Faz parte da tradição do cineclubismo não apenas exibir os filmes, mas também fomentar discussões sobre a linguagem cinematográfica e temas importantes que surgem a partir das produções. Ainda fiel a essa premissa, o Cineclube Canoa é hoje um dos cineclubes em funcionamento na cidade de Manaus que, apesar das dificuldades, se mantém promovendo o cinema à sua maneira.

Criado em 2010, a partir de um projeto do Ministério da Cultura (MinC) em parceria com as Associações Brasileiras de Documentaristas (ABDs), o cineclube inicialmente se instalou no Espaço Cultural Arte & Fato, depois se mudando para a sede da Associação de Cinema e Vídeo do Amazonas (ACVA), localizada no Edifício Rio Mar, 500, Sala 314, no Largo São Sebastião, no Centro da cidade. Apesar do espaço menor, é lá que atualmente ocorrem sessões semanais todas as quartas, a partir das 17h, trazendo obras de gêneros distintos, como documentários e filmes experimentais.

Segundo Darlan Guedes, coordenador do cineclube, a proposta do Canoa sempre foi exibir programações diversificadas que promovessem o debate em torno da arte cinematográfica. “Não basta exibir o filme, tem que ter diálogo”, afirma o cineclubista. Nesse sentido, o espaço inclusive já realizou encontros do público com produtores locais, como Anderson Mendes e Angelita Feijó, que tiveram seus filmes exibidos em sessões especiais. Afinal, como Darlan pontua, o objetivo é ajudar o público a compreender como se faz um filme, desempenhando um papel de formação necessário na região. “Queremos levar o cinema para as pessoas, pois o cinema é um meio de expressão criado para as massas”, ele completa. Ainda de acordo com o gestor, o cineclube também é uma oportunidade de resgatar indivíduos marginalizados através da arte – assim como Danielle Nazareno faz através do Cine Alto Rio Negro.

Nesse contexto, a programação do Cineclube Canoa varia de acordo com ciclos definidos pela coordenação, em busca de estimular debates, e está sempre aberta a sugestões do público. Na última quarta, por exemplo, foi exibido o holandês A Excêntrica Família de Antônia, de Marleen Gorris, para que se discutisse a imagem e o tempo narrativo em seguida.

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O acervo do cineclube é mantido com material recebido através do programa Cine Mais Cultura, criado pelo MinC e desenvolvido pela Secretaria do Audiovisual. No entanto, desde que o programa foi paralisado, há mais de um ano, esse acervo depende de doações do público e de associados da ACVA. Os realizadores locais também podem levar seus próprios filmes para exibição e discussão com o público. Uma vez que há falta de apoio público, as atividades são voluntárias.

Para Darlan, porém, a maior dificuldade mesmo é a falta de público e de divulgação; além da sua página no Facebook, o cineclube não tem meios próprios, e não há interesse de veículos de comunicação em colaborar nesse sentido. Logo, há um público escasso, o que dá menos visibilidade ao projeto. Segundo o gestor, esse ainda é um sintoma da cultura fraca de cineclubismo em Manaus, que aos poucos vai se expandindo e se fortalecendo.

A fim de atrair esse público, o Cineclube Canoa têm novas ideias para ações futuras, como a participação em mostras como o Festival Mundial do Minuto e a Mostra de Cinema e Direitos Humanos (já exibida pelo Canoa em anos anteriores) e programações voltadas a um público mais jovem, como um ciclo de animação japonesa, além de um projeto da Jornada Cineclubista do Amazonas, ainda em fase embrionária, mas que deve envolver toda a cena amazonense.

“Estamos sempre buscando essa qualidade para atrair as pessoas. É complicado porque, muitas vezes, nem mesmo os próprios associados [da ACVA] estão dispostos a assistir e participar dos debates, o que é importante até mesmo para a produção”, enfatiza Darlan. Para o coordenador, porém, há a esperança desse cenário melhorar, e o Cineclube Canoa fortalecer o papel de formação que o cineclubista considera essencial: “eu acredito que o cinema muda as pessoas, e para melhor”.

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(Fotos cedidas por Darlan Guedes)

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