Candidato do Distrito Federal na mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Festival de Gramado 2020, “Wander Vi”, de Augusto Borges e Nathalya Brum, é, ao lado de “Blackout”, verdadeira incógnita desta seleção. Trata-se, sem dúvida, de uma produção com boa intenção, feita na base da garra por seus realizadores devido às claras limitações técnicas e orçamentárias, com uma temática social importante e protagonista carismático, porém, nada apresenta de diferente em relação a tantos e tantos outros trabalhos do tipo seja na forma ou no mesmo no conteúdo. 

Com 20 minutos de duração, “Wander Vi” acompanha a história de Wanderson Vieira, um cantor de Samambaia, região administrativa do Distrito Federal. Enquanto trabalha durante a noite/madrugada para conseguir o dinheiro mensal, ele luta para viabilizar a carreira musical, o grande sonho da vida dele. Isso inclui desde ensaios de dança até as gambiarras e pequenos investimentos feitos para gravar suas músicas. 

De longe, o ponto alto do documentário é o próprio Wanderson: sempre com alto astral e nunca cedendo a todas as dificuldades impostas pelo mercado e a sociedade, é impossível não criar um carinho por ele ao longo do filme. O sonho de querer viver da música, a emoção de estar no palco e os planos dos shows são contados com brilho nos olhos, fora o vozeirão e a capacidade de rir de si próprio – a cena relativa aos softwares é o ponto alto de “Wander Vi” – nos levam a torcer para que consiga brilhar o quanto antes. Essa empatia gerada pelo protagonista segura o público de um filme que não consegue ir muito além disso. 

Afinal, o documentário pouco amplia o debate sobre a temática a partir da vida de Wanderson. Quando tenta fazê-lo ao se referir ao processo artístico ser extremamente caro e quase inviável em um país miserável como o Brasil, a dupla de diretores acaba por se atropelar à fala do protagonista, perdendo toda a sutileza da condução até ali e o impacto do momento. Sem um maior aprofundamento e com pouca criatividade visual na forma de como ilustrar aquela história para além do lugar comum, “Wander Vi” deixa a impressão que poderia ser feito em qualquer lugar com qualquer artista de uma pequena ou grande cidade da mesma forma. 

Não chega a ser um demérito até pela juventude dos diretores Augusto Borges e Nathalya Brum que, certamente, irão evoluir a partir de um trabalho inicial no limite do correto como este. Porém, quando colocado em uma mostra competitiva de um evento tradicional como Gramado e ao lado, por exemplo, de um filme excelente como “Inabitável”, “Wander Vi” soa, no mínimo, deslocado. 

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