Nascido em São Gabriel da Cachoeira, Regis Myrupu conseguiu um feito histórico na última sexta-feira (15): ele venceu o prêmio de Melhor Ator do Festival de Locarno pelo trabalho em “A Febre”. Estreante na atuação, o indígena esteve na Suíça para receber a estatueta chamada de Leopardo. A produção dirigida por Maya Da-Rin foi gravada em Manaus em 2018.

Em entrevista ao site oficial do Festival de Locarno, o ator se disse surpreso com o prêmio. “Não sabia que eu tinha essa habilidade. Mas, com a ajuda da diretora, consegui transmitir o que estava dentro de mim”, afirmou. Myrupu aproveitou também para destacar o panorama sócio-ambiental do Brasil.

“Nós, povos indígenas, estamos vivendo um momento muito difícil. Não só nós, mas também a nossa casa, a floresta, está sendo destruída. Então, um indígena recebendo um prêmio como esse, mostra a nossa força e capacidade de atuarmos na sociedade não indígena, seja participando de um filme, seja como médicos ou advogados, sem que isso signifique a perda das nossas origens ou o esquecimento da nossa cultura”, declarou.

Co-produção entre Brasil, Alemanha e França, “A Febre” traz Regis Myrupu interpretando um indígena de 45 anos chamado Justino, vigilante em um porto de cargas e morador da periferia de Manaus. Desde a morte da sua esposa, sua única companhia tem sido sua filha Vanessa, mas ela está de partida para estudar medicina em Brasília. Sob o sol escaldante e as chuvas tropicais, Justino esforça-se para manter-se concentrado no trabalho. Com o passar dos dias, ele é tomado por uma febre forte. Em seus sonhos, uma criatura vagueia perdida pela floresta. Na televisão, o noticiário fala de um animal selvagem que ronda o bairro. Justino acredita que está sendo seguido, mas não sabe se quem o persegue é um animal ou um homem.

Produção ainda não tem data para estrear nos cinemas brasileiros.

CONFIRA FOTOS DE “A FEBRE”:

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