A série da Netflix “13 Reasons Why” pode ajudar os jovens a falarem com as famílias sobre temas como abuso sexual, suicídio e depressão, segundo revelou um estudo realizado para conhecer o impacto do programa.

A pesquisa, feita pela Universidade Northwestern com mais de cinco mil jovens e responsáveis de Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos, descobriu que de 74% a 80% dos entrevistados sofrem com problemas similares aos apresentados na série.

“Está claro que os jovens no mundo todo estão lidando com estresse, assédio, suicídio de pessoas que conhecem e por isso se enxergam no programa. Uma coisa interessante que notamos com esta pesquisa é o fato de que o programa fornece informação extra sobre estes temas aos adolescentes e aos pais”, disse à Agência Efe Ellen Wartella, pesquisadora-chefe da equipe.

A pesquisa também revelou que de 65% a 82% das pessoas ouvidas afirmaram que a série fez com que “abrisse os olhos” a respeito de assédio e depressão. Além disso, em nível global, até 88% dos entrevistados disseram que o programa ajudou a entender melhor as causas e consequências da depressão, do suicídio, do bullying e do abuso sexual.

“Muitos jovens nos disseram que não tinham percebido que o suicídio afetava tantas pessoas e o quão difícil era”, destacou.

De acordo com a pesquisa, de 51% a 67% dos jovens disseram que “13 Reasons Why” era uma autêntica representação da vida escolar. Logo que foi lançada, a série recebeu críticas por apresentar imagens consideradas fortes.

A equipe criativa defendeu a importância de apresentar uma imagem verdadeira do que acontece com os jovens para que se identificassem.

“A autenticidade é fundamental quando estamos contando histórias para pessoas jovens. Neste programa realmente tratamos os jovens como as pessoas complexas que são e tentamos apresentar o que está acontecendo na vida deles da forma mais legítima possível. É por isso que está repercutindo com eles”, explicou à Efe Matt Thunell, diretor de séries originais da Netflix.

No último episódio da primeira temporada, os produtores incluíram uma peça chamada “Beyond the Reasons”, que trabalha com base na análise de diferentes especialistas em saúde mental o tema do suicídio. A pesquisa também notou que muitos jovens que viram a série passaram a ter uma atitude mais empática com outras pessoas que podem estar passando por momentos difíceis.

Baseado no sucesso de Jay Asher, “Os Treze Porquês” (Ed. Ática), a série acompanha a vida de Clay Jensen, um garoto que, ao voltar da escola, encontra uma misteriosa caixa com o seu nome na porta de casa.

Ao abrir, ele descobre 13 fitas cassetes gravadas por Hannah Baker, colega de escola e antiga paquera, que se suicidou duas semanas antes. Nas gravações, ela detalha as razões que fizeram com que decidisse tirar a própria vida.

A produção da Netflix, lançada em março de 2017, tem 13 episódios com uma hora de duração cada. Os protagonistas são Dylan Minnette (Clay Jensen) e Katherine Langford (Hannah Baker).

A continuação está prevista para estrear ainda este ano. Antes de começar, a temporada vai exibir um vídeo dos atores falando diretamente com o espectador e destacando que “no minuto em que você começa a falar sobre o assunto, fica mais fácil.”

Além disso, o site oficial da série agora sugere centros de ajuda em 59 países. No Brasil a lista aponta o Centro de Valorização da Vida (CVV) e a organização SaferNet.

da Agência EFE

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