A série distópica “The Handmaid’s Tale” retorna em abril para a segunda temporada, com a promessa de momentos ainda mais angustiantes, ao mesmo tempo que vai além dos eventos do romance feminista da canadense Margaret Atwood.

Os produtores da série produzida pela plataforma de streaming Hulu anteciparam que a nova temporada mostrará novas locações, personagens e reviravoltas na trama, sem deixar de lado o ambiente de terror de Gilead.

“Sobre a cena de abertura da segunda temporada: seja lá como você pensa que vai ser, esquece”, disse a protagonista, Elisabeth Moss, ao canal Bravo.

“Seguiu em uma direção completamente diferente do que eu esperava”.

Publicado em 1985, o livro de Atwood é leitura obrigatória nas escolas, muitas vezes colocado no mesmo nível de outras obras de ficção como “1984” de George Orwell e “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley.

Inspirou um filme, uma graphic novel, uma ópera e um balé, além é claro da primeira temporada da série do Hulu, que venceu oito Emmys, três Critics Choice Awards e dois Globos de Ouro.

A série se passa em um futuro não muito distante no que era a Nova Inglaterra, desmantelada por um golpe teocrático que resultou na criação de Gilead, um regime tirânico em que os homens impõem castigos brutais e o estupro é determinado pelo novo Estado em meio a uma crise de infertilidade.

Moss interpreta June/Offred, umas das poucas mulheres férteis, denominadas “handmaids” e que adotam o nome de seus “donos” – altos membros do governo -, que, por sua vez, as estupram em uma “política” para aumentar a população mundial.

A série retorna no Hulu em 25 de abril.

“Parte da resistência”

A série estreou em um momento – abril de 2017 – em que a visão de pesadelo de Atwood encontrou algum eco na sociedade americana, cenário de massacres inspirados pela religião, ataques sexuais em universidades e um ataque a uma clínica de aborto.

Alguns críticos chegaram a opinar que “The Handmaid’s Tale” era um produto lógico do pior cenário possível dos Estados Unidos de Donald Trump.

As vendas do livro dispararam depois que o republicano venceu a eleição em 2016 e sua mensagem de igualdade de gênero ganhou ainda mais força após o escândalo de abusos sexuais em Hollywood, protagonizado pelo produtor Harvey Weinstein e outros pesos pesados da indústria.

O produtor executivo da série, Warren Littlefield, afirmou, após a vitória no Globo de Ouro em janeiro, que gostaria que o programa não fosse tão atual como demonstrou ser.

“Quando começamos a desenvolver e depois a produzir a série, o mundo era muito diferente do que é hoje. Não era o mundo de Trump”, disse.

“No meio da primeira temporada a realidade mudou e cada dia é uma recordação de nossa responsabilidade honrar a visão de Margaret Atwood, além de também ser parte da resistência”.

A segunda temporada, que terá no elenco Marisa Tomei e Bradley Whitford, mostra como a ditadura se formou e introduz as colônias, zonas contaminadas para as quais são enviados os dissidentes, muito similares a campos de concentração.

Também mostrará a história dos dissidentes no Canadá, incluindo Moira (Samira Wiley), que consegue escapar ao final da primeira temporada, depois de ser estuprada em diversas ocasiões. No novo país ela encontra Luke Bankole (OT Fagbenle), o marido de June, sua melhor amiga.

“Os dois podem estar em Little America, em Toronto, mas não deixaram completamente Gilead e Gilead não saiu completamente deles. Assim podemos lidar com o trauma e as repercussões de tudo isto”, destacou Littlefield.

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