Cine Odeon, Chaplin, Guarany, Renato Aragão, Eden, Cinema Novo…

Os cinemas de rua do Centro de Manaus marcaram época desde o surgimento da sétima arte na capital. Porém, desde a primeira metade dos anos 2000, tudo virou passado e as salas de exibição, atualmente, concentram-se nos shoppings centers. Liderado por Rod Castro e Emerson Medina, a turma do coletivo ‘Planos em Sequência’ promete trazer a história destes importantes espaços culturais para todo o Brasil no telefilme “A Última Sessão”.

Projeto aprovado no edital da Manauscult em parceria com o Fundo Setorial do Audiovisual, “A Última Sessão” está previsto para ter as gravações iniciadas em julho deste ano. O telefilme pretende trazer entrevistas com artistas, donos de cinema, vendedores ambulantes e espectadores marcados pelos cinemas espalhados na Avenida Joaquim Nabuco, Eduardo Ribeiro, Ramos Ferreira, entre outros.

Entre os entrevistados estão os proprietários de antigos cinemas como, por exemplo, Antônio Gavinho e Joaquim Marinho, artista plástico e pintor dos quadros e cartazes, Marius Bell, o porteiro Senhor Morais, os cineclubistas Jorge Bandeira e Tom Zé, o jornalista Mário Adolfo, o engenheiro Mário Toledo e o escritor Simão Pessoa.

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Homenagem a Joaquim Marinho

Além de contar a história dos cinemas de ruas do Centro de Manaus, “A Última Sessão” vai prestar uma homenagem a Joaquim Marinho. Dono de nove empreendimentos do setor na época de auge das salas de exibição na região central da cidade, o empresário foi um dos mais importantes agitadores culturais da capital.

“É impossível falar de cinema em Manaus sem lembrar do Marinho. Ele teve essa ideia fantástica de colocar nos cinemas nomes de grandes estrelas. Todos com autorização! Lembro da vinda do Renato Aragão para inaugurar o cinema. Marinho ainda teve papel fundamental para a formação de uma geração de cineastas locais como Márcio Souza, Djalma Limongi Batista, Roberto Kahané e Aurélio Michiles”, afirmou Rod Castro, recordando a vinda da equipe de “Bye Bye Brasil” para lançar o filme em Manaus. “Aquilo teve um impacto gigantesco. Uma coisa é assistir o filme, outra é ter o artista na tua frente”, completa.

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Resgate da memória sem nostalgia

Diretor e co-roteirista do telefilme, Rod Castro era um desses apaixonados pelos cinemas de rua, especialmente, do Cantinflas e Cinema Novo. Após estar à frente dos premiados curtas “Et Set Era” e “A Lista” e da websérie “Largo de São Sebastião”, considera este o maior desafio da carreira como realizador audiovisual. “Este é um projeto que trago na minha cabeça há muito tempo e pelo qual possuo grande afeição. O Emerson Medina me estimulou bastante a tirar do papel. Tenho noção da importância do “A Última Sessão” ao retratar esse passado. Muitos dos que realizam cinema em Manaus foram impactados por estas salas do Centro e os filmes exibidos nelas”, afirmou.

“A única diversão dos anos 1980 que Manaus oferecia era ir ao cinema. Boa parte da equipe vivenciou isso, principalmente, eu e o Medina. Minha infância foi isso. Lembro que a minha primeira ida ao cinema foi no Cinema Novo no colo de alguma pessoa da minha família para assistir o “E.T”. O cinema surgiu como o documento de uma época e isso é a nossa história. E isso não está documentado e, quem sabe, o filme possa resgatar esse sentimento”, declarou o diretor do telefilme.

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Rod, entretanto, rechaça que o filme terá uma pegada nostálgica: “Acho que não existe nostalgia. Para mim, sempre se dá um passo à frente, dando dois atrás. É importante que pessoas que têm uma base maior resgatem a história para mostrar aos jovens a necessidade do conhecimento. O conhecimento atual, muitas vezes, é superficial. Pretendemos abrir a câmera e deixar as pessoas darem as suas verdades. Mas, vamos mostrar o contraste de como era e como está. O grande foco é mostrar o abandono destes cinemas, centros culturais, sendo que hoje tem quem passe e mal sabe que ali foi um cinema”, disse.

Já Emerson Medina descarta um confronto entre os multiplexs atuais dos shoppings centers e com os antigos cinemas de rua. “Se alguém tocar no tema, no depoimento, pode ser que fique na versão final. É um registro, mas conduzido por histórias de quem viveu, trabalhou para dar uma ideia de como era. Difícil não ter algo de nostálgico. A questão é como contar essas histórias sem ser muito quadrado”, declarou, considerando que os cinemas do Centro eram mais democráticos com as presenças de famílias, trabalhadores e estudantes.

plano sequenciaEquipe de “A Última Sessão”

Rod Castro será o diretor do telefilme dividindo a função e o roteiro com Emerson Medina. Já Leonardo Mancini fica a cargo da direção de produção, enquanto o atual apresentador do programa ‘Zappeando’, Moacyr Massulo é o produtor executivo. Por fim, Diego Nogueira está responsável pelo trabalho de som.

O quinteto forma o grupo “Planos em Sequência”. O coletivo já realizou importantes projetos audiovisuais recentes do cenário amazonense como, por exemplo, “Et Set Era”, “A Lista”, “A Doce Dama”, “Nascer, Crescer e Negar” e a websérie “Largo São Sebastião”. Em “A Última Sessão”, eles voltam a trabalhar com a 602 Filmes, de Yure César.

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