Com quantos clichês se faz um filme? É triste pensar que a comédia, berço de alguns dos maiores gênios que o cinema já viu, também é um dos gêneros mais maltratados da sétima arte. Parece que subestimar o público e apelar para piadas fáceis é o novo pretinho básico. Não, não vai dar para evitar os chavões nesta crítica de “Qualquer Gato Vira-Lata 2”. É a melhor “homenagem” que alguém poderia fazer a essa produção.

São muitos os problemas, mas todos estão enraizados em um mal maior: o roteiro, que parece fazer um “greatest hits” dos clichês mais irritantes do cinema. Tem tudo lá: a criança sabe-tudo-que-aconselha-os-adultos, o casal em crise que se vê ‘tentado’ pelos respectivos ex-amores, a melhor amiga desengonçada e encalhada e, para fechar com chave de ouro, o cara que vai atrás da protagonista antes que ela “vá embora” da cidade, desiludida.

A história segue os protagonistas do primeiro filme, Conrado e Tati, que agora são um casal. Os dois viajam a Cancun para uma conferência do escritor. Ela resolve pedi-lo em casamento e – olha a ideia maravilhosa – transmite o pedido on-line para todos os amigos e familiares dos dois. Claro que isso resulta em altas confusões e trapalhadas de uma turminha do barulho!

Todos esses pontos são coroados pelas atuações “magistrais” do casal protagonista. Malvino Salvador e Cleo Pires estão ruins de doer. Parece que estão com vergonha – aliás, um dos momentos mais verdadeiros da trama é quando o personagem dele diz estar constrangido. Te entendemos, amigo.

Uma das coisas mais irritantes de “Qualquer Gato…” é a insistência em piadas ruins – problema que acompanha boa parte das produções não só da Globo Filmes, como do nosso querido Adam Sandler, só para não dizer que é algo exclusivo dos filmes brasileiros. Ok, sabemos que eles estão no México e que os mariachis são a cara do país. Mas precisa ficar enchendo as cenas com o grupo que só sabe cantar “Cucurucucu Paloma”?

Outro problema grave é a falta de coerência do roteiro. Ok, Conrado disse que “ia pensar” se casava ou não com Tati, mas por quê? Vimos o desenrolar ou até mesmo o motivo disso? E se Conrado estava ‘quase morrendo’ e com prognóstico de dois meses de sofrimento após comer uma certa pimenta, na cena seguinte ele já estava bem e pronto pra outra.

Um dos poucos destaques é a cena mais-vida-real-que-ficção entre Cleo, ops, Tati, e seu pai, vivido por Fábio Jr. A química dos dois garante poucos bons minutos e Fábio entrega a melhor piada do longa – uma piada besta e super fácil, mas que funciona.

A pequena Mel Maia rouba a cena, mas tem uma personagem completamente desnecessária – é sério que precisei ver dois homens adultos abordando uma criança de 10 anos e propondo, ‘de boas’, algo que poderia ser considerado corrupção de menores? E, olha, nem vamos falar da forma debochada como o filme tratou o feminismo – segundo a produção, uma coisa de “velha que foi abandonada por mulher mais nova”.

No mais, “Qualquer Gato Vira-Lata 2” parece mais uma versão sem graça do episódio de Chaves em Acapulco. O próprio Chaves não resistiu e resolveu aparecer – ou alguém explica aquele boné do Malvino Salvador? Mas, se for para escolher, é bem melhor assistir ao filme do Pelé.

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