A realidade aumentada que tem deixado muito marmanjo louco com Pokémon Go é fichinha perto das propostas similares que alguns realizadores já tentaram retratar no cinema. O jogo coloca os monstrinhos nipônicos virtualmente em nosso caminho, mas no cinema, o conceito de realidade aumentada e realidade virtual levou a relação homem-tecnologia aos seus extremos, como bem mostra nossa lista:

5.“Eles vivem” (1988), de John Carpenter

Essa pequena pérola de Carpenter traz uma proposta aterradora e interessante: a de que óculos escuros poderiam ser usados por um humano que, através de suas lentes, veria o mundo “de verdade”. No caso, não é um mundo cheio de monstros fofinhos que você pode colocar para lutar em determinados locais, e sim, um ambiente no qual a mídia, o dinheiro e outros itens do cotidiano são usados como arma ideológica numa dominação alienígena. Podemos entender como uma espécie de realidade aumentada às avessas…

4.“O congresso futurista” (2013), de Ari Folman

É um filme que transita entre os conceitos de realidade aumentada e realidade virtual. Na trama, a atriz Robin Wright (interpretada por… Robin Wright!) tem o corpo escaneado para ser usado como uma espécie de avatar em futuras produções cinematográficas. O conceito se expande, de forma que, num futuro não muito distante, qualquer pessoa pode viver sua vida a partir de representações numa realidade virtual, enquanto o corpo físico existe numa realidade que nem de perto é tão rica (e psicodélica) como a que a mente experimenta. Entra na categoria “Virtual reality gone wild”!

3.“Hyper-reality” (2016), de Keiichi Matsuda

O intrigante curta-metragem de apenas seis minutos mostra um dia na vida de uma mulher em Medelin, Colômbia, ao fazer tarefas corriqueiras num mundo imerso por tecnologias de realidade aumentada. O visual lembra as viagens de um “Enter de Void”, de Gaspar Noé, mas as funcionalidades vistas misturam auxílio na resolução de tarefas, jogos que se misturam com os afazeres e, como é de praxe em filmes envolvendo tecnologias “do futuro”, um plot twist um tanto assustador.

2.Trilogia Matrix (1999; 2003; 2003), de Lilly e Lana Wachowski

A trilogia idealizada pelas irmãs Wachowski definiram a toda uma geração o conceito cinematográfico de realidade virtual. Nos longas, o herói Neo (Keanu Reeves) consegue acesso ao real plano da existência humana e descobre que nosso cotidiano nada mais é que uma representação virtual criada por máquinas que, na verdade, aprisionam nossos corpos e os utilizam como fonte de energia. A tomada de consciência, claro, vem com muita ação, tiros e poderes extraordinários. O longa seque uma máxima que o cinema adora desde muito tempo: a das máquinas enquanto inimigas.

1.”Avatar” (2009), de James Cameron

Com “Avatar”, Cameron entra na lista por uma dia dupla: enquanto a trama do filme trabalha claramente com o conceito de realidade virtual – o personagem principal vivencia experiências a partir de uma existência mediada por máquinas –, a realidade aumentada também foi usada como estratégia para estender a narrativa para além da tela de cinema. Ao associar-se à empresa Matel, a marca “Avatar” trouxe ao mercado bonecos que, munidos de uma etiqueta i-TAG, permitiam recriar uma versão do brinquedo na tela do computador, como se fosse um holograma. Ao mover as etiquetas, os hologramas representados na tela também se mexiam, e se você tivesse várias i-TAGs, poderia fazer com que eles duelassem, por exemplo.

BÔNUS: algumas experiências atuais

Propostas de realidade aumenta têm encontrado espaço principalmente no contexto publicitário de blockbusters. “Esquadrão suicida”, por exemplo, trouxe filtros para snapchat e instagram que podem nos deixar com o visual da Arlequina (com direito à chiclete) ou do Coringa. O filme também conta com o “Squad 360: the VR experience”, que nos coloca no centro da ação através de realidade virtual.

Alguns meses antes, em dezembro de 2015, o lançamento de “Star Wars: Episódio VII – O despertar da força” trouxe alguns recursos similares para além dos já tradicionais games. Um aplicativo lançado permitia, por exemplo, que você pudesse ter uma foto com o Yoda ou Darth Vader. Outra funcionalidade dele era poder tirar uma foto enquadrando o pôster do longa, o que fazia com que um dos personagens do filme (BB-8 ou um trooper, por exemplo, aparecessem na imagem).

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