Começa nesta quarta-feira, dia 24 de janeiro, o 47º Festival Internacional de Cinema de Roterdã. Dois longas-metragens brasileiros estão na disputa na Competição Hivos Tiger Awards, o principal prêmio do festival holandês: “Mormaço”, de Marina Meliande; e a coprodução “Djon Africa”, de João Miller Guerra e Filipa Reis. Para além deles, a participação do cinema brasileiro este ano é bastante extensa. No total, 15 longas e 3 curtas-metragens estarão na programação, distribuídos pelas diversas mostras do evento.

“Mormaço”, longa de Marina Meliande na disputa pelo Hivos Tiger Awards, conta a história de Ana, uma jovem advogada carioca que se divide entre seu trabalho em uma comunidade prestes a ser despejada por conta dos Jogos Olímpicos do Rio, um novo amor e uma doença misteriosa. O envolvimento do filme com o Festival de Roterdã vem de longe. Ainda como projeto, “Mormaço” participou do Cinemart, mercado de coprodução que acontece no âmbito do festival e também recebeu recursos do Hubert Balls Fund, fundo de investimento gerido pelo evento holandês, para a sua produção. O filme também foi um dos vencedores, em 2014, da primeira edição da Chamada Pública PRODECINE 05, linha do Fundo Setorial do Audiovisual que investe em projetos de linguagem inovadora e relevância artística.

O outro filme com DNA brasileiro na competição principal é “Djon Africa”, dirigido pelos portugueses João Miller Guerra e Filipa Reis. A coprodução Portugal-Brasil-Cabo Verde acompanha a história de Miguel ‘Tibars’ Moreira, filho de cabo-verdianos que nasceu e cresceu na periferia de Lisboa e que toda a vida foi criado pela avó. Miguel viaja até Cabo Verde para conhecer as suas raízes e encontrar o pai, que nunca conheceu. O longa foi contemplado na edição de 2015 do edital de coprodução Brasil-Portugal, parceria da ANCINE com o ICA-IP. Na época, o projeto tinha o nome de “John África na Terra dos Leões”.

Na mostra Bright Future, voltada para diretores em seu primeiro ou segundo filme, são quatro os participantes brasileiros: “Azougue Nazaré”, de Tiago Melo; “Inferninho”, de Guto Parente e Pedro Diógenes; “Sol alegria”, de Tavinho Teixeira; e “El hombre que cuida”, de Alejandro Andújar. Este último, uma coprodução da República Dominicana com Porto Rico e Brasil. Na Bright Future Shorts, para curtas-metragens, temos “Antes do lembrar”, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes.

Outra mostra com extensa participação brasileira é a Voices. Nas diversas sub-seções estão um total de oito produções brasileiras. Na principal estão “Açucar”, de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro; “Benzinho”, de Gustavo Pizzi; e “The Cleaners”, coprodução com a Alemanha, de Hans Block e Moritz Riesewieck, contemplada pelo PRODAV 01 do Fundo Setorial do Audiovisual. “Gabriel e a montanha”, de Fellipe Barbosa, aparece na programação da Limelight, que seleciona destaques do circuito de festivais que estrearão comercialmente na Holanda logo após o evento. No recorte Rotterdämerung, dedicado aos filmes de gênero, conseguiram espaço “Clube dos canibais”, de Guto Parente; e “As boas maneiras”, de Marco Dutra e Juliana Rojas. Já a Voices Short exibe os curtas “Merencória” e “A passagem do cometa”, respectivamente de Caetano Gotardo e Juliana Rojas.

A seção Deep Focus exibe os documentários “Neville d’Almeida – Cronista da Beleza e do Caos”, sobre o cineasta brasileiro, dirigido por Mario Abbade; e a coprodução com Portugal “Quem é Bárbara Virgínia”, de Luísa Sequeira, sobre a primeira cineasta portuguesa a realizar um longa-metragem. E, finalizando a invasão brasileira na Holanda, “Café com canela”, de Ary Rosa e Glenda Nicácio, ganhou espaço na programação da mostra PACT – Pan-African Cinema Today.

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