A essa altura do campeonato, Aldemar Matias já é celebrado como um dos principais expoentes do cinema amazonense atual. O título é justo: o diretor transborda sutileza e sensibilidade em documentários introspectivos e surpreendentes.

“When I Get Home” é um dos dois filmes dirigidos por Aldemar em 2015 a fazer parte da Mostra do Cinema Amazonense (o outro é “El Enemigo”). Ele traz o drama de Luís e Tomás, um casal cubano que divide uma casa em Havana e relembra causos de seus 28 anos de convivência.

Longe dos água-com-açúcar estadunidenses, este filme não se apresenta como uma história de amor, mas sim de ausência: depois de tantos anos juntos, o casal se fala somente para o básico e vive uma vida definida por tarefas que não são executadas em conjunto, o que é visto em planos certeiros em que os dois ocupam espaços distintos na tela, aproximados por espelhos – uma proximidade ficcional, claro.

Suas personalidades aparentemente antagônicas podem ser parte do problema, com Luís se mostrando o grande falastrão mais romântico e saudosista e Tomás, o durão calado. Luís, no entanto, vê nisso uma completude. “Somos como côncavo e o convexo”, diz ele, em certo momento da projeção. Enquanto plateia, ficamos sem resposta, e eles também.

A realidade cubana se mostra em detalhes pequenos e significativos, como o que ajuda a explicar o nome do filme, uma canção dos Beatles que não consta na edição cubana de um de seus álbuns, mas Aldemar não está interessado nisso. Ele vai atrás do não-dito, mas cuja existência é sabida, tal como a referida canção.

As lacunas, nós preenchemos.

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