De Burt Lancaster a Cliff Robertson, Caio Pimenta apresenta o TOP 10 dos vencedores do Oscar de Melhor Ator entre 1960 a 1969. 

10. LEE MARVIN, por “DÍVIDA DE SANGUE” 

O décimo colocado é a inexplicável vitória do Lee Marvin por “Dívida de Sangue”, no Oscar de 1966. 

Interpretando dois matadores de aluguel – um do bem e outro do mal – o Lee Marvin faz uma espécie de Jack Sparrow do faroeste, mas, aqui só abusando das caras e bocas. O vilão é até bom por ser mais sério, temível, porém, o que o anti-herói que domina a cena e não consegue ficar sentado direito no cavalo só é engraçado para quem ainda de uma “A Praça é Nossa”. 

Pior de tudo é que a Academia tinha boas opções como o Richard Burton e o Laurence Olivier, porém, o Oscar fez a pior escolha possível. 

9. ROD STEIGER, por “NO CALOR DA NOITE” 

Depois de duas indicações, o Rod Steiger venceu o único Oscar da carreira em 1968 pelo desempenho em “No Calor da Noite”. 

No filme, ele interpreta o chefe da polícia local em constante choque com o policial federal feito pelo Sidney Poitier. A química entre os dois dá o tom das tensões da trama e o processo de mudança de comportamento dele ao longo da trama dá a base de muitos filmes que viriam tempos como “Histórias Cruzadas” e “Green Book”. 

Agora, sinceramente, o Oscar pisou na bola: se era para indicar o Steiger ou Poitier, que indicassem o Poitier, afinal, não faz sentido uma história que aborda o preconceito racial, você indica o ator branco e esnobar o negro.  

8. REX HARRISON, por “MINHA BELA DAMA” 

Premiado no Oscar de 1965, o Rex Harrison venceu o prêmio pelo trabalho dele em “Minha Bela Dama”. 

Neste grande musical, ele interpreta um professor de fonética com a missão de fazer uma mendiga vendedora de flores se passar uma dama da elite da sociedade. O humor cínico aliado com rabugice do personagem cria um embate divertidíssimo dele com a Audrey Hepburn, além de momentos musicais maravilhosos como “Why Can´t a Woman Be More Like a Man?”. 

Agora, se ele deveria ter vencido o Oscar ou não, isso será tema para daqui algumas semanas. 

7. CHARLTON HESTON, por “BEN-HUR” 

Ele podia ser canastrão, fazer caras e bocas, mas, não dá para negar que em “Ben-Hur” o Charlton Heston mandou muito bem. 

No épico de 3h30 do William Wyler vencedor do Oscar em 1960, o Charlton Heston conduz o filme com as suas maiores qualidades: o carisma e a força física. Tudo para viver o príncipe que virou escravo e consegue dar a volta por cima. Apesar do talento para o drama não ser dos melhores, ele constrói um personagem inesquecível e que faz o público torcer por ele facilmente. 

Apesar de ser extremamente conhecido e um ícone do cinema americano, o Charlton Heston só foi esta vez ao Oscar e nada mais. 

6. CLIFF ROBERTSON, por “OS DOIS MUNDOS DE CHARLY” 

Antes de ser o avô de Peter Parker, o Cliff Robertson venceu o Oscar de 1969 pelo trabalho em “Os Dois Mundos de Charly”. 

Apesar de algumas vezes cair em estereótipos de atuações de deficientes mentais, o Cliff Robertson consegue, nos melhores momentos do filme, humanizar o drama do protagonista com uma delicadeza comovente.

A segunda parte da história em que o personagem aparece “curado” cria um contraste complexo para um filme que podia ter sido muito maior com um roteiro melhor. 

5. GREGORY PECK, por “O SOL É PARA TODOS”

Nunca um papel coube tão bem à personalidade pública de um ator em Hollywood como aconteceu com o Gregory Peck em “O Sol é Para Todos”. 

Neste filme problemático para os dias atuais, o Gregory Peck interpreta um pai de família, amável e respeitado pela comunidade encarnando o que deveria ser o espírito do sistema judiciário americano ao ser um advogado que defende um negro da injusta acusação de ter estuprado uma mulher branca. Nada mais simbólico do que o pretensioso bom mocismo dos EUA. 

Outro ponto questionável do filme é, mais uma vez, a gente ver o herói branco vindo para salvar o pobre negro incapaz de se defende.

Dentro destes objetivos que “O Sol é Para Todos” possui, o Gregory Peck cumpre o seu papel muito bem. 

4. MAXIMILIAN SCHELL, por “O JULGAMENTO DE NUREMBERG” 

O austríaco Maximilian Schell venceu o Oscar de Melhor Ator em 1962 em um dos primeiros trabalhos da carreira dele. 

No excelente “O Julgamento de Nuremberg”, o Maximilian traz um contraponto necessário para a história que acompanha o caso de importantes membros do Judiciário alemão sendo julgados pelos seus atos durante o período nazista. Com muita paixão, o personagem dele mostra o que aquele julgamento representa para o povo da Alemanha e aborda como a ascensão do nazismo foi uma obra muito além dos apoiadores de Hitler, contando com a conivência mundial. 

É um trabalho tão forte e carregado de emoção genuína que o Maximilian roubou o protagonismo do filme do Spencer Tracy, que também foi indicado. 

3. SIDNEY POITIER, por “UMA VOZ NAS SOMBRAS”

O Sidney Poitier pode não ter sido o melhor trabalho vencedor do Oscar de Melhor Ator nos anos 1960, mas, sem dúvida, foi o mais carismático e histórico. 

Quando ele entra em cena com aquele sorriso em “Uma Voz nas Sombras”, não tem como não ser conquistado. A dobradinha dele com o grupo de freiras na tentativa de erguer uma capela no interior dos EUA rende momentos impagáveis e deliciosos como a canção religiosa que o Poitier ensina para elas. 

Esse Oscar foi o primeiro para um ator negro na categoria principal de interpretações masculinas. 

2. PAUL SCOFIELD, por “O HOMEM QUE NÃO VENDEU SUA ALMA” 

O Paul Scofield leva a medalha de prata deste TOP 10 pelo desempenho em “O Homem que não a Sua Alma”. 

Ganhador do Oscar em 1967, o Paul Scofield interpreta sir Thomas Moore, um católico fervoroso que se recusa a negar as próprias convicções para permitir que o rei da Inglaterra possa se separar da esposa para se casar novamente.

Todo o comportamento íntegro e extremamente coerente do personagem é defendido com brilhantismo pelo ator sempre cuidadoso na emissão de cada palavra de um roteiro excepcional do Peter Bolt seja nos momentos de serenidade ou seja nos lapsos de fúria. 

1. BURT LANCASTER, por “ENTRE DEUS E O PECADO” 

O Burt Lancaster era, antes de um grande ator, um galã para lá de charmoso. E ele soube explorar isso muito em “Entre Deus e o Pecado”, filme que o fez ganhar o único Oscar da carreira em 1961. 

No filme dirigido pelo Richard Brooks, o Lancaster interpreta um malandro alcóolatra se aproximando de uma bela líder religiosa. Aos poucos, ele se torna um importante pastor da igreja, mas, sem esquecer totalmente do passado errante dele. O astro se utiliza de um carisma apaixonante para criar um sujeito indeciso entre os dois lados do título do filme, mas, capaz de achar um jeitinho para conseguir conviver nos dois meios. 

Toda vez que o Lancaster está em cena “Entre Deus e o Pecado” ganha força, sendo Elmer Gantry um dos personagens mais fascinantes de Hollywood nos anos 1960. 

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