Diversidade, temas relevantes como a migração e feminismo e muito Brasil. 

O Festival de Berlim 2020 começou no dia 20 de fevereiro a 1o de março e marca a estreia do italiano Carlo Chatrian como diretor artístico do evento. Nos 70 anos do evento, o grande desafio é conseguir aliar a relevância política e social das produções com um rigor estético cada vez mais maior. 

O prêmio máximo do Festival de Berlim é o Urso de Ouro. O Brasil já levou duas vezes esta glória: a primeira foi com “Central do Brasil”, em 1998, e a segunda em 2007, com “Tropa de Elite”. Outros grandes clássicos do cinema mundial também saíram da Berlinale. 

Foram os casos de “12 Homens e uma Sentença”, do Sydney Lumet, “Morangos Silvestres”, do Ingmar Bergman, “A Noite”, do Michelangelo Antonioni, “Rain Man”, do Barry Levinson, “Razão e Sensibilidade”, do Ang Lee, “Magnólia”, do Paul Thomas Anderson, e “A Separação”, do Asghar Farhadi. 

A CORRIDA PELO URSO DE OURO

Neste ano, 18 filmes concorrem ao Urso de Ouro, incluindo um brasileiro. “Todos os Mortos”, co-dirigido pelo Marco Dutra e Daniel Gotardo, mostra uma história ambientada no fim do século XIX. Nele, uma família rica da época não abre de seus privilégios e tenta manter uma mulher negra como escrava, anos após o fim da escravidão.  Para quem não sabe, o Marco Dutra é o mesmo cara que dirigiu filmes como “As Boas Maneiras”, “Trabalhar Cansa” e “Quando Eu Era Vivo”. 

A concorrência, porém, vai estar bem pesada com grandes nomes vindos de todos os cantos do planeta. 

Sempre com o seu estilo provocador, o Abel Ferrara, diretor de obras como “O Rei de Nova York” e “Vício Frenético”, lança “Siberia”. O filme é protagonizado pelo eterno parceiro dele, o Willem Dafoe, promete ser uma viagem bem louca sobre o mundo dos sonhos.  Já o alemão Christian Petzold chega forte após o elogiadíssimo “Em Trânsito”. O novo filme dele, “Undine”, inicia uma trilogia sobre os mitos da cultura alemã. Aqui, o filme trabalha o mito de Ondina, ninfa imortal que vive nas águas, mas que, ao se apaixonar por um humano, corre o risco de perder sua beleza e imortalidade. 

Depois de conquistar o Oscar, a Coreia do Sul vai buscar o Urso de Ouro com o excelente diretor Hong Sang-Soo. Ele leva para Berlim o drama “The Woman Who Ran”, nova parceria com a atriz Kimmini Min-hee Kim. A história é sobre o reencontro de quatro amigas de longa data, mas, que não se veem há algum tempo, e toda a tensão que há por baixo de aparente cordialidade. 

Indo na contramão do Bafta, Oscar, Cannes e César, o Festival de Berlim está dando de diversidade entre os selecionados para o Urso de Ouro. Das 18 produções, cinco são dirigidas por mulheres. E algumas delas são conhecidas do público cinéfilo. Diretora de “Certas Mulheres”, a Kelly Reichardt retorna com “First Cow”, filme sobre um cozinheiro contratado para trabalhar em uma expedição de caça de peles no Oregon. Durante a viagem, ele faz com um imigrante chinês em busca de fortunra misterioso em fuga de russos que pretendem matá-lo. 

Já a Eliza Hittman apresenta “Never Rarely Sometimes Always” sobre duas jovens primas saindo da área rural da Pensilvânia e indo para Nova York, onde uma delas vai tentar fazer um aborto devido a uma gravidez indesejada. Por fim, tem Sally Potter, figurinha carimbada em Berlim. Neste ano, ela leva “The Roads Not Taken”. O drama acompanha um dia na vida da personagem da Elle Fanning que terá a missão de cuidar do pai, vivido pelo Javier Bardem, o qual enfrenta problemas mentais. 

Para fechar os destaques da luta pelo Urso de Ouro, tem o novo filme do francês Phillipe Garrel, na direção. Em “Le Sel des Larmes”, um rapaz conhece os primeiros amores da vida, enquanto nutre uma profunda admiração pelo pai. 

PARÁ E PIXAR NA BERLINALE

O Festival de Berlim não se restringe apenas ao Urso de Ouro, pelo contrário; tem muitas outras coisas. Dedicada a filmes mais políticos e sociais, a Mostra Panorama tem cinco produções brasileiras. 

O principal destaque é o documentário “Nardjes A”, do Karim Ainouz, diretor de “A Vida Invisível”. A produção acompanha o entusiasmo dos jovens do país para buscar uma Argélia mais democrática. Tem um filme do Pará com o documentário “O Reflexo do Lago” sobre comunidades próximas à hidrelétrica de Tucuruí que não possuem energia elétrica. Já a Mostra Fórum tem como grande atração o documentário chileno “El Tango 1”. O longa foi em 1967 pelo diretor Raul Ruiz, mas, ele não conseguiu terminá-lo antes do exílio durante a ditadura de Pinochet. Agora, a viúva dele, Valeria Sarmiento finalizou o projeto. 

Ganhadora do Oscar de Melhor Atriz por “A Rainha”, a Helen Mirren vai receber o prêmio honorário pelo conjunto da obra do Festival de Berlim. Também teremos a exibição em primeira mão do novo filme da Pixar, “Dois Irmãos”. E para fechar, este será o primeiro da Mostra Encontros que também vai ser competitiva. 

SELEÇÃO OFICIAL DO URSO DE OURO 2020 DO FESTIVAL DE BERLIM:

Berlin Alexanderplatz, de Burhan Qurbani
DAU. Natasha, de Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel
Domangchin yeoja (The Woman Who Ran), de Hong Sang-soo 
Effacer l’historique (Delete History), de Benoît Delépine e Gustave Kervern
El prófugo (The Intruder), de Natalia Meta
Favolacce (Bad Tales), de Damiano e Fabio D’Innocenzo
First Cow, de Kelly Reichardt
Irradiés (Irradiated), de Rithy Panh
Le sel des larmes (The Salt of Tears), de Philippe Garrel
Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman
Rizi (Days), de Tsai Ming-Liang 
The Roads Not Taken, de Sally Potter
Schwesterlein (My Little Sister), de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond 
Sheytan vojud nadarad (There Is No Evil), de Mohammad Rasoulof
Siberia, de Abel Ferrara
Todos os Mortos (All the Dead Ones), de Caetano Gotardo e Marco Dutra 
Undine, de Christian Petzold
Volevo nascondermi (Hidden Away), de Giorgio Diritti

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