Depois de ‘MIB’ e ‘O Iluminado’, a franquia ‘As Panteras’ ganhou reboot neste ano, sendo quase um revival da série e longas anteriores. Apesar de encarar um público saturado de remakes e antigas propostas recicladas de Hollywood, a produção consegue se tornar relevante e justificar sua existência. Entretanto, para isto ser possível, o roteiro beira o simplismo na tentativa de emplacar o trio de protagonista, o que é feito com muita dificuldade.

Nesta versão, a trama apresenta uma Bosley mulher (Elizabeth Banks) comandando as Panteras em uma grande e perigosa missão. Assim, as veteranas Sabina (Kristen Stewart) e Jane (Ella Balinska) aprendem a trabalhar com Elena (Naomi Scott), alvo de uma grande empresa após denunciar um perigoso programa de energia.

Desde os primeiros minutos, “As Panteras” luta para emplacar as três protagonistas como novos rostos da franquia e, mesmo com a ótima escolha de elenco, a construção das personagens não colabora em nada para esta causa. Jane é apresentada como a mais calculista do trio, porém seus momentos de humor se revelam muito bons perto das tentativas dadas à Sabina, a qual é obviamente o alívio cômico juntamente de Elena. Aqui, além das cenas vergonhosas de humor, o principal problema é que as personagens não possuem momentos suficientes para aprofundar suas trajetórias pessoais. Assim, todo carisma necessário para o trio demora até ser vislumbrado pelo público.

Como se isso já não bastasse, as cenas de ação não apresentam grandes novidades, apesar de serem bem filmadas. Fechando este arco, a montagem do filme cria inúmeros momentos de transição com a trilha sonora e imagens de um novo país explorado pelas protagonistas, o que se torna essencialmente cansativo.

Empoderamento até a última gota

Presente no próprio nome do filme, o empoderamento presente no filme reflete em diferentes elementos da produção. Desde a trilha sonora feita unicamente por mulheres até a negação da hipersexualização feminina, Banks, como diretora e roteirista, insiste em deixar sua marca na franquia. Assim, o roteiro ganha diálogos mais simbólicos e situações que tocam em diversas feridas do universo feminino como a descredibilização da mulher e rivalidade feminina.

A ideia de ser uma continuação, na verdade, é aproveitada como uma forma de atualizar as narrativas dos antigos filmes para a atualidade. Desta forma, diversas homenagens e easter eggs são feitos relembrando as produções anteriores de forma muito respeitosa e apropriada, criando uma boa relação com o público. Outro fator que também ajuda nesta dinâmica é a presença de rostos conhecidos: além de Noah Centineo e Sam Claflin, as cenas pós-crédito relevam boas surpresas.

Apesar de não ter recebido uma resposta positiva nas bilheterias, “As Panteras” vale a ida ao cinema se você busca uma história simples e divertida. Mesmo com uma nova roupagem e elenco, a proposta iniciada em 1976 ganhou mais um importante capítulo, o qual consegue preservar a premissa de mulheres como protagonistas em uma trama de ação. Em um ano cheio de tantos remakes e reboots ruins, ‘As Panteras’ é a menor das preocupações.

‘A Nuvem Rosa’: ficção científica dos nossos tempos

"Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência". Esta é a frase que a cineasta gaúcha Iuli Gerbase escolhe para abrir o seu primeiro longa-metragem intitulado "A Nuvem Rosa". O aviso prévio acaba se tornando um conselho ao espectador de como receber o filme....

‘Roaring 20s’: Nouvelle Vague encontra Linklater em passeio por Paris

Um dos filmes mais charmosos exibidos no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary deste ano, "Roaring 20s", segundo longa de Elisabeth Vogler, é uma viagem bem-humorada pelo coração de Paris em um dia de verão. A produção, que recebeu o prêmio de Melhor...

‘Batman’ (1989): o filme que mudou a visão sobre super-heróis em Hollywood

Eu jamais vou esquecer aquele momento. Viaje no tempo comigo, leitor: 1989, tarde de domingo no centro de Manaus. Fui ver Batman de Tim Burton com toda a minha família. Foi no Cine Chaplin e a sala estava lotada, com gente sentada até no chão dos corredores – algo...

‘Otar’s Death’: comédia de olhar irônico sobre a mesquinhez humana

Uma relação em frangalhos, um acidente e uma quantia enorme de dinheiro são os elementos que colocam "Otar's Death" em movimento. O filme de estreia do diretor georgiano Ioseb 'Soso' Bliadze, que estreou na mostra Leste do Oeste do Festival Internacional de Cinema de...

‘Memória’: Apichatpong Weerasethakul anda em círculos em viagem à Colômbia

Na calada da noite, a protagonista de "Memória", novo filme de Apichatpong Weerasethakul (“Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”), acorda com um barulho. Ela está desperta e sabe, de forma inata, que nada será como antes. Infelizmente, a mesma sensação...

‘Cop Secret’: ex-goleiro estreia na direção com subversiva sátira aos filmes de ação

O goleiro Hannes Þór Halldórsson se despediu da seleção da Islândia, em setembro deste ano, depois de 10 anos que viram o time alcançar algumas de suas maiores consagrações – a ida à primeira Copa do Mundo em 2018 e chegar às quartas de final da Eurocopa 2016. No...

‘Maligno’: a bem-vinda alquimia macabra de James Wan

Caro leitor, uma perguntinha pra você: quando foi a última vez em que você estava vendo um filme e ficou com a sensação de que não tinha a menor ideia de para onde a história estava indo? Quando foi a última vez em que disse para você mesmo: “não sei para onde isso...

‘Espíritu Sagrado’: sci-fi espanhola de caminhos intrigantes

Em "Espíritu Sagrado", crianças desaparecem, ovnis aparentam estar circulando pelos céus e grandes conspirações se mostram onipresentes. No entanto, no rico microcosmo criado pelo diretor e roteirista Chema García Ibarra, nada é exatamente como parece. Esta...

‘A Máquina Infernal’: o aterrorizante mercado de trabalho brasileiro

"A Máquina Infernal", curta de estreia do roteirista Francis Vogner Dos Reis, reimagina a falência de uma fábrica do ponto de vista do empregado, trocando o realismo por um clima de puro terror. O filme foi uma das duas produções brasileiras selecionadas para o...

‘Fantasma Neon’: musical dos trabalhadores invisíveis do Brasil

Se quem canta, seus males espanta, um entregador de comida tem que passar o dia todo cantando pra ter paz. Essa é a premissa de "Fantasma Neon", uma explosão de cor, dança e música que representou o Brasil no Festival de Locarno deste ano. O filme dirigido por...