Durante a Era de Ouro de Hollywood, as grandes estrelas femininas passavam por maus bocados: abusos de todas as espécies de um meio extremamente machista, namoros e casamentos arranjados para gerar manchetes, controle total por chefes de estúdios da alimentação ao vestuário até os filmes que faziam. De certo modo, esta falta de autonomia sobre a própria vida guiada pela expectativa do público e patrocinadores também acontece com as celebridades das redes sociais, ou melhor, os digitais influencers.

O drama “Suor” parte desta premissa ao contar a história de Sylwia Zajac (Magdalena Kolesnic), uma espécie de Gabrielle Pugliese da Polônia. Com 600 mil seguidores no Instagram, ela passa o dia dando dicas fitness de exercícios físicos e alimentação. Certo dia, porém, este mundo lindo e maravilhoso é abalado por uma postagem em que aparece chorando ao revelar se sentir muito sozinha. Ao longo de três dias, acompanhamos esta solidão da personagem ao ir no aniversário da mãe, descobrir a existência de um fã perturbado e se preparar para aparecer em um programa de televisão.

Logo que começa, o diretor e roteirista Magnus Von Horn consegue situar bem o público no drama da sua protagonista. A energia da sequência inicial de uma aula em pleno shopping center não demora muito para dar lugar ao silêncio e isolamento de Sylwia. Como não poderia deixar de ser, o celular está sempre presente, quase como uma parte integrante do próprio corpo e até chegar em casa se torna motivo de uma postagem. A prisão a este universo revela-se aos poucos quando, por exemplo, os sentimentos genuínos são censurados por patrocinadores, algo digno de um episódio da brilhante “Feud” sobre a rivalidade das estrelas Bette Davis e Joan Crawford.

 PANORAMA SUPERFICIAL

Quase gabaritando neste primeiro ato, “Suor” tropeça dali em diante. O roteiro até tenta se aprofundar na solidão da protagonista, mas, nunca parece, de fato, convencer. A relação com a mãe, por exemplo, fornece pistas de um estranhamento implícito em que falta apoio e suporte, mas, quando poderia se aprofundar, chega ao fim deixando uma incômoda sensação de que poderia ter ido rendido mais.

A ausência de outras amigas influencers ou puxa-sacos, algo tão comum a este meio e até fundamental para o sucesso, soa como um vácuo conveniente demais, especialmente, quando poderia ser explorado na chegada de uma festa, porém, acaba deixada de lado rapidamente. Mas, nada, nada é pior do que a relação com o fã stalker: o perigo causado por um importunador sexual ganha um contorno constrangedor ao transformar a vítima em culpado e vice-versa. Bizarro, no mínimo.

Com uma atuação excelente de Magdalena Kolesnic pela capacidade de demonstrar em mudanças sutis de semblantes o desespero da protagonista, “Suor” consegue, de fato, retratar esta solidão no meio de milhares, porém, semelhante as redes sociais, tudo de forma superficial.

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