Da ausência de Julie Delpy passando por “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, Caio Pimenta analisa as maiores esnobadas do Oscar nos anos 2000.

10.  JULIE DELPY, por “ANTES DO POR-DO SOL 

A décima posição fica com a não indicação da Julie Delpy, de “Antes do Pôr do Sol”, na categoria de Melhor Atriz no Oscar 2005. 

A Julie Delpy brilha na combinação da garota cheia de vida e apaixonante do primeiro filme com um amadurecimento natural e singelo de Celine ao longo daqueles nove anos. A cena do táxi e o final do filme com a música são arrasadoras. 

É inacreditável pensar que a Delpy perdeu a vaga para a Catalina Sandino Moreno, de “Maria Cheia de Graça”, e a Annette Bening, de “Adorável Júlia”. As duas estão bem em seus respectivos filmes, mas, claro, que tinha espaço fácil para a estrela de “Antes do Por do Sol”. 

9. “BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS”

Em 2009, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” foi solenemente ignorado no Oscar, ficando fora da categoria de Melhor Filme. 

A Academia gastou toda a miopia dela com a exclusão do filme de Christopher Nolan: incapaz de ver uma obra muito acima da média dos filmes de HQs até então produzidos, com um elenco excelente e uma história dialogando muito bem com temas atuais, a entidade optou por escolhas mais confortáveis como “O Leitor” e “Frost/Nixon”. 

Essa esnobada foi tão absurda que motivou o Oscar no ano seguinte a permitir que até 10 filmes pudessem concorrer a Melhor Filme. Pena que isso veio tarde demais. 

8. BAZ LHURMANN, por “MOULING ROUGE” 

É difícil entender como “Moulin Rouge” consegue 8 indicações ao Oscar e não tem o diretor nomeado. Foi o que aconteceu com o Baz Luhrmann. 

Filme que introduziu o musical no século XXI, “Moulin Rouge” é todo do Baz Luhrmann. Da extravagância da direção de arte e figurinos às piruetas da montagem passando pela trilha sonora repleta de clássicos do pop, pode-se ver em cada detalhe elementos característicos do diretor australiano. Raros são os filmes com uma identidade tão própria e ligada a seu diretor como Baz Luhrmann faz em “Moulin Rouge”. 

Teria tirado fácil o Ridley Scott, indicado por “Falcão Negro em Perigo”. Isso para não falar do Ron Howard, de “Uma Mente Brilhante”, que acabou sendo o vencedor. 

7. BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS 

Um dos filmes mais inventivos do século conseguiu apenas duas indicações ao Oscar em 2005. “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, porém, merecia muito mais. 

Não dá para acreditar e aceitar que a ficção científica de Michel Gondry foi preterida da disputa de Melhor Filme para dar lugar ao insosso “Ray” ou ótimos filmes como “Sideways” e “Em Busca da Terra do Nunca”. E o que falar do Jim Carrey? O que ele precisava fazer mais para ser indicado a Melhor Ator? Simplesmente inaceitável. 

6. ANDY SERKIS, por “O SENHOR DOS ANÉIS” 

O Oscar demora muito para reconhecer movimentos inovadores ou ousados dentro do cinema mundial, por isso, muitas vezes, decepciona a gente com todo o seu conservadorismo. O Andy Serkis soube muito bem disso nos anos 2000. 

O intérprete de Gollum na trilogia “O Senhor dos Anéis” mostrou como o processo de captura de movimentos poderia permitir sim boas atuações. Bastava a tecnologia certa para tornar crível o que vemos em tela e, principalmente, um grande intérprete como Andy Serkis é. 

Lamentavelmente, a Academia, até hoje, rejeita esse tipo de trabalho e o Andy Serkis passa longe de conseguir ser indicado. 

5. CIDADE DE DEUS 

Cidade de Deus” conseguiu quatro indicações ao Oscar em 2004, incluindo, uma para o Fernando Meirelles em Melhor Direção. Porém, no ano anterior, o filme foi esnobado na categoria dos estrangeiros. 

Segundo a imprensa internacional da época, a violência de “Cidade de Deus” chocou integrantes da Academia nas sessões especiais feitas nos EUA. Com isso, o filme brasileiro acabou preterido para produções esquecíveis como o mexicano “O Crime do Padre Amaro”, o holandês “Zus & Zo” e o finlandês “O Homem Sem Passado”. 

Se tivesse concorrido, “Cidade de Deus” teria superado facilmente o alemão e ganhador do Oscar, “Lugar Nenhum na África”. Mas, essa não é uma exclusividade nossa não: o austríaco “Cache”, de Michael Haneke, o belga “A Criança”, dos irmãos Dardenne, e o espanhol “Volver”, do Pedro Almodóvar, também foram ignorados. 

4. UMA THURMAN, de “KILL BILL” 

Exceção feita a Sigourney Weaver em “Aliens – O Resgate”, as grandes heroínas de ação do cinema americano não conseguem espaço no Oscar. Aconteceu com Linda Hamilton, em “O Exterminador do Futuro”, Carrie Anne-Moss, em “Matrix”, Charlize Theron, em “Mad Max”. E a sina se repetiu com a Uma Thurman, em “Kill Bill”. 

No primeiro filme, a Uma Thurman encarna o melhor estilo de uma heroína de ação soltando a mão e matando os inimigos que se colocam à frente dela. Já no segundo, temos um trabalho em uma pegada mais intimista em que o drama e humor se encaixam muito bem. Nem dos estilos, entretanto, convenceram a Academia. 

3. CIDADE DOS SONHOS 

cidade dos sonhos david lynch

2002 teve uma das melhores seleções de indicados ao Oscar de Melhor Filme com o primeiro “O Senhor dos Anéis”, “Moulin Rouge” e “Gosford Park”. Mesmo assim, a principal produção daquele ano ficou de fora da disputa. 

“Cidade dos Sonhos” é uma das obras mais fascinantes da carreira de David Lynch. A primeira parte mais linear e calcada na Los Angeles e indústria do cinema é deliciosa, mas, nada se compara ao que acontece após o surgimento da caixinha azul. Poucos são os filmes imortais de verdade e, “Cidade dos Sonhos”, é, sem dúvida, um deles. 

Ainda dá para criticar a Academia pela esnobada sem explicações da Naomi Watts, no melhor papel da carreira dela, em Melhor Atriz. 

2. SACHA BARON COHEN, por “BORAT” 

A esnobada do Sacha Baron Cohen, por “Borat”, no Oscar 2006 deixou muito claro que as atuações de comédia estarão sempre em segundo plano na temporada de premiações. 

Afinal de contas, ele cria um personagem icônico pelo jeito de falar, situações absurdas em que se coloca sem nenhum tipo de filtro, disposto a ir até o limite para fazer graça. Mas, tudo isso não é à toa: com Borat, Baron Cohen mostra o ridículo dos seus próprios entrevistados, os quais não se opõem às bizarrices ou absurdos ditos pelo protagonista, expondo os próprios pensamentos escondidos. 

Quando a gente vê o Terrence Howard indicado por “Ritmo de um Sonho” e o Baron Cohen de fora é de chorar. 

1. MATRIX 

15 anos de Matrix

“Matrix” teve 100% de aproveitamento ao vencer quatro Oscars em 2000: Montagem, Efeitos Visuais, Efeitos Sonoros e Som. Mesmo assim, foi muito pouco para o que ele poderia ter sido na premiação. 

“Matrix” ficou de fora de Melhor Filme dando lugar para o insosso “Regras da Vida”, as irmãs Wachowski nem cogitadas foram para estar em Melhor Direção, em Roteiro Original, a Academia ficou com “Topsy Turvy” e, por fim, Figurino, a ficção científica foi deixada de lado para o fraquinho “Anna e o Rei”. 

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