Em um bate-papo com jovens cineastas durante um evento da Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do Festival de Cannes, realizado nesta quinta-feira (17), o diretor Werner Herzog criticou, de maneira generalizada, os realizadores alemães de sua geração por terem ficado parados no tempo.

“Estou contente por não ter feito filmes sobre a Alemanha contemporânea, porque eles estariam presos à década de 70. Muitos dos pares de minha geração ficaram presos à década de 70. O único, para mim, que tinha capacidade para ir além era [Rainer Werner] Fassbinder. Ele evoluiu para além da sua Alemanha. Nos seus últimos filmes, ele pisou bem longe daquele círculo estreito de pensamento alemão e sentimento político alemão. Ele tinha algo de muito selvagem, como um javali”, destacou.

O prolífico cineasta comentou que, apesar disso, ele se considera um diretor da Bavária, região do sul da Alemanha onde nasceu, e que leva isso aonde quer que rode seus filmes. “Todos os meus filmes são filmes bavarianos. Eu deixei meu país, mas não minha cultura”, asseverou.

O bate-papo ocorreu pela ocasião do diretor ser o recipiente da Carroça de Ouro, prêmio concedido pela Sociedade dos Realizadores de Filmes (SRF) a um de seus pares, deste ano. Parte das atividades da Quinzena dos Realizadores desde 2002, a premiação é um reconhecimento da “audácia, exigência e intransigência da mise en scène e produção”.

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