Garota de família perfeita com poucos amigos se acha estranha perante o mundo. Mesmo assim, um jovem rapaz se apaixona por ela e começam a viver um lindo romance. Eis que um obstáculo surge para colocar esse amor e a vida da mocinha em risco. Baseado no livro escrito por Gayle Forman, “Se Eu Ficar” parece uma mistura de “Crepúsculo” com “A Culpa é das Estrelas”. O resultado dessa mistura não chega a irritar como os filmes dos “vampiros”, porém, passa longe de conseguir o êxito da obra estrelada por Shailene Woodley.

Mais que contar uma boa história, “Se Eu Ficar” não esconde a obrigação maior de fazer o espectador chorar copiosamente. Para isso, artifícios não faltam: desde a trilha sonora em que a banda de rock é um Coldplay 10x mais açucarado até passagens dos pombinhos em todas as formas possíveis de fofurices possíveis (jogar pedra na água se torna item obrigatório). Claro que brigas não podem faltar para criar o conflito básico, deixando os espectadores aflitos para que o casal se acerte o quanto antes. Até aí nada demais: a obra dirigida por R.J Cutler (“Vogue – A Edição de Setembro”) cumpre o prometido sem grandes dificuldades.

O filme, entretanto, parece confiar demais nesse manual do chororô e não busca criar um caminho a ser seguido. Com uma carreira marcada por obras fracas como “Garota Fantástica” e “O Que Esperar Quando Você Está Esperando”, a roteirista Shauna Cross parece não saber o que fazer com tantos flashbacks, ficando a sensação de falta de entendimento do que aquele passado todo significa para a garota e, consequentemente, para a trama. Em vez de explorar o conflito do espírito entre viver e morrer, “Se Eu Ficar” aposta em criar sempre mais uma cena emocionante. Isso causa um estranhamento na tendência suicida adotada pela protagonista em determinado trecho da história, lembrando os piores momentos de Bella Swan.

Chloe-Moretz complica ainda mais a situação com uma atuação forçada de princesa abandonada seja no acidente de carro ou dentro do hospital correndo para todos os lados. Para um filme que pretende fazer com que o público adolescente se aproxime da protagonista, a postura ora de vítima ora de indefesa ora de menina boa cria uma persona fora da realidade. Ainda mais para quem viu Shailene Woodley sem maquiagem e despida de vaidades em “A Culpa é das Estrelas”, olhar para a protagonista de “Se Eu Ficar” sempre arrumada e belíssima soa como um ponto fora da curva. O insosso Jamie Blackley também pouco contribui para criar um par romântico digno de se torcer.

“Se Eu Ficar” mira apenas nas lágrimas. Pode até conseguir arrancá-las de corações mais sentimentais, porém, conquista muito mais por uma frase de efeito ou uma trilha sonora melosa do que propriamente no envolvimento do público com os personagens.

NOTA: 5,5

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