Destaque de curtas locais premiados como “A Menina do Guarda-Chuva” e Aquela EstradaAdanilo encara o desafio do primeiro internacional da carreira. O ator amazonense será um dos protagonistas de “Eureka”, co-produção entre Argentina, EUA, México e Portugal com direção do argentino Lisandro Alonso. 

Adanilo terá companhias ilustres no elenco de “Eureka”, incluindo, Viggo Mortensen, conhecido por viver Aragorn na trilogia “O Senhor dos Anéis” e estrelar o ganhador do Oscar, “Green Book”. Esta será a segunda parceria entre o astro novaiorquino com Lisandro Alonso: juntos, eles fizeram “Jauja”, em 2014. A portuguesa Maria de Medeiros (“Pulp Fiction” e “Pasolini”), o iraniano Rafi Pitts (“A Floresta”), o mexicano Jose Maria Yazpik (“Narcos: México”) e o brasileiro Márcio Mariante completam o time. 

“Eureka” abrange um extenso período de tempo, entre 1870 a 2019, e será dividido em quatro partes. Segundo o diretor em entrevista ao site The Film Stage, a produção será focada na cultura nativa do continente americano, fazendo uma ligação entre os tempos e os continentes. Depois do México, as filmagens seguem para Portugal, onde Viggo Mortensen gravará suas cenas, e depois terminam nos EUA. 

‘LINGUAGEM UNIVERSAL DO CINEMA’ 

Gravações no México começaram na segunda quinzena de abril

Em entrevista exclusiva ao Cine SetAdanilo conta que o diretor acreano Sérgio de Carvalho, com quem fez o filme “Noites Alienígenas”, foi o responsável pela ponte com Lisandro Alonso. A logística não é das mais fáceis pelo difícil acesso à região, o que, segundo o ator, torna a experiência uma bem-vinda aventura.  

É minha primeira produção internacional. Vejo que é muito parecido, como se existisse essa linguagem universal do cinema. O que posso citar de distinção são os idiomas que temos que lidar, aqui espanhol e inglês. O idioma é um pouco a tradução do modo de pensar e por aí vejo algumas ideias diferentes em relação ao fazer cinematográfico. O diretor de fotografia, por exemplo, é Timo Salminen, um finlandês, e tenho observado e aprendido o método de trabalho dele”, declarou. 

O cuidado com os protocolos sanitários devido à Covid-19 segue os mesmos tanto no Brasil quanto no exterior. “Eureka” não é o primeiro trabalho de Adanilo em plena pandemia: o amazonense gravou a segunda temporada de “Segunda Chamada”, da TV Globo e precisou se adaptar à rotina de testes constantes e uso de máscaras.  

PARALELO MÉXICO/MANAUS 

“Eureka” é o novo filme de Lisandro Alonso, diretor do elogiado “Jauja”.

Gravando no México desde a segunda quinzena de abril nas florestas e montanhas de Puerto Escondido, o ator amazonense irá interpretar um indígena inserido na comunidade Chatina, povo tradicional da região de Oaxaca. Com a aproximação de um garimpo, o personagem fica dividido entre a possibilidade deste trabalho ou ficar com o povo que vive. 

Esta realidade tão próxima do que se observa em Manaus com indígenas saindo de suas comunidades para trabalhar nas grandes cidades chegou a fazer “Eureka” a ser cogitado rodado no Amazonas. Porém, de acordo com Adanilo, o desmonte do audiovisual brasileiro visto nos últimos anos tornou uma possível co-produção inviável. 

“É interessante pensar no paralelo entre o Polo Industrial de Manaus e um garimpo. Em alguma medida, ambas coisas são o sonho capitalista da boa vida, das conquistas materiais. De diferente na atualidade, vejo um maior pertencimento indígena que tem o México, falando especificamente dessa região onde estou convivendo, aprendendo, Oaxaca. Vários povos cultivam seus dialetos, cultuam suas culturas. Em Manaus, mesmo com o processo de retomada indígena, que nos últimos anos ganhou mais força, não nos alcança ainda um entendimento mais geral da diversidade dos nossos povos amazônicos, a necessidade do reconhecimento dos territórios, melhorias na saúde e educação, combate ao racismo”, disse. 

DE ‘MARIGHELLA’ A ‘OMÁGUAS’ 

“Noites Alienígenas” será um dos próximos filmes de Adanilo nos cinemas nacionais

Com retorno marcado para o Brasil no dia 9 de maio, Adanilo terá um agitado 2021. Ainda neste segundo semestre, ele volta a Manaus para roteiro do longa “Omáguas – Povo das Águas”, e filmar o curta-metragem “Castanho”, escrito e dirigido por ele mesmo. Os dois projetos contemplados pela Secretaria de Cultura do Amazonas com recursos da Lei Aldir Blanc. 

A expectativa também fica por dois aguardados lançamentos: na televisão, o amazonense será uma das atrações da nova temporada da ótima “Segunda Chamada” ao lado de Débora Bloch, Paulo Gorgulho, Thalita CarautaHermila Guedes e Silvio Guindane; já nos cinemas, espera-se a estreia de “Marighella”, a polêmica estreia de Wagner Moura na direção adiada por diversas vezes seja por conta de burocracias da Ancine seja pela pandemia. 

Em Manaus, Adanilo foi um dos fundadores da Artrupe Produções Artísticas e deu os primeiros passos no cinema com “A Menina do Guarda-Chuva”. Pouco depois, ele retomou a dobradinha com Rafael Ramos e protagonizou “Aquela Estrada” e, em seguida, “O Tempo Passa”, de Diego Bauer. A participação na elogiada peça “Casa de Inverno” registrada em “Formas de Voltar Para Casa” acabou sendo o último trabalho dele junto com o grupo amazonense. Ao se mudar para o Rio de Janeiro, integrou o grupo Teatro Galeroso e, dali, chegou a “Marighella” e também ao longa “Um Dia Qualquer”, de Pedro Von Kruger . 

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