Durante “O Exterminador do Futuro – Gênesis”, o personagem de Arnold Schwarzenegger repete: “estou velho, mas não obsoleto”. Além de ser uma brincadeira com os efeitos da passagem do tempo na fisionomia do astro, a frase se encaixa de maneira perfeita à franquia como um apelo ao público de que ainda tem algo oferecer. O quinto filme da série, porém, mostra o contrário.

Sendo bem direto, este filme atual não chega a ser ruim. Isso, claro, se comparado ao que foi o morno “A Rebelião das Máquinas” (2003) e o desastroso “A Salvação” (2009). O ritmo aplicado pelo diretor Alan Taylor (do ótimo “Thor – O Mundo Sombrio”) nos primeiros 30 minutos, com ação ininterrupta e o roteiro sendo dinâmico ao apresentar as viagens no tempo sem se perder, criam uma sensação de urgência ao filme capaz de prender o espectador. O problema reside nos fracos personagens que precisamos acompanhar.

O romance de Kyle Reese (o insosso Jai Courtney) e Sarah Connor (Emilia Clarke deixa qualquer um com saudade de Linda Hamilton) parece saído de “Malhação”; Jason Clarke não aproveita a boa possibilidade trazida pela trama em reinventar a imagem de John Connor e cria uma figura caricatural (tem até cicatrizes o coitado) e J.K Simmons deve estar endividado para passar tal vergonha. O único que se sai bem é Arnold Schwarzenegger por saber se sacanear e não se levar à sério. Com tantos personagens apagados, “O Exterminador do Futuro – Gênesis” precisa recorrer a uma série de sequências de ação para manter o interesse do público, o que até faz com êxito como, por exemplo, na bela sequência da perseguição de helicópteros no clímax do filme.

“O Exterminador do Futuro – Gênesis” não decepciona os fãs de filmes de ação com todas as explosões e tiros ao longo de duas horas de exibição. Porém, deixa o gosto amargo semelhante ao proporcionado por “Jurassic World”: a constatação de uma franquia com tanto potencial, responsável por gerar dois clássicos da ficção científica (ambos dirigidos por James Cameron), se tornar um caça-níquel dentro de um entretenimento corriqueiro.

A série “O Exterminador do Futuro” pode não estar velha, mas corre o risco de ser descartável. Ou melhor, obsoleta.

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