O Dia 4 de cobertura do Festival de Cannes no Cine Set começou com muito glamour: um motorista fechando a porta do ônibus na minha cara, ou você acha que essas coisas não acontecem na Riviera Francesa? Apesar do contratempo, cheguei à Croisette e pude conferir Okja, do Bong Joon-Ho, longa que atraiu uma fila imensa de pessoas a despeito do horário, 8h30.

O filme chocou os presentes logo de cara com a vinheta do Netflix, exatamente igual à que passa na sua telinha quando você resolve atualizar as suas séries. Como se não bastasse, ainda teve falha técnica e o filme precisou ser interrompido  – ou você também não acha que essas coisas acontecem em Cannes?

Após a exibição do longa, não deu para correr o suficiente e entrar na sala de conferências de imprensa, mas foi possível ficar do lado de fora, esperando os astros saírem, o que rendeu uma agradável surpresa: a chance de ficar cara a cara com a Tilda Swinton!

Depois disso, o dia deu uma acalmada e valia a pena tentar comer alguma coisa – afinal, críticos de cinema também se alimentam, mesmo depois de respirar o mesmo ar de Tilda Swinton. Nas minhas andanças pelo lado de fora, achei um quiosque perto da estação que vende umas pedaços de torta e quiche a 2 euros e umas baguetes imensas, tipo aquele sanduíche de 30 cm da Subway, a 4 eurinhos. Achei jogo pra fugir das besteiras de supermercado que havia comprado.

Ah, se a Tilda comesse um desses comigo…

Lógico que eu não ia perder a chance de farofar com o lanche que eu comprei – uma baguete entupida de frango. Levei para a Croisette, sentei na calçada e mandei ver, num momento bem proletário no meio do festival mais luxuoso do mundo. Ainda bem que a Tilda não viu. Eu acho.

Foi mais ou menos aí que um pombo resolveu me fazer de privada. Sério. Para complicar, a sessão de Visages Villages, de Agnès Varda, estava para começar e eu precisava entrar. Então sim, eu entrei no Palais com cocô de pombo na calça e corri para me limpar lá dentro. Jornalismo tem dessas.

Tô cagado, mas tô em Cannes

A sessão foi uma experiência completamente à parte do festival: a diretora Agnès Varda estava presente, na humildade. A belga de quase 80 anos e com uma carreira mais do que consolidada no cinema estava com vergonha do assédio do tapete vermelho, mas feliz e honrada de fazer parte de Cannes.

Quando entrou, foi ovacionada de pé. Quando o filme começou, também. Quando ele terminou, também. Foi um momento mágico em que pudemos lembrar o quanto o amor pelo cinema também move a máquina chamada Cannes. Ao final, ela parecia que ia chorar com a resposta do público e eu juro que quase chorei com ela. O filme e a sessão me tocaram muito, o que vocês poderão conferir com mais detalhes na crítica sobre o filme.

Varda mora nos nossos corações sim!

Na saída do Palais, passeando um pouco na volta pra estação, descobri um cinema fora do complexo que também exibe filmes do festival e é bem charmosinho, o Olympia. Com credencial ou com convite, você entra tranquilo, e me pus a pensar como, até agora, não tive problemas em entrar em nada com minha credencial azul. Agora, uma dica: se você pretender passar por Cannes durante o festival e quiser pleitear um lugar numa sessão, você terá que se fiar nos convites, que são assim.

O singelo Olympia

Amanhã começam os dias com três filmes para assistir. Tomara que eu dê conta.

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