Foi com surpresa que descobri que O Âncora (2004) ganhou um status cult com o passar do tempo. Admito que não assisti a esse filme porque… sei lá, tinha coisas que pareciam melhores para assistir antes, e… este trabalho não prometia ser algo diferente do senso comum de parte das comédias norte-americanas. Mas este trabalho, mesmo não fazendo um grande sucesso de público, principalmente aqui no Brasil, ganhou um bom número de defensores do seu estilo politicamente incorreto (o legítimo, não aquele que faz piada com as minorias).

Tudo por um furo (tradução pavorosa do título original, Anchorman 2: The Legends Continues), mantém esse mesmo estilo, e apoiando-se no seu talentoso elenco, consegue arrancar boas risadas.

O longa começa com o sucesso obtido pelo casal de âncoras Ron Burgundy  (Will Ferrell) e Veronica Corningstone (Christina Applegate). Os dois parecem estar no auge de suas carreiras, quando Veronica assume o principal telejornal da emissora, enquanto Ron é demitido por conta do seu estilo excêntrico. Depois de passar por essa baixa na carreira, Ron é convidado a fazer parte de uma emissora estreante, de pouca expressão, mas o primeiro canal de notícias 24 horas da história da televisão. Para isso, ele chama de volta os seus companheiros, Brian Fantana (Paul Rudd), Brick Tamland (Steve Carrel) e Champ Kind (David Koechner), que terão que auxiliá-lo a vencer a competitividade do egocêntrico Jack Lime (James Marsden).

Acredito que o fato deste filme não estar fazendo um grande sucesso de público, deve-se ao seu estilo bastante cínico, utilizando-se propositalmente de muita cafonice e clichês de comédias de vários estilos. No fundo, não é pra levar a sério nada do que está sendo dito ali, e é preciso entender que todos os defeitos e preconceitos de Burgundy não são defendidos pelo filme, mas servem para criticar vários setores da sociedade americana.

A crítica mais clara feita pelo filme – de forma completamente escancarada – é direcionada à mídia norte-americana, que mostra o que a sociedade quer ver, e não necessariamente o que a ética da profissão diz. Outra cena que acredito que possa ter sido classificada como agressiva por alguns, é o hilário momento em que Ron conhece a sua chefe, Linda Jackson (Meagan Good), e não para de falar a palavra “Preta” o tempo inteiro, deixando claro o cinismo do filme, e o quanto ele quer ridicularizar o seu protagonista.

Mas é evidente que não se trata de uma obra-prima do humor. Mesmo que as situações criadas sejam propositalmente frágeis e mal elaboradas, nem todas as situações funcionam, e em dados momentos esse tipo de abordagem causa certo cansaço na plateia como, por exemplo, na cena do jantar na casa de Linda.

Inegável, porém, que muitas situações funcionam muito bem, e muito disso se deve ao seu elenco, bastante experiente e talentoso. Mesmo apelando para as caretas em alguns momentos, e às vezes investindo num humor mais rasteiro, é realmente muito difícil resistir ao charme de Will Ferrell, que transforma Ron Burgundy numa espécie de Homer Simpson do jornalismo, criando momentos, por ora duvidosos, mas sempre divertidos, como quando enfrenta Jack Lime, na divertidíssima cena da aposta.

Outro que se destaca bastante é Steve Carrell, com o seu inusitado par romântico com Kristen Wiig, que cria um personagem em que seria facílimo cair numa caricatura gasta e sem graça, mas consegue de alguma forma fazer com que aqueles comentários aleatórios sejam verdadeiramente engraçados, tornando o seu personagem uma espécie de bomba-relógio que pode fazer uma piada engraçadíssima a qualquer momento.

Pensando bem, mesmo que Ferrell e Carrell sejam os maiores destaques individuais, o elenco todo possui uma excelente química, e momentos como o acidente de carro, e principalmente a sucessão de participações especiais no final do filme, criando uma inusitada “batalha final”, são momentos para serem lembrados na lista de melhores momentos do ano.

O saldo final é bastante positivo e isso se deve principalmente pelo fato de ser um filme que ri dos padrões estabelecidos em vez de segui-los, resultando num filme bastante diferente do que é oferecido no final de semana.

NOTA: 7,5

PS: Desculpem-me por esse longo parêntese, mas é que já o adiei muitas vezes, e o caso ocorrido neste filme foi a gota d’água. Não dá mais pra assistir aos filmes no Cinemais do Millennium! O Cinemais do Plaza já desisti há bastante tempo, por lá apenas passar filmes dublados e pela falta de educação da plateia ser algo institucionalizado neste local. Mas nem o do Millennium se salva mais, visto que até nesse cinema os filmes dublados estão se tornando dominantes, e a falta de educação do público cada vez mais constante, sem que haja nenhum tipo de atitude por parte do cinema. Se não bastasse isso, o atendimento é sempre de péssima qualidade, com funcionários despreparados e mal educados, claramente sem nenhum tipo de treinamento apropriado. Mas se tudo isso fosse recompensado por uma projeção decente, até que poderia relevar, mas nem me lembro mais quando tive alguma sessão sem nenhum problema. As salas estão sempre sujas, o chão é grudento, muitas cadeiras estão rangendo e não são um exemplo de conforto. As cópias exibidas parecem que foram lavadas, são pálidas, com mudanças de cor e de luz constantes, que ficam alterando no decorrer dos filmes, e o áudio… bom, o áudio, desde a inauguração deste cinema, é ridiculamente ruim, exibindo sempre um som abafado. Nesta sessão de Tudo por um furo, o som estava muito baixo e abafado (como sempre), e apenas depois de 15 MINUTOS DE FILME ROLANDO é que aumentaram um pouco o volume. Tiveram o tempo de exibirem 4 trailers, e não verificaram essa questão. E por se tratar da exibição de uma CÓPIA DUBLADA, a compreensão do que estava sendo dita era quase impossível. O Cinemais já deu muitas provas que pensa que os seus consumidores são imbecis, e não cansam de esfregar isso em nossas caras todas as vezes que temos o desprazer de comparecer a este estabelecimento. Depois de relevar por muitas vezes casos dessa natureza, me senti na obrigação de expor esse tipo de situação neste espaço. Esta rede de cinema tem um idiota a menos como cliente a partir de agora.

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