Desde outubro de 2017, quando o The New York Times reportou as diversas denuncias de abusos sexuais contra Harvey Weinstein, as alegações provocaram um divisor de águas no tratamento do assédio sexual na industria do cinema, o que de origem ao movimento #MeToo. Encorajando vítimas a denunciar abusos sofridos, a mobilização culminou na queda de diversos nomes poderosos. Nesso contexto, o impacto nas produções cinematográficas tem sido enorme. De medidas para conduta em sets de gravações até o impulso para o maior participação de mulheres atrás das câmeras, os movimentos #MeToo e Time’s Up inauguram uma nova Era para o cinema mundial, além de definir nova conduta a ser tomada, o momento reflete diretamente nas produções fílmicas. O CineSet separou 10 títulos, alguns já lançados e outros em fase de produção, que demonstram bem o efeitos causados pelo #MeToo.


1. Adoráveis Mulheres

Greta Gerwig sentiu o impacto do #MeToo e Time’sUp já no inicio do ano, com sua indicação histórica na categoria de melhor direção no Oscar. Quebrando o jejum de oito anos desde a última indicação para Kathryn Bigelow, ainda assim Gerwig foi apenas a quinta mulher a receber tal indicação. Seguindo a abertura provocada pelo movimento, Greta é a responsável pela nova adaptação do clássico da literatura norte-americana, “Adoráveis Mulheres”. Roteirizado e dirigido por Gerwig, o livro que já foi adaptado mais de dez vezes tanto para o cinema como televisão, reunirá um time de tirar o fôlego. A nova versão conta com Meryl Streep, Saoirse Ronan, Emma Watson, Laura Dern, Timothee Chalamet e o francês Louis Garrel. O longa com previsão de lançamento para dezembro de 2019, acompanha quatro irmãs e a matriarca durante a Guerra Civil Americana.



2. 
Capitã Marvel

Foi necessário a perspectiva de mudança causada pelo movimento #MeToo, para a Marvel finalmente produzir o primeiro filme protagonizado por uma super-heroína. Com estreia marcada para 6 de março do próximo ano, Capitã Marvel abriu as portas da casa para outras produções do tipo. Recentemente, o estúdio confirmou a realização do spin-off de Viúva Negra, que já conta com Cate Shortland na direção. Depois do blockbuster estrelado por Brie Larson, a Marvel Studios prometeu ainda mais filmes protagonizados por super-heroínas.



3. 
Mulher Maravilha 2

Tão logo pipocou na mídia as acusações de abuso sexual contra Brett Ratner, responsável por Mulher Maravilha, circulou rumores que a estrela israelense Gal Gadot teria dado ultimato para a demissão do produtor. Segundo a atriz, o produtor não estava escalado para a continuação, e bem como ela o sentimento de revolta era parte de todos os envolvidos no filme. Por essa razão, a Warner Bros. não hesitou em cortar relações definitivamente com Ratner. Além disso, a esperada sequência é o primeiro filme a adotar as regras antiassédio definidas pelo Sindicato dos Produtores. A política estabelece protocolos para que vítimas e testemunhas possam informar assédios sofridos, bem como diretrizes para maior segurança dentro e fora dos sets de gravação.



4. 
On The Basis of Sex

A cinebiografia da americana Ruth Bader Ginsburg, primeira mulher a integrar a Suprema Corte dos Estados Unidos, é simbólico efeito do poderoso movimento. A justiça norte-americana sempre foi palco para diversas produções cinematográficas, responsável pelo imaginário criado sobre judiciário, o longas sempre foram apresentados do ponto de vista masculino. On The Basis of Sex, além de colocar a visão de mulher, conta a trajetória real na conquista de espaço no ambiente sexista do época pela ministra. Protagonizado por Felicity Jones, o filme tem estreia prevista para 25 de dezembro.


5. Fair and Balanced

Outro projeto a contar com um timaço é a produção biográfica sobre a ascensão e a queda do ex-chefão da Fox News, Roger Ailes, acusado de assédio sexual pelas ex-apresentadoras do canal Megyn Kelly e Gretchen Carlson. O filme, produto do atual momento, entra nos escândalos sexuais contra poderosos da industria audiovisual, ainda conta com um elenco de estrelas: Nicole Kidman no papel de Carlson, Charlize Theron como Kelly, Allison Janney como Susan Estrich, John Lithgow será Ailes, Margot Robbie como uma produtora associada da Fox.


6. 
The Tale

Mesmo iniciado o projeto anos antes das denuncias estamparem jornais e o movimento ganhar corpo, o dilacerante manifesto de Jennifer Fox é uma representação afiado para o #MeToo. Protagonizado por Laura Dern, The Tale conta as experiências pessoais da direitora e roteirista, na descoberta dos constantes abusos sexuais sofridos por ela na infância. Impactante e cru, o filme enfatiza bem a importância de movimentos como esse, e lembra a importância de usar o cinema como instrumento de voz para mulheres constante silenciadas.



7. 
Mulan

Esquecido pela própria Disney depois do lançamento de sucesso nos anos noventa, Mulan volta para as telonas como live-action e exemplo de representatividade feminina e asiática. Não se pode afirmar com certeza, mas é possível que o novo momento instaurado pelo #MeToo tenha dado o folêgo necessário para a aposta do estúdio seguir adiante. A estreia marcada para 26 de março de 2020, conta com Liu Yifei como protagonista e direção da neo-zelandesa, Niki Caro.



8. 
The Favourite

Outro lançamento acertado que recebe o impacto do #MeToo é The Favourite. Dirigido pelo grego Yorgos Lanthimos, o filme contextualizado na Inglaterra do século 18, explora o reinado da Rainha Anne e sua estreita relação com Sarah Churchill e Abigail Masham, bem como essas relações influenciaram o rumos do país. Com as três protagonistas interpretadas, respectivamente, por Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone, o filme apresenta mulheres em posições políticas de poder, representação majoritariamente feitas com homens no cinema.



9. 
The Female Persuasion

A Amazon Studios comprou os direitos de adaptação do best-seller The Female Persuasion, de Meg Wolitzer. O filme será produzido por Nicole Kidman, que recentemente assino contrato com o estúdio, Lynda Obst e Per Saari, de Big Little Lies. A adaptação ficará por conta de Isaac Aptaker e Elizabeth Berger, roteiristas de “This Is Us”. Centrado na temática de assédio sexual, a trama fala de uma estudante que após sofrer assédio em uma festa de faculdade, inspira-se em um ícone feminista para defender os direitos das jovens na instituição. A medida que a história avança, ambas impactam a vida uma da outra.



10. 
The Wife

Outro título adquirido pela Amazon é o romance The Wife, de Alafair Burke. Representativo da nova posição da industria, o enredo narra a história de Angela, uma mulher que guarda um forte trauma da adolescência, descobre que seu bem-sucedido marido pode ser um predador sexual. Sem muitas informações divulgadas, o único nome confirmado é do próprio autor como roteirista. A produção representa um novo momento para a Amazon Studios, depois de diversas denúncias envolvendo grandes nomes das suas produções.

No cenário nacional, duas realizações que refletem o impacto mundial provocado pelo #MeToo, são as minisséries produzidas pela rede Globo “Assédio” e “Aruanas”. Exclusiva para Globoplay, “Assédio” é inspirado nas dezenas de mulheres vítimas de Roger Abdelmassih, acusado de estuprar suas pacientes. Já “Aruanas”, com gravações realizadas também no Amazonas, conta a história de três ativistas integrantes de uma ONG em defesa do meio ambiente, e conta no elenco com Débora Falabella, Leandra Leal e Tais Araújo.

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