Que dias, caros leitores! Que dias! Os últimos dias foram bem lotados, com muito corre-corre, e portanto este Diário de Bordo vem em versão estendida com tudo o que rolou nos dias 6 e 7 desta cobertura do Festival de Cannes.

O Dia 6 começou com a sessão de “The Meyerowitz Stories (New and Selected)”, o novo filme do Noah Baumbach que é um dos dois da Seleção Oficial que chega a Cannes com muita controvérsia por ter o envolvimento da Netflix – o outro é “Okja”, que já conferi.

Agora, vamos lá: Meyerowitz não é uma produção original da empresa de streaming, é apenas distribuído por ela, como Baumbach depois explicou em coletiva.

Seja por isso ou seja porque a recepção calorosa dos meus colegas jornalistas a “Okja” tirou um pouco o ranço contra a Netflix, a sessão do novo projeto de Baumbach quase não teve vaias quando o logo da companhia apareceu. Pelo contrário, houve aplausos – e o filme saiu bem falado, de maneira geral, da sala.

A coletiva que se seguiu, com Baumbach, Dustin Hoffmann, Ben Stiller e Adam Sandler, seguiu o ritmo congratulatório de Cannes esse ano (ninguém está dando uma de Von Trier, para a infelicidade deste repórter que vos fala), mas, pelo menos, Adam Sandler nos deu um tchauzinho, então tá valendo.

Pela parte da tarde, a missão era se deslocar para o Espaço Miramar, que recebe a mostra paralela Semana da Crítica, para conferir “Gabriel e a Montanha”, de Fellipe Barbosa. A sessão estava lotada e, com a presença dos realizadores, resultou num filme ovacionado.

Na saída, ainda consegui bater um papo com o Fellipe, que estava super ocupado dando atenção a todos ao redor, mas mantendo a conversa comigo enquanto andávamos pelas ruas de Cannes em direção ao jantar de comemoração ao qual ele iria. Me senti naqueles dramas do Aaron Sorkin, confesso.


Dias de Haneke e Kidman

O dia 7 começou numa atmosfera completamente diferente, com a sessão de “The Killing of a Sacred Deer”, de Yorgos Lanthimos, deixando o público atônito. Posso dizer que, de todos os filmes que conferi até agora, esse foi o que senti que mais deixou o público e os críticos divididos. Na saída, ouvi tanto gente amando quanto odiando o filme.

Na conferência, a diva Nicole Kidman apareceu, foi super simpática e recebeu várias perguntas sobre a atual fase da carreira. Teria recebido minha pergunta sobre a posição de mulheres mais velhas na indústria, mas a senhora responsável por decidir quem teria a vez de perguntar se recusou a ver meu braço levantado insistentemente. Enquanto isso, o diretor evitou a todo custo responder a perguntas sobre o sentido de seu filme.

Emendei com uma coletiva de “Happy End”, de Michael Haneke, que ainda não conferi (pretendo fazer isso hoje), mas não podia perder a chance de estar com Isabelle Huppert e o diretor austríaco, que comentou sobre as redes sociais, presentes no seu novo filme, e como o projeto se relaciona com o cancelado “Flashmob”, longa que ele dirigiria dois anos atrás, mas que nunca foi feito. De quebra, ainda consegui um autógrafo dos dois num dos raros momentos de real tietagem que me permiti aqui em Cannes!

Infelizmente, por mais que eu tenha ficado na fila por uma hora, não consegui entrar na sessão do meu segundo filme planejado do dia, “How to Talk to Girls at Parties”, de John Cameron Mitchell, o qual realmente queria assistir.

Com meus dias acabando aqui em Cannes, estou me preocupando em adiantar mais conteúdo e ficar um pouco menos no vuco-vuco para cuidar mais do site. Por conta disso, para os últimos dias, tenho somente “Happy End” e “The Beguiled”, da Sofia Coppola, na listinha. O clima dessas sessões fica para os próximos Diários de Bordo.


Até lá!

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