo filme do 007 estrear ano que vem. Mas… Sinceramente, não paira no ar uma sensação de que o Daniel Craig já está fazendo hora extra como James Bond? Esse novo filme demorou tanto para entrar em produção, e teve tantos problemas, que eu fiquei me perguntando se não era melhor trocar logo de ator e reenergizar o interesse por Bond. O mediano último filme, 007 Contra Spectre (2015), apesar dos problemas, era um desfecho apropriado para o Bond de Craig. Podia ter saído por cima, deixando saudades no público – é essencial para os artistas em geral, e para franquias de cinema em particular, saber a hora de deixar o palco. Além do mais, pelo pouco que já foi revelado da nova história, parece que alguns elementos de Spectre serão trazidos de volta – Algo que eu não queria de jeito nenhum, sinto saudades da época em que os filmes de James Bond eram independentes e não capítulos de uma longa série. Mas… Vamos ver. Em 2020 me perguntem se meus temores eram infundados ou não.

Exterminador do Futuro/Halloween

Estas duas franquias tentaram escapar da irrelevância apostando no protagonismo feminino. No caso de Halloween, deu certo, embora a presença marcante da estrela Jamie Lee Curtis e a força do retorno da sua personagem fizeram muitos verem mais qualidades no Halloween de 2018 do que realmente havia. Já Exterminador parece querer seguir os mesmos passos, investindo na icônica Sarah Connor de Linda Hamilton. Quanto ao resultado, ainda veremos, mas o primeiro trailer lançado não me animou nem um pouco. Em ambos os casos, parece que Curtis e Hamilton, mulheres fortes por excelência, estão ali apenas para que produtores consigam espremer um pouco mais dois bagaços que já deram todo o suco que tinham para dar no cinema. Espero que pelo menos elas estejam sendo bem pagas.

MIB

O filme mais recente trocou os velhos Homens de Preto do passado, Will Smith e Tommy Lee Jones, pelos mais jovens Chris Hemsworth e Tessa Thompson – pegando carona na Marvel, sem dúvida. Mesmo assim, o público respondeu com um sonoro “E daí?” nas bilheterias. O resultado morno – e segundo relatos, marcado por problemas de produção – mais do que sugere que é hora de aposentar o terno escuro. Só trocar de atores e fingir que traz algo de novo não cola mais, Hollywood.

Indiana Jones

Os Caçadores da Arca Perdida (1981) é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos – Se não o tivesse visto na infância, talvez não estivesse escrevendo aqui no Cine Set… Por isso, Indiana Jones é um personagem que mora no meu coração. No momento, o roteiro de um novo filme com o herói está sendo desenvolvido, para ser dirigido por Steven Spielberg no ano que vem. Nesta hora a razão fala mais alto que o coração: Por mais que goste do personagem, volto a me perguntar, ainda há o que ser feito com ele? E a decepção de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008) permanece viva na memória. Talvez seja melhor deixar o arqueólogo aventureiro descansar com seu lugar assegurado na história do cinema.

Toy Story

Sentimentos conflitantes aqui… Quando anunciaram que iriam fazer um quarto Toy Story, assim como muitos, me perguntei “Para quê?” depois do perfeito Toy Story 3 (2010). Mas veio Toy Story 4 e… Não é que ele é muito bom? O novo filme é um capítulo digno e belo da cinessérie, com temas profundos e uma história que com certeza ganhará ainda mais ressonâncias com o tempo. Porém… Para mim é também o “menos bom” de todos os Toy Story. Já vejo nele alguns defeitos e probleminhas que os anteriores não possuem – conveniências de roteiro e repetição de algumas situações. Toy Story 4 acaba sendo um filme meio esquisito: Fico feliz que exista, mas ao mesmo tempo torço para que este seja realmente o fim para a saga de Woody e os brinquedos. Ah, a propósito, Carros é outra franquia da Pixar que já se esgotou também.

Menções honrosas para as ganâncias de J. K. Rowling e James Cameron

Cinco filmes de Animais Fantásticos Quatro continuações de Avatar…

No primeiro caso, já se pode notar os sinais de desgaste: Apesar dos inúmeros fãs de Harry Potter pelo mundo, o segundo Animais Fantásticos já apresentou uma bilheteria decepcionante, e só a ganância do estúdio Warner e da escritora J. K. Rowling explicam esticar essa nova franquia para cinco filmes no total.

Já no caso de Avatar…

Bem, como franquia ela ainda nem começou tecnicamente, mas cada vez mais parece ser um projeto de vaidade de James Cameron do que qualquer outra coisa. O primeiro Avatar é um filme do qual eu até gosto, mas à parte seus feitos técnicos ele não foi assim tão marcante. Uma sequência, duas, até vá lá. Mas quatro? Será que, como franquia, Avatar já vai nascer esgotado? A maior tristeza é pensar em quantos filmes Cameron, um dos maiores diretores da história dos gêneros sci-fi e ação de todos os tempos, podia ter feito antes de embarcar nessa.

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