Podem aumentar o som das guitarras que hoje é dia do rock! Sim, este ainda é um site sobre cinema. Só que quem disse que sétima arte e ‘roquenrrol’ não combinam? Seja na trilha sonora ou até mesmo no roteiro, o ritmo tem se feito presente nas telonas.

Mas hoje vamos fazer diferente. Nada de lista com os melhores roqueiros do cinema ou os que mereciam uma biografia (Freddie Mercury!). O Cine Set conversou com alguns músicos-cinéfilos da cena manauense e eles contaram para a gente que filmes – não necessariamente sobre bandas ou tudo que envolve os bastidores da música – eles consideram mais condizentes com o espírito ‘rock and roll’.

Diego Souza, baixista da Supercolisor

Quase Famosos (2000), de Cameron Crowe

Diego Souza, baixista da Supercolisor + Quase Famosos (2000), de Cameron Crowe

A minha escolha é por motivos emocionais. Foi assistindo esse filme quando criança que eu percebi que existe toda uma cultura ao redor da música, do rock n roll em particular, pela qual há milhões de pessoas apaixonadas em todo o mundo. Não é só a música, é um estilo de vida, e eu sempre achei isso interessante. O filme, pra mim e pra muita gente, também foi uma espécie de porta de entrada pra conhecer várias bandas clássicas que são citadas nele, então além de divertido, ele é muito educativo.


Markeetoo Silva, baterista da Ed Ondo

O Balconista (1995), de Kevin Smith

Markeetoo Silva, baterista da Ed Ondo + O Balconista, de Kevin Smith

O motivo: o filme foi feito com orçamento baixíssimo provando que uma boa ideia, executada de forma coerente e com o mínimo de qualidade pode virar referência pra toda uma geração. Feito às margens da grande indústria hollywoodiana, deu asas à imaginação de um cara novo como o Kevin Smith, quase como uma banda de garagem. Além do mais, o filme tem uma trilha sonora rock’n’roll que faz a gente imergir no ambiente do rock alternativo dos anos 90.


Beto Montrezol, produtor musical e baterista da Hightower e da Monochrome

Quanto Mais Idiota, Melhor (1992), de Penelope Spheeris

Beto Montrezol, produtor musical e baterista da Hightower e da Monochrome + Quanto Mais Idiota, Melhor (1992), de Penelope Spheeris

Esse filme eu vi quando era moleque e me marcou muito. O filme é todo sobre rock and roll – banda, programa sobre rock, gravadoras, tudo. Isso, sem contar a cena que eles cantam “Bohemian Rhapsody”, do Queen. Tem outros filmes importantes também, como “Encruzilhada”, “Detroit Rock City” e “Rockstar”.


Ian Fonseca, vocalista e pianista da Supercolisor

Alta Fidelidade (2000), de Stephen Frears

Foto de Ian Fonseca, vocalista e pianista da Supercolisor + Cena de Alta Fidelidade (2000), de Stephen Frears

É baseado no livro de um escritor que gosto a beça, que é o Nick Hornby. O filme é sobre “audiófilos” chatos. O John Cusack faz o dono de uma loja de discos onde trabalha também o Jack Black. Quem gosta de música em geral, e especialmente quem gosta de ter e ouvir discos físicos, vai se identificar.


Raonny Oliveira, guitarrista das bandas Máfia e Monochrome

Filmes do Martin Scorsese

Foto de Raonny Oliveira, guitarrista das bandas Máfia e Monochrome

Bom, se eu puder fugir um pouquinho da regra eu queria citar um diretor: o Martin Scorsese. O nome dele me veio na cabeça imediatamente.  Você pega os grandes filmes dele e a maioria são emoldurados com clássicos do rock e do blues. As músicas são escolhidas a dedo e quando você conhece um pouco da história das canções, a cena ganha um gás que não teria se fosse editada com algo composto especifico para o filme. Você pega “Os Bons Companheiros”, “O Lobo de Wall Street”, “Os Infiltrados” e todos são recheados de Cream, Rolling Stones, Eric Clapton, Sid Vicious, Allman Brothers, Beach Boys, além do blues de Howlin Wolf, Elmore James e Muddy Waters.

Em termos estéticos, ainda tem o “Taxi Driver”, que traduz no cinema o que o mundo iria conhecer na música como punk: “Taxi Driver” é um filme punk demais, foi lançado em 1976, o mesmo ano do primeiro disco dos Ramones, os dois ícones de Nova York! Isso sem contar com os documentários rock n roll dirigidos por ele, como “O Último Concerto de Rock”, “Shine a Light” e “Living in the Material World”.


Olívia de Moraes, vocalista e guitarrista da Anônimos Alhures

Violeta Foi Para o Céu (2012), de Andrès Wood

Foto de Olívia de Moraes, vocalista e guitarrista da Anônimos Alhures + Cena de Violeta Foi Para o Céu, de Andrès Wood

Trata da vida da Violeta Parra, que foi uma compositora chilena, além de artista plástica. Embora compusesse dentro de um gênero melhor classificado como Música Popular Chilena dos anos 50, muito longe do alcance das guitarras inglesas e americanas, para mim a música e atitude dessa mulher são completamente embebidos do espírito do rock.

Ela tocava violão junto a um grupo chileno que interpretava músicas folclóricas da região, mas ela era uma alma incompreendida: queria falar de amor, mas também de temas sombrios, dramáticos.

Fugiu do óbvio, rompeu. Quando as mudanças não foram assimiladas pelos pares, foi pra Europa; quando esperavam dela a tradição, ela temperou o folclore com emoções atípicas, protestou politicamente; quando queriam alegria e festividade, ela levantou uma voz errática e tocou violão com dissonâncias que, naquela época, nem no rock era comum; quando esperavam feminilidade sensual, ela levantou a bandeira do feminismo. Se tivesse ganhado uma guitarra e tivesse crescido com uns “galerosos” de Londres, ela provavelmente seria punk ou sabe-se lá o quê. No fim das contas o rock é um espírito, o resto é só roupagem.


E você, que filmes colocaria na sua lista roquenrrol?

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