Há um comodismo enorme da Academia de Hollywood ao premiar Gary Oldman pela interpretação de Winston Churchill em “O Destino de uma Nação”. Não dá para negar a qualidade da interpretação dele no longa de Joe Wright: o jeito de falar e andar, os trejeitos e maneirismo, a voz estão ali para fazer o público imergir na ideia de que estamos vendo o ex-primeiro-ministro britânico.

Porém, quantas vezes já vimos outros atores fazerem o mesmo: se despir da vaidade, encarar um personagem histórico com toneladas de maquiagem, estudar minuciosamente o personagem retratado e sair com um Oscar na temporada de premiações? Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”), Marion Cotillard (“Piaf – Um Hino ao Amor”), Nicole Kidman (“As Horas”) e Charlize Theron (“Monster”) foram casos dos últimos anos.

Isso fica ainda pior quando pegamos a carreira de Gary Oldman é percebemos quantas vezes ele teve trabalhos fora da curva tradicionalista de Hollywood e nem sequer foi lembrado: “Drácula de Bram Stoker”, “JFK”, “A Letra Escarlate”, “Harry Potter” e a trilogia “Batman”. Em “O Espião que Sabia Demais”, fez uma das melhores atuações da década com um estilo muito delicado e cuidadoso em cada aspecto do personagem.

Ganha pelo óbvio.

Justo um ator nada óbvio.

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