Suspenses como “Aposta Máxima” servem para duas coisas: uma grana extra para um estúdio de Hollywood (no caso, a Fox) e manter o nome dos envolvidos no projeto na mídia. Somente isso explica os motivos de Ben Affleck, atual Batman e vencedor do Oscar deste ano por “Argo”, e Justin Timberlake, maior astro pop do momento e dono de um disco recém-lançado bastante elogiado, participarem de um filme tão desinteressante do ponto de vista artístico.

O longa traz a história do jovem universitário Richie Furst (Timberlake) que descobre uma fraude durante um jogo de cartas online. Com os dados do roubo em mãos, o protagonista segue para Costa Rica, onde está o proprietário do site Ivan Block (Ben Affleck). Admirado com os dados apresentados, o magnata convida o jovem para fazer parte dos negócios. Porém, ao entrar no mundo de jogatina, um submundo de violência, negociatas, subornos será descoberto.

Com um início baseado em supostas notícias divulgadas pela mídia sobre as denúncias envolvendo a indústria de jogos de cartas online, “Aposta Máxima” parece que vai se propor a fazer uma crítica sobre esse negócio. Porém, os furos do roteiro matam qualquer mínima pretensão desse tipo. Conhecido como “Mágico de Oz” pela forma como se mantém precavido, Block se mostra como um sujeito acessível até demais, vide o jeito como Furst consegue conhecê-lo. Outra situação inexplicada é a maneira como se descobre as falcatruas do personagem de Affleck, já que qualquer nerd consegue acesso a dados confidenciais do site. Além disso, as denúncias contra o jogo em si ficam sempre em segundo plano para focar no duelo entre os antagonistas.

O roteiro, porém, não consegue aproveitar isso e sofre em criar miníma densidade aos personagens principais. Mesmo pagando propinas e consciente de estar envolvido em atividade econômica ilegal, Furst sempre surge com a aura de sujeito ingênuo, incapaz de perceber a totalidade do negócio em que está metido.  Isso fica evidente quando pergunta a Block durante um jogo de basquete se está fazendo a coisa errada ou fica chocado com a violência do negócio. Já Block é o vilão típico: acesso de raivinha ali, fala mansa acolá, risinho cínico para cá e uma demonstração de violência para deixar tudo claro ao espectador.

As péssimas atuações de Timberlake e Affleck contribuem para afundar ainda mais o filme, enquanto Gemma Anderton está ali apenas para o público masculino ficar ba-ban-do, já que a personagem dela pouco contribui para o suspense da trama. A direção de Brad Furman (“O Poder e a Lei”) é tão inspirada quanto o trabalho do elenco, chegando ao ponto de apostar sempre nas paisagens paradisíacas da Costa Rica para indicar passagem de tempo. Lembra até as novelas de Manoel Carlos na Globo.

O grande show no Rock in Rio e a participação no filme mais recente dos irmãos Coen, “Inside Llewyn Davis”, fazem crer que Justin Timberlake está em ótima fase na carreira. Já Affleck comprovou com “Argo” talento como cineasta e vai ter um desafio imenso para agradar os fãs de Batman. “Aposta Máxima” será relegado ao esquecimento logo após as luzes da sala de exibição serem acesas, sem macular a imagem dos envolvidos.

O seu dinheiro, porém, estará rendendo uns bons trocados para os envolvidos no filme.

NOTA:5,5

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